EDIÇÃO

 

TÍTULO DE ARTIGO


 

AUTOR


ÍNDICE TEMÁTICO 
54
Exigências da clínica e da cultura à psicanálise
ano XXVIII - Junho de 2015
183 páginas
capa: Carlos Matuck
  



capa: Carlos Matuck

voltar ao acervo








EDITORIAL  
TEXTOS  
Em conferência realizada em 2005, Silvia Bleichmar interroga as teorias sexuais presentes na psicanálise diante das transformações que ocorreram na sexualidade nos últimos 100 anos. Propõe, como ponto de partida, a diferença entre produção da subjetividade e constituição do psiquismo para proceder à revisão dessas teorias. Os conceitos de sexualidade infantil, polimorfismo perverso, perversão, identidade e gênero, sexualidade masculina e homossexualidade são revistos e trabalhados, como também os complexos de Édipo e castração.
ABSTRACT
At a conference held in 2005, Silvia Bleichmar questions the present sexual theories in psychoanalysis on the transformations occurred in sexuality along the last 100 years. Proposes, as a starting point, the difference between production of subjectivity and constitution of the psyche in order to revise these theories. The concepts of infantile sexuality, perverse polymorphism, perversion, identity and gender, male sexuality and homosexuality are reviewed and processed, as well as the Oedipus complex and castration.
 
A transexualidade, na sua forma ocidental contemporânea, é uma categoria oriunda do encontro entre os poderes médico e jurídico. Desses dois discursos, a perspectiva psicanalítica se separa por definição: a sua vocação não é retomar o saber psiquiátrico. Todavia, numerosos discursos em nome da psicanálise tentam ver, em Freud já, os fundamentos da classificação de uma patologia transexual. Esse esquecimento da sua historicidade e a essencialização patologizadora da categoria transexualidade torna a psicanálise antipsicanalítica. O autor tenta situar a filiação psiquiátrica de várias teorias psicanalíticas da transexualidade, expor elementos de algumas delas, para ver se e como seria possível pensar uma psicanálise da pós-transexualidade.
ABSTRACT
Contemporary Western transsexuality is an artifact of medical and legal power. Psychoanalysis is, by definition, distinct from these fields, and does not proceed from any psychiatric knowledge. However, in the name of psychoanalysis, many authors try and find in Freud grounds to classify a transsexual pathology. Thus forgetting its own historicity, essencializing and pathologizing transsexuality, psychoanalysis ends up being anti-psychoanalytical. The author aims to point out the psychiatric origin of various psychoanalytical theories of transsexuality, and present some of their development, in order to conceive of a post-transsexuality psychoanalysis.
 
Através da análise do artigo “A dor de não sonhar”, de Janete Frochtengarten, publicado em Entre o sonho e a dor, de Pontalis, e do artigo “O sexo neutro”, de A. Green, do livro Narcisismo de vida, Narcisismo de morte, o ensaio procura mostrar o modo como alguns preconceitos se imiscuem no pensamento psicanalítico. Propõe ainda que é necessária uma abertura para o que vem sendo denominado como “as novas sexualidades” sem perda do que nos constitui como psicanalistas, uma vez que é exatamente a capacidade de desessencializar que nos caracteriza.
ABSTRACT
This essay aims to show how some prejudices blend together in psychoanalytic thought. It also proposes that an opening for what is being termed as “new sexuality” is required without losing, however, what constitutes us as psychoanalysts, since we have the characteristic of being non-essentialist. To do so, this paper analyzes “The pain of not dreaming”, from Between the Dream and the Pain by JB Pontalis, and “The neutral gender”, from Life narcissism, death narcissism by A. Green.
 
Através do presente artigo, pretende-se sustentar a hipótese da incidência do mecanismo da recusa no laço social, situando-o ante o racismo na cultura brasileira. Destacam-se como eixos principais deste texto: a reflexão sobre o caráter do discurso tecido por alguns brasileiros atravessados pelo fenômeno do racismo em sua história, o tema da constituição do narcisismo do negro no laço social, além da questão do racismo como discurso dirigido ao estrangeiro e revelador do desmentido da realidade.
ABSTRACT
This article supports the hypothesis of the incidence of the denial mechanism in the social bond advocating its role against racism in the Brazilian culture. It stands out as the main axis of this text: a reflection on the discourse of character woven by some Brazilians crossed by the racism of this phenomenon in its history, the subject of the constitution of the black narcisism in social bond, besides the issue of racism as a discourse aimed at foreigners that reveals the denial of reality.
 
O alvo da perversão pedófila é a criança ainda não definida sexualmente. Fundamentalmente, o que o pedófilo procura nela é a encarnação da recusa da castração e da diferença entre os sexos. Procura a si mesmo, quer fazer-se aparecer na figura infantil. A pornografia infantil, por sua vez, registra no imaginário o ato pedófilo, legitimado e legalizado. As ideias de Serge André (Laussanne, 1999), aqui retrabalhadas, têm grande valor num campo em que são escassas as hipóteses metapsicológicas.
ABSTRACT
The main target of the pedophile perversion is the child who is still undefined sexually. Essentially, what the pedophile looks for in this child is the embodiment of the refusal of castration and of sex difference. He looks for himself, to make himself appear in the image of the child. Child pornography, in turn, registers in imagination the pedophile act, legitimated and legalized. The ideas of Serge André (Lausanne, 1999) that I rework in this text have great value in a field in which metapsychological hypotheses are scarce.
 
O alvo da perversão pedófila é a criança ainda não definida sexualmente. Fundamentalmente, o que o pedófilo procura nela é a encarnação da recusa da castração e da diferença entre os sexos. Procura a si mesmo, quer fazer-se aparecer na figura infantil. A pornografia infantil, por sua vez, registra no imaginário o ato pedófilo, legitimado e legalizado. As ideias de Serge André (Laussanne, 1999), aqui retrabalhadas, têm grande valor num campo em que são escassas as hipóteses metapsicológicas.
ABSTRACT
The main target of the pedophile perversion is the child who is still undefined sexually. Essentially, what the pedophile looks for in this child is the embodiment of the refusal of castration and of sex difference. He looks for himself, to make himself appear in the image of the child. Child pornography, in turn, registers in imagination the pedophile act, legitimated and legalized. The ideas of Serge André (Lausanne, 1999) that I rework in this text have great value in a field in which metapsychological hypotheses are scarce.
 
A autobiografia de Dawn Prince-Hughes é exemplar da função psíquica do espelho-duplo, em seu caso representado por um gorila, que serve como alicerce para sua identificação imaginária com um outro não-humano, o que evidencia a relevância da invenção de um estofo imaginário como apoio para a imagem de si próprio e para o desenvolvimento de uma ilha de competência no autismo.
ABSTRACT
The autobiography of Dawn Prince-Hughes exemplifies the psychic function of a mirror-double, in her case a gorilla, which sets the foundation for her imaginary identification with another non-human, hence stressing the relevance of the invention of an imaginary padding in autism in supporting a self-image and the development of an island of competence in autism.
 
Considerando a grande incidência atual de pacientes nomeados como estados-limite, seja na clínica psicanalítica ou em instituições de saúde mental, busco neste trabalho compreender como se constituem os continentes do Eu – membrana que nos pacientes estados-limite estaria mal constituída, porosa. Para tanto, lanço mão de algumas contribuições na obra de Freud, bem como em obras de autores pós-freudianos, em especial Didier Anzieu e seu livro O Eu-pele. Uma vinheta clínica serve como ilustração ao final.
ABSTRACT
Considering the high incidence of patients currently named as borderline, whether in the psychoanalytic clinic or at mental health institutions, I seek in this work to understand how the continents of the I are constituted – membrane that would be ill-formed, porous, in borderline patients. For this, I look for some contributions in the work of Freud, such as post-Freudians, especially Didier Anzieu and his book The I-skin. A clinical vignette serves as an illustration at the end.
 
Este trabalho visa dar visibilidade a um tipo de ser humano, que se apresenta ao mundo como diferente. Dá destaque àquele, dito deficiente, entendido como portador de déficit intelectual. Com frequência, ausentes da literatura psicológica e marginalizados socialmente apresentam-se como inexistentes. Essa reflexão nutre-se da experiência clínica psicanalítica, dos relatos dos pais de crianças, nascidas ou tornadas deficientes no nascimento, e denuncia um tipo de preconceito.
ABSTRACT
This work aims to put on the spotlight a certain type of human being, which is presented to the world as different. It highlights, the one called deficient, understood as having an intellectual deficit. Absent from the psychological literature and socially marginalized, they are often presented as non-existent. This reflection is nourished by the psychoanalytic clinical experience and by reports of parents that have children born or turned disabled during birth and denounces a type of discrimination.
 
 


ENTREVISTA  
Esta entrevista foi realizada em 15 de novembro de 2014, quando José-Miguel Marinas esteve em São Paulo e proferiu a conferência “O mal-estar na cidade: política e psicanálise”, organizada pelo Departamento de Psicanálise.
 
DEBATE  
DEBATE CLÍNICO  
LEITURAS  
Resenha de Marilucia Melo Meireles,
Os “bobos” em Goiás: enigmas e silêncios, Goiânia: Editora UFG, 2014, 368 p.
 
Resenha de Giorgio Agamben, L’uso dei corpi. Homo Sacer, IV, 2. Vicenza: Neri Pozza Editore, 2014, 366p.
 
Resenha de Mara Selaibe e Andréa Carvalho (orgs.), Psicanálise entrevista, vol. 2,
São Paulo, Estação Liberdade, 2015, 354 p.
 
Resenha de Tania Rivera, O avesso
do imaginário – arte contemporânea e Psicanálise, São Paulo, Cosac Naify, 2013, 432 p.
 
Resenha de Daniela Waldman Teperman, Família, parentalidade e época – um estudo psicanalítico, São Paulo, Escuta, 2014,
219 p.
 
Resenha de Luiz Roberto Monzani, Freud, o movimento de um pensamento, 3. ed., Campinas, Editora da Unicamp, 2015.
 
Resenha de Giovanna Bartucci, Onde tudo acontece – Cultura e psicanálise no século XXI, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2013, 238 p.
 
Resenha de Jassanan Amoroso Dias Pastore, O trágico: Schopenhauer e Freud, São Paulo, Primavera Editorial, 2015, 370 p.
 
 
 

     
Percurso é uma revista semestral de psicanálise, editada em São Paulo pelo Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae desde 1988.
 
Sociedade Civil Percurso
Tel: (11) 3081-4851
assinepercurso@uol.com.br
© Copyright 2011
Todos os direitos reservados