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64
Ter remoto Pensamentos em tempos pandêmicos
ano XXXII - Junho de 2020
163 páginas
capa: Augusto de Campos
  



capa: Augusto de Campos

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PERCURSO DIGITAL  


EDITORIAL  
TEXTOS  
Este artigo propõe a reflexão sobre a prática analítica como uma experiência da palavra que é e continuará sendo um efeito do outro, no sentido imposto pelo próprio uso do falar quando não está efetivamente subordinado a nenhum outro fim além de se fazer escutar por um destinatário cuja presença e escuta sustentam a existência de alguma outra coisa em cada um dos interlocutores e na relação que se estabelece entre eles.
ABSTRACT
This paper proposes a reflection on the analytical practice as an experience of the word that is and will continue to be an effect of the other, in the sense imposed by the very use of speaking, when the latter is not effectively subordinated to any other purpose in addition to being heard by a recipient, whose presence and listening support the existence of something else in each of the interlocutors and in the relationship established between them.
 
Este artigo busca refletir sobre a ação letal da polícia militar em um baile funk em Paraisópolis, em 2019, destacando a continuidade dos padrões mórbidos das relações étnico-raciais no Brasil. O objetivo é problematizar, com base nos aportes teóricos da psicanálise e dos estudos decoloniais, os modelos de civilidade forjados pelos signos da branquitude, como estruturadores das viole?ncias perpetradas pelos agentes do Estado.
ABSTRACT
This article aims at reflecting on the lethal action taken by the military police at the funk dancing party in the Paraisópolis neighborhood in 2019, with emphasis on the continuing morbid patterns of the ethnic/racial relations in Brazil. The goal is the problematization of the civility models that were forged by the signs of whiteness as architect of the violence committed by State government agents, based on the theoretical contribution of psychoanalysis and decolonial studies.
 
Se a pandemia de Covid-19 dá o tom de nossa condição presente, ela é “apenas” o último revelador da falência da civilização moderna. O “mundo desenvolvido” está enfrentando em particular uma virada regressiva sem precedente: o profundo retrocesso político, ético, civilizacional que estamos vendo e vivendo; a destruição do humano em nós. Do interior dessa falência civilizacional, a presente Nota se esforça em projetar uma resposta à questão (beckettiana por excelência): como continuar? Como se orientar no pensamento e na vida doravante, após a ruína da fé no homem, postulada pelos humanismos? Um bom guia: a correspondência entre Freud e Einstein, Por que a guerra? Ela esboça uma anamnese dos pressupostos de todo humanismo. O humano carrega constitutivamente em si “algo” que o excede e que, como tal, não é humano. Esse excesso é ineliminável; ele requer antes um “trabalho”, o “trabalho da cultura, Kulturarbeit”, um “cuidado”, uma “cura” (a cura sui). Freud abre assim a via para o que nos preocupa realmente: um pensamento do após-humanismo. E lá nós reencontraremos o seminário de Lacan consagrado à “Ética da psicanálise”. Esta Nota faz, de passagem, algumas observações sobre a delinquência de Estado que está devastando o Brasil hoje. E deixa a questão: como explicar, numa República, a inacreditável impunidade de um genocida e ecocida notório colocado no cimo do Estado, abertamente envolvido com o crime organizado? O que concluir dessa banalização do mal? E da carência de indignação consequente das forças ditas progressistas? Isso atesta a falta estrutural, nesse “aparelho psíquico” chamado “civilização brasileira”, de um verdadeiro “trabalho da cultura”. E essa falta vai perfeitamente de mãos dadas com a propensão obscurantista e fascizante do neoliberalismo mundial em crise.
ABSTRACT
If the Covid-19 pandemic sets the tone for our present condition, it is “only” the last revelator of the failure of modern civilization. The “developed” world is facing, in particular, an unprecedented regressive turn: the profound political, ethical, civilizational setback that we are seeing and living; the destruction of the human in us. From within this civilizational bankruptcy, this Note strives to project an answer to the question (Beckettian question par excellence): how to continue? How can we orient ourselves in thinking and in life from now on, after the ruin of faith in man, postulated by humanisms? A good guide: the correspondence between Freud and Einstein, Why war? It outlines an anamnesis of the assumptions of all humanism. The human constitutively carries within himself “something” that exceeds him and that, as such, is not human. This excess is inescapable; rather, it requires a “work”, the “work of culture, Kulturarbeit”, a “care”, a “cure” (the cura sui). Freud thus opens the way for what really concerns us: a thought of after-humanism. There, we will find Lacan’s seminar on the “Ethics of psychoanalysis”. This Note makes, by the way, some observations on the State delinquency that is devastating Brazil today. And it leaves the question: how to explain, in a Republic, the unbelievable impunity of a notorious genocide and ecocide placed at the top of the State, openly involved with organized crime? What to conclude from this banality of evil? And the lack of consequent indignation of the so-called progressive forces? This attests to the structural lack, in that “psychic apparatus” called “Brazilian civilization”, of a true “work of culture”. And this lack goes perfectly hand in hand with the obscurantist and fascizating propensity of global neoliberalism in crisis.
 
Alguns daqueles submetidos à crueldade pela violência extrema?– como a de regimes ditatoriais ou pela política de extermínio instituída no Holocausto?–, conseguindo a ela sobreviver, se dispuseram a dar testemunho dessa vivência. Ao dizerem do ocorrido a posteriori, rompem o circuito de silêncio próprio à manutenção da cena cruel. A decisão de testemunhar, inerente ao ato da escritura, garantiria o endereçamento da voz daquele capturado pela cena cruel, desativando mesmo seus efeitos? É o que o presente texto investiga a partir de três testemunhos que tiveram seu registro em suporte livro.
ABSTRACT
Some of those subjected to cruelty by extreme violence?– such as dictatorial regimes or the Holocaust extermination politics?– having managed to survive, were willing to testify to the experience. When conversing about what happened “a posteriori”, they break the circuit of silence which is inherent to the maintenance of the cruel scene. The decision to testify, inherent to the act of writing, would guarantee the addressing of the voice of the one captured by the cruel scene, even disabling its effects? This is what this article investigates from three testimonies that had their record in book support.
 
Na busca de desassociar a clínica em-linha das circunstâncias particulares que a cercam atualmente (pandemia e confinamento social), este artigo retoma o desenvolvimento do atendimento psicanalítico em-linha praticado pela autora antes da migração maciça e compulsória do trabalho clínico. Em diálogo com Winnicott, Birman, Stern e Rodulfo, discutem-se possíveis bases para a sustentação de modalidades em-linha na psicanálise.
ABSTRACT
In an attempt to disassociate online clinical treatment from the particular circumstances that currently surround it (the covid-19 pandemic and resulting social confinement), this article continues the development of online psychoanalytic care as practiced by the author before the mass compulsory migration from in-person clinical work. It establishes a dialogue with Winnicott, Birman, Stern and Rodulfo, discussing possible bases for sustaining online modalities in psychoanalysis.
 
O artigo apresenta alguns conceitos do psicanalista Christopher Bollas que podem ser úteis para a continuidade da reflexão psicanalítica sobre a escuta musical.
ABSTRACT
The article presents some concepts of the psychoanalyst Christopher. Bollas that can be useful for the continuation of psychoanalytic reflection on musical listening.
 
Neste texto busco aproximar a problemática do mal ao campo epistemológico da psicanálise. Para tanto, adoto como base os desenvolvimentos propostos pela psicanalista Nathalie Zaltzman. Seu pensamento, expandindo-se para além da afirmação freudiana sobre a indestrutibilidade do mal, aponta para um paradoxo: o mal persiste justamente por se elidir, mesmo se submetido ao trabalho da cultura.
ABSTRACT
In this text, I attempt to approach the problem of the evil in the epistemological field os psychoanalysis. Therefore, I adopt, as a base, the developments proposed by the psychoanalyst Nathalie Zaltzman on this subject. Her thought, besides the Freudin statement about the indestructibility of the evil, expands itself and points out a paradox: the evil persists exactly by supressing itself, even if submitted to the work of the culture.
 
 


ENTREVISTA  
DEBATE  
DEBATE CLÍNICO  
LEITURAS  
Resenha de Plinio Montagna, Alma migrante, São Paulo, Blucher, 2019, 400 p. Série Escrita Psicanalítica, coordenação Marina Massi.
 
Resenha de Daniel Defoe, Journal of the Plague Year: Illustrated Journal of the Plague Year, Orinda, CA, SeaWolf Press, 2020, 215 p.
 
Resenha de Giovanni Boccaccio, O Decamerão (recurso eletrônico), volumes I e II, tradução Raul de Polillo, introdução Edoardo Bizzarri, 3a ed., Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2018, 926 p.
 
Resenha de Fabio Herrmann, Anotando a China: viagem psicanalítica ao Oriente. Edição crítica de Fernanda Sofio (Org.). São Paulo, Unifesp, 2019, 198 p.
 
Resenha de Sigmund Freud, Manuscrito inédito de 1931, edição bilíngue, São Paulo, Blucher, 2017, 120 p.
 
Resenha de Sérgio Telles, Beatriz Mendes Coroa e Paula Peron (organizadores), Debates clínicos vol. 1, São Paulo, Blucher, 2019, 230 p.
 
Resenha de Luiz Palma, Arte e psique: um poder sem majestade, São Paulo, Escuta, 2019, 168 p.
 
 
 

     
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