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Resumo
O artigo reflete sobre a vergonha e a culpa em relação aos ideais éticos e estéticos que condicionam o masoquismo na estrutura das fantasias. O sentimento inconsciente de vergonha, análogo à culpa, engendra o gozo estético que na relação sujeito-objeto ordena-se conforme as funções do bem e do belo. O fragmento de um caso clínico ilustra o papel da vergonha na relação do sujeito com os outros.


Palavras-chave
masoquismo; vergonha; estética; gozo; fantasia.


Autor(es)
Felipe Lessa da Fonseca
é psicanalista, doutor em Psicologia pela PUCSP e Coordenador de Grupo de Pesquisa no Laboratório de Saúde Mental Coletiva (LASAMEC) da Faculdade de Saúde Pública da USP.


Notas

1 Este problema foi objeto de minha tese de doutorado,
intitulada Refl exões ético-estéticas do
masoquismo: os estilos no gozo e a vergonha inconsciente.

2 J. Birman, Estilo e modernidade em psicanálise,
p. 159.

3 J. Birman, Mal-estar na atualidade, p. 47.

4 S. Freud, El problema económico del masoquismo.

5 A. Eiger, O parentesco fantasmático, p. 71. Com respeito à inscrição
masoquista do sujeito que adoece na família.

6 J. Lacan, "Kant com Sade", p. 780.

7 B. Rosenberg, Masochisme mortifère et masochisme gardien de la vie,
p. 138.

8 J.-P. Sartre, o ser e o nada, ensaio de ontologia fenomenológica,
p. 369, 470 e 471.

9 T. Reik, El masoquismo en el hombre moderno, p. 43 e 206. Sobre
a importância central das fantasias nas disposições masoquistas humanas.

10 F. Lessa da Fonseca, "A censura estética no sonho de Maria", p. 59-67.

11 J. Lacan, op. cit., p. 783.

12 J. Birman, Estilo e Modernidade em Psicanálise, p. 12.

13 J. Lacan, "A subversão do sujeito e a dialética do desejo no inconsciente
freudiano", Escritos, op. cit., p. 822 e 831.

14 J. Lacan, "A função do Belo", p. 998.

15 G. Debord, A sociedade do espetáculo. Com respeito ao exibicionismo
e ao sensacionalismo contemporâneos, os quais refl etem a liberdade
do gozo nos ideais éticos e estéticos na cultura de hoje.



Referências bibliográficas

Birman J. (1997). Estilo e modernidade em psicanálise. São Paulo: Ed 34.

_____. (1999). Mal-estar na atualidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Darwin C. (2000). A expressão das emoções nos homens e nos animais. São Paulo:
Companhia das Letras.

Debord G. (1997). A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto.

Eiger A. (1995). O parentesco fantasmático. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Fonseca F. L. (2000). A censura estética no sonho de Maria. Percurso, n. 25, São
Paulo, p. 59-67.

_____. (2004). Refl exões ético-estéticas do masoquismo: os estilos no gozo e a vergonha
inconsciente. Tese de Doutorado. São Paulo, Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo.

Freud S. (1981-1919). El problema economico del masoquismo. Obras Completas.
Madri: Biblio. Nueva, Tomo iii.

Lacan J. (1962 1998). Kant com Sade, In Escritos. Rio de Janeiro: Zahar.

_____. (1998). A subversão do sujeito e a dialética do desejo no inconsciente
freudiano. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar.

_____. (1991). A função do Belo. In: O Seminário, A Ética da psicanálise. Rio de
Janeiro: Zahar.

Rosenberg B. (1991). Masochisme mortifère et masochisme gardien de la vie. Paris:
Press Universitaires de France.

Reik T. (1948-1949). El masoquismo en el hombre moderno. Buenos Aires: Editorial
Nova.

Sartre J-P. (1997). O ser e o nada, ensaio de ontologia fenomenológica. Petrópolis:
Vozes.





Abstract
Shame and guilt are discussed in this paper, insofar as they are related to the aesthetic and ethic ideals that link masochism to some uncounscious fantasies. The unconscious feeling of shame, analogous to its more known counterpart on the side of guilt, produces aesthetic jouissance, which is related to the concepts of “good” and of “beautiful”. A clinical fragment illustrates the role of shame in the relationship between the subject and others.


Keywords
masochism; shame; Aesthetics; jouissance; fantasy.

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 TEXTO

Masoquismo estético nos sujeitos

A vergonha inconsciente


Aesthetic masochism in subjects
The unconscious shame
Felipe Lessa da Fonseca

Não é o simples fato de refl etir sobre a própria aparência que provoca o rubor, mas sim pensar sobre o que os outros pensam de nós. […] Não é a sensação de culpa que cora o rosto, mas sim a ideia de que outros pensam ou sabem que somos culpados. [C. Darwin, A expressão das emoções nos homens e nos animais]

O masoquismo estético

Falar de um masoquismo estético é mais que um exercício de apresentação da estética do masoquismo. Não basta fazermos uma descrição estética ou fenomenológica da experiência do masoquista moral para compreendermos o que acontece ao ser humano que, podendo sempre ser um sujeito ético e estético, muitas vezes coloca-se contra si. De um ponto de vista psicanalítico, o sujeito está irremediavelmente ligado aos outros, aos objetos, às faltas e às angústias, à fantasia, ao gozo e à indestrutibilidade de sua pulsão, que são todos elementos relativos ao problema ético-estético do masoquismo na constituição do sujeito [1]. Assim, buscaremos mostrar que falar de um masoquismo estético é falar de aspectos do processo pelo qual, através fantasia, a culpa e a vergonha articulam respectivamente os dispositivos morais e estéticos de formação do estilo de ser do sujeito [2].

A repetição de determinadas formas de prazer e de gozo denota certa disposição masoquista que, como observou Birman [3], acompanha a maior parte das estruturas psicopatológicas. Durante a análise, o espectro das fantasias do paciente pode revelar a repetitividade de algumas de suas formas particulares de gozo, repetitividade que marca fortemente o estilo de ser do sujeito. Quando um sujeito envolve-se novamente com pessoas que o destratam, quando repete uma escolha conhecida e desagradável, ou simplesmente quando a pulsão reincide nos objetos que já lhe causaram mal-estar – mas cuja percepção formal ou o ritmo dos acontecimentos o seduzem – temos uma cilada ético-estética do tipo masoquista que parece fazer parte do desenho de muitas das fantasias humanas.

Freud (1924) [4] observou que o reinvestimento nos objetos parentais proibidos ressexualiza a moral, reativando sentimentos inconscientes de culpa como necessidade de castigo e, portanto, esse reenvestimento está no centro do problema ético e moral do masoquismo. Considerando que os primeiros objetos de desejo do sujeito são as figuras parentais, o estilo de suas relações de alteridade vê-se marcado desde cedo por seus sentimentos edípicos. Estes podem inspirar os ideais e as ambições do sujeito, levando-o a realizações socialmente interessantes, ou podem, também, prendê-lo a um circuito de fantasias mais ou menos dolorosas, mais ou menos autodestrutivas. De acordo com Freud, ao re-erotizar relações parentais, à moda de experiências que já foram confl ituosas na primeira infância, o sujeito reinveste em seus ideais (morais e formais) e goza ao reativar sentimentos penosos de castigo e culpa que permanecem inconscientes, mas que, quando adulto, levam-no a repetir-se em discretas formas de sujeição masoquista em relação aos outros.

No drama concreto de suas relações objetais, a aceitação dessa forma de viver, na qual as possibilidades do gozo são ditadas pelas repetições em relação aos outros, convulsiona a articulação das preferências estéticas às inclinações éticas do sujeito, o que acontece de modo mais signifi cativo em suas vidas familiares. A história e a dinâmica de uma família determinam o lugar do doente, do bode expiatório e do masoquista, conforme as posições de cada um, sobretudo, tendo em vista a força dos mais velhos, em particular, da mãe e do pai na trama emocional do sujeito [5]. Nesse sentido, a fi gura do Édipo representa o confl ito e a pluralidade dos paradigmas ético-estéticos mais familiares, ou mais estranhos, de que o sujeito dispõe para lidar com seu sofrimento e para gozar na vida e na cultura.

O que nos interessa observar aqui é que a complexidade da experiência edípica tem na culpa e na vergonha os argumentos que dão sentido ao problema ético-moral e estético do masoquismo nos sujeitos. São os laços e os nós familiares que no centro da trama de fantasias costuram as diferentes formas e estilos de ser. As culpas relacionadas aos imperativos éticos e as vergonhas derivadas dos imperativos estéticos oferecem os argumentos para a novela, a tragédia, o horror, a sátira ou a comédia possíveis frente às emoções da história de cada um, mesmo que estas lhe pareçam banais, sem graça ou uma ladainha.

O gozo estético masoquista

O gozo estético aqui não se restringe ao prazer da fruição artística, mas faz parte de toda relação sujeito/objeto e pode ser estudado junto a uma importante, embora triste, faceta constitutiva do ser humano que reverte o mal e o horror contra si. O interesse clínico nos faz voltar a atenção para essa característica autodestrutiva da experiência estética, e ética, da autocensura, da autocastração, da violência sutil contra si, do prazer nas tensões corporais e sociais, e do gozo na carência. A insistência da pulsão de morte é o motor dessa tendência masoquista, que não permite à razão decidir sobre o valor de seu prazer, não podendo fazê-lo independentemente da consciência do direito dos outros que ela conhece. Por isso, o sujeito pode gozar inconscientemente ao identifi car-se com o agredido e, angustiado, sonhar com o agressor, ou ao contrário. É no afã de sua fantasia e no circuito do desejo que o paciente submete-se ao desejo do outro, cedendo, ou não, ao imperativo da entrega submissa ao direito de gozo do outro que, como diz Lacan, declara: “exercerei esse direito sem que nenhum limite me detenha no capricho das extorsões que me dê gosto de nele saciar” [6].

Oferecendo toda liberdade ao outro, como se esse direito de gozo tivesse validade universal, o sujeito entrega-se à vulnerabilidade e à própria fragilidade, colocando-se em posição de fruir do gozo masoquista. O sujeito idealiza a obediência pura na qual espera encontrar o complemento sádico de suas fantasias em alguém que lhe ordene, inclusive sobre o que fazer de seu corpo. O prazer narcísico frente aos outros, aos objetos e ao mundo é atravessado pelas formas refl exivas da autoagressividade, da autodepreciação e da baixa autoestima, o que em todos os casos está sempre determinado pelas exigências da castração, da falta e da falha. Para trabalhar esse prazer herdeiro de um romantismo nostálgico, para deslindarmos o sujeito da estética melancólica da perda, da ruminação culposa ou da autoimagem comiserada é necessária a análise do modo como as principais fantasias sustentam o gozo estético do paciente. Analisando os sutis constrangimentos na transferência, podem-se reconhecer discretos prazeres inconscientes capazes de ferir a vaidade e a integridade do paciente que sustenta seu estilo de ser diante do analista. Desvencilhar-se dos impasses gerados pelo masoquismo estético, e ético, aponta para uma direção no tratamento, aponta para os desembaraços imaginários e para elaboração simbólica de estilo de ser do sujeito.

Falar de aspectos primários do masoquismo estético pode facilmente tornar-se incômodo, quando não perigoso. Deve-se evitar mal-entendidos. O masoquismo estético não é um ideal, pois não é algo interessante em si, ele é um fato da vida humana, fato que se apresenta de diversas formas e que exerce uma atração mórbida sobre as pessoas. Mesmo o masoquismo guardião da vida, de que fala Benno Rosenberg, como “uma dimensão masoquista da existência humana” [7], sabemos, é uma estratégia defensiva e fundamental para sobrevivência psíquica, mas que se pode tornar mortífera, por exemplo, ao impedir a conclusão do luto e alimentar a melancolia, ou ao levar o sujeito à repetição sintomática de preferências desagradáveis e prejudiciais sobre as quais às vezes exclama: “eu sou assim, sempre fui, o que vou fazer!?”. O masoquismo e o masoquismo estético são uma condição do humano, uma contingência da sua forma de sofrer, uma condição bem reconhecida pela psicanálise, e que já conta com algumas boas observações no campo filosófico.

No masoquismo, a crença de que a angústia poderia dissipar-se nos outros leva o sujeito a submeter sua subjetividade à subjetividade de um outro e, nesse encontro, o ridículo de tornar- se apenas objeto do desejo do outro tem lugar na experiência de vergonha que acontece nos jogos de olhar. A “vergonha pura”, segundo Sartre, é o sentimento “de ser um objeto, ou seja, de reconhecer-me neste ser degradado, dependente e determinado que sou para o outro”. Ao fundar sua subjetividade na subjetividade do outro, o masoquista nega sua liberdade e recusa-se “a ser mais do que objeto”, fazendo-se “objeto de desejo na vergonha”. Isso pode ser notado no discurso de muitos pacientes que, siderados por seus próprios destinos, revelam as humilhações muitas vezes patéticas pelas quais desejam o olhar amoroso dos outros. Ao ser-objeto, sendo-o aos olhos do outro, faço-me um objeto ridículo, um objeto obsceno, mas antes de buscar fascinar o outro, nas palavras de Sartre, “o masoquismo é uma tentativa […] de fazer com que eu mesmo me fascine por minha objetividade-Para-outro, ou seja, fazer com que eu me constitua em objeto pelo outro”, fazendo com que minha subjetividade apresente-se como um nada para a vertigem dos olhares [8].

A esta tentativa de fascinar-se por seu euobjeto sucumbido se junta o sadismo-voyeurista que se volta contra o sujeito, incrementando seu gozo graças ao olhar que ele imagina pairar sobre si ao fazer-se objeto do desejo do outro. O gozo ético-estético dos sujeitos, portanto, articula- se nessa conjunção sujeito/objeto, onde o sujeito subverte-se e goza ao apresentarse como objeto para si e para o outro, mesmo quando esse outro é apenas um sujeito imaginário ou simbólico. A vaidade, o orgulho e a honra narcísica facilmente deslocam-se para seus contrários. Basta o sujeito supor o olhar do outro como representante do desdém, do desgosto ou de algum tipo reprovação, para que possa fruir a vergonha como um castigo estético masoquista. Em termos mais freudianos, a severidade sádica e a vigilância voyeurista do Supereu, ao tratar o Eu masoquista e exibicionista como objeto, opera em função de ideais éticos e estéticos que, ao balizarem a produção da consciência moral e do senso estético, exigem que a culpa, o desprezo e a vergonha povoem as fantasias e as formas de o sujeito representar-se frente aos outros, ao mundo e à vida.

As formas do masoquismo

O problema psicanalítico do masoquismo, como indicou Freud, é um problema de economia libidinal que leva à questão sobre como é possível o prazer na tensão, a qual pode desdobrar-se em perguntas sobre como é possível a realização de desejos nos pesadelos, ou ainda, como é possível o investimento nos sintomas? Junto ao problema econômico, questões sobre a dinâmica do masoquismo implicam também o problema da classifi cação das formas possíveis do fenômeno masoquista. Freud distinguiu claramente três formas de masoquismo, que chamou de masoquismo feminino, masoquismo moral e masoquismo erógeno.

O masoquismo feminino caracteriza-se pelas fantasias de castração mais próximas à histeria, enfatizando a dimensão fantasmática e imaginária de ser-castrado – o que determina a posição feminina na cena edípica. O masoquismo moral caracteriza-se pela repetição culpada e compulsiva mais comum nos obsessivos, onde operam a culpa e a necessidade inconsciente de castigo – o que nos faria pensar na posição masculina, na dinâmica do menino que deseja sua mãe. E o masoquismo erógeno caracterizase pelo prazer que surge ligado à capacidade de erogeneidade dos tecidos e ao prazer na dor corporal – o qual se torna mais imperativo e intenso nas perversões.

O caráter primário do masoquismo erógeno nos serve para pensar fenômenos simples como as cócegas, as coceiras e os arrepios, e também ajuda a entender as tensões das preliminares sexuais que operam nos limites do princípio de prazer. Ajudam também a esclarecer como as práticas sexuais do tipo sadomasoquista que, na otimização do prazer na dor física, quase escapam à economia libidinal e terminam por sofi sticar-se secundariamente em jogos de humilhação e dominação como formas de controle gozoso dos outros. Porém, o prazer na humilhação e na vergonha, na submissão, no fracasso ou na castração existe também tanto no masoquismo moral quanto no masoquismo feminino. A semelhança da experiência subjetiva entre as fantasias de castração e as necessidades inconscientes de castigo sugere que, nos dois casos, o gozo masoquista do sujeito esteja estreitamente vinculado à fantasia que organiza o estilo de ser dos sujeitos [9]. A culpa, a vergonha, a inveja, o medo, a fraude e o ridículo, sempre em relação a alguém, recheiam os sonhos e as fantasias dos sujeitos que buscam controlar o gozo e a angústia, levando homens e mulheres às compulsões agourentas, aos castigos perversos e às castrações nas fantasias.

Hoje estamos facilmente dispostos a reconhecer aspectos masoquistas da compulsividade obsessiva masculina. A insistência do cabeça dura, a perseverança cega, a repetitividade de gestos inúteis e de escolhas sabidamente piores, as teimosias, as cismas e implicâncias desgastantes, tudo isso parece dizer respeito a um embrutecimento do desejo, tantas vezes assim fi gurado entre os homens, que se repete na mesma forma de gozar. O sadismo masculino parece sofrer um efeito ricochete. As fantasias infantis sobre a perfeição e onipotência paterna ecoam entre os sentimentos ligados à masculinidade, contudo, hoje em dia, visto o destaque profissional e financeiro das mulheres, convivemos mais comumente com a troca de posições.

Seja como for, para homens e mulheres, o ressentimento da impotência e a desonra da imperfeição prestam-se para sustentar exigências inconscientes que os penitenciam na vergonha culposa de suas insuficiências. A ficção fálica da onipotência amarra compulsivamente os sujeitos às suas fantasias e aos seus sintomas. Temerário quanto ao sentido do gozo que vive consigo e com o outro, o sujeito vê-se levado a repetir pensamentos, rituais e cenas (de expiação e alívio), perdendo-se em suas preferências e pretensões, sempre inspiradas no valor simbólico da castração. Por essa razão, ainda que pudéssemos falar de um masoquismo masculino (ligado à insistência ou à repetição do pior), acreditamos que a polêmica noção freudiana do masoquismo feminino possa ser mais bem esclarecida se falarmos de um de masoquismo estético.

Ao tomar-se por objeto de fascínio e de uso do outro, o sujeito simultaneamente submetese ao olhar e ao discurso que veiculam os sentidos da castração e da interdição do gozo. Uma vez que o sentimento de submissão permanece inconsciente na maior parte do tempo, a vergonha e a culpa engendradas pelo olhar e a fala do outro só podem ser claramente reconhecidas quando analisamos a fantasia de castração em sua competência sádica e imaginária, e, portanto, na constituição do masoquismo feminino. Ao nos aproximarmos dessas fantasias vemos como as humilhações e as vergonhas a que o sujeito se submete inconscientemente, particularmente como formas da fantasia de castração (o horror e o vexame da castração) apontam para sentimentos que poderíamos chamar de estéticos, e simultaneamente apontam para elementos ligados ao feminino. Aqui poderíamos explorar mais as sintonias entre os lugares da mulher, da vergonha e da estética, porém, para não identifi carmos o masoquismo estético ao masoquismo feminino, apenas lembramos que também nos homens a experiência estética da vergonha, da vaidade e do desgosto acontece inconscientemente, articulando formas de castigo e castração.

A falta do ser-castrado alude à feminilidade, mas não se furta à virulência da interdição estética que gera fantasias, assim como a intensifi cação da condenação moral também gera fantasias e, entre ambiguidades e ambivalências, reencontramos em ambas o pudor e a culpabilidade. As muitas fi gurações simbólicas e imaginárias da castração e da falta, mesmo em suas versões mais sofi sticadas do ponto de vista plástico, nos sonhos e nos devaneios, produzem a angústia e o mal-estar como formas de repreensões e castigos. Assim, uma vez que as estratégias do masoquismo dependem da representabilidade das fantasias, toda fi cção envolvida na elaboração da angústia da castração e da falta implica a severidade da autocensura na modulação do masoquismo, fazendo dos estilos no gozo da vergonha a contraface estética da culpa no masoquismo moral.

O fantasma da castração encontra representabilidade nos sonhos e no interstício de muitos pensamentos que o sujeito estabelece sobre si e sobre sua própria vida. O masoquismo moral (que tem um sentido ético) foi assim designado por Freud, pois engendra para o sujeito o problema ético da censura moral, e com ele o da culpa como necessidade inconsciente do castigo em relação aos outros e à cultura. O masoquismo estético não é muito diferente, pois engendra mais de perto o problema da censura estética, a qual implica a vergonha como necessidade inconsciente de castigo em relação aos outros e à cultura. Em outro artigo, apontei para a ideia de que a censura estética articula as condições de representabilidade nos pesadelos, insistindo no caráter crítico e punitivo dos ideais como interdições estéticas [10].

No que diz respeito à vaidade e ao orgulho, parafraseando Freud em Introdução ao narcisismo, o narcisismo da criança pequena, do artista famoso e da mulher bonita são o modelo da onipotência que disfarça o pejo e a vergonha da dependência e da sujeição ao desejo do outro. Para o Eu, flagrar-se no engano sobre a admiração do outro pode ser uma experiência na qual o sujeito sinta-se ridículo e vulnerável, pois os ideais do Eu que instantes antes alimentavam suas vaidades, de súbito, o condenam no flagrante do desprezo do Outro, na vergonhosa condição de objeto risível, feio ou grotesco. No narcisismo, os imperativos estéticos da subjetividade mobilizam consciente e inconscientemente as pulsões do sujeito, ordenando seus sonhos, suas fantasias, seus planos e suas práticas. Muitos chegam a gastar dias inteiros em ginásticas localizadas, clínicas de estética, cabeleireiros, sapatos apertados e tantos outros sacrifícios estéticos que, para além da saúde, visam ao olhar dos outros. Uma história do sofrimento estético poderia ser feita, talvez principalmente em relação à mulher, mas certamente tal história revelaria importantes elementos éticos do masoquismo nas fantasias humanas em geral.

O perfil ético-estético da fantasia

Nas mulheres e nos homens, o espectro de fantasias que envolvem a vergonha, a culpa, a inveja e o medo frente ao desejo e ao olhar do outro determina as possibilidades de cada um constituir seu estilo de ser, representar a si, a sua vida e ao mundo. Nas “conjunturas do ser entre dois, o despudor de um constitui por si só a violação do pudor do outro” [11], diz Lacan. As fantasias de castração, os sentimentos de impotência narcísica, a necessidade de castigo ou os sentimentos inconscientes de vergonha e de culpa são fi cções emocionais e autocríticas que participam da estrutura dos sujeitos, em relação à perda, à falta e à angústia de um modo geral. A tolerância ao desamparo e ao desgosto oscila frente ao outro; em certo momento, tudo pode parecer feio e ruim, e em outro momento os mesmos objetos são considerados bons e belos. O imaginário narcísico em torno dos polos mulher/ homem, castrado/não castrado, passivo/ativo, masoquista/sádico também oscila conforme a presunção mais ou menos desavergonhada dos outros dispare as produções inconscientes do próprio sujeito; em todo caso, o que é real nas muitas dualidades em jogo só pode ser tratado em seus registros estéticos e éticos. Desse modo, se o despudor de um viola o pudor do outro, a delicadeza ético-estética do trabalho de análise pede especial cuidado quando tratamos as vergonhas (e as culpas), as percepções e as fantasias que interagem no encontro de dois, como condição básica para fomentar as possibilidades de elaboração e simbolização da experiência subjetiva e do sofrimento dos pacientes.

O belo e o bem já foram desidealizados pela psicanálise. Não existem ideais unívocos de beleza ou de bondade que orientem a cura no trabalho psicanalítico. Ainda bem, pois, se não pudéssemos saber o quanto há de imaginário em nossas éticas e em nossas estéticas, correríamos o risco de, arrogantes e embrutecidos tentarmos dizer qual é a verdade fi nal sobre a felicidade e o prazer das mulheres e dos homens. Porém, se pudermos rumar por fora da ilusão e da prepotência da lógica infantil do “ser ou não ser castrado”, então, poderemos analisar e articular os diferentes aspectos éticos e estéticos que arranjam nossas vidas, nos implicando em nossas escolhas e em nossas fantasias atuais. Nessa perspectiva, a análise das fantasias mais poderosas do sujeito em relação aos outros deve favorecer as mudanças, ou, para usar as expressões de Birman, deve facilitar a “criação de condições de possibilidade” para a “constituição de um estilo para o sujeito”, e para implicação dele em seu “estilo de ser” [12].

Na análise da fantasia, do sintoma ou de qualquer forma de representação da vida amorosa, social e existencial do sujeito, a habilidade no desembaraço das culpas e das vergonhas propicia condições para a implicação do sujeito em suas formas de gozar, favorecendo com isso o esforço analítico de elaboração do estilo de sofrimento do paciente. O que muitas vezes difi - culta esse trabalho é a rigidez dos ideais éticos e estéticos que determinam a vergonha, a culpa e tantos outros sentimentos congêneres do paciente e do analista. Esse emaranhado estético- moral da transferência pode ser mais bem estudado quando atentamos para o modo pelo qual o sujeito deseja os objetos de sua vida confi gurando seu estilo singular, marcado pela repetição de suas formas de gozo na fantasia e na realidade. Aqui gostaríamos de valer-nos de parte do grafo lacaniano do desejo e da fantasia para ilustrar a questão do gozo estético masoquista na relação sujeito/objeto [13]. O esquema, que muitas vezes parece bastante complexo, em uma versão simplifi cada nos ajudará a situar a vergonha inconsciente na estrutura dos sujeitos. Indicaremos seus elementos básicos e juntaremos a eles algumas observações.

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O sujeito S, o Outro (Autre) A, o objeto a e o eu imaginário ou ideal do eu i(a) compõem os eixos principais do circuito do desejo na criação da fantasia. Entre o sujeito e o objeto, o outro participa da formação dos ideais do eu e da fantasia movida pela pulsão e pelo desejo. Poderíamos dizer que os ideais do eu, i(a), são objetos éticos e estéticos nos quais o sujeito se reconhece imaginariamente; ao considerá-los bons ou belos o sujeito identifi ca-se a eles e os deseja. O Outro, A, para além da condição imaginária do objeto percebido em sua singularidade, possibilita a representação simbólica da condição de alteridade dos demais sujeitos e do mundo, disponibilizando ideais para o eu, i (A). Esse circuito pulsional é atravessado pela linguagem que, ao regular as condições de representabilidade na fantasia e no discurso do paciente, articula- se ao valor simbólico da castração, arranjando as formas de gozo de cada um junto aos objetos mais ou menos imaginários e sempre substituíveis. Nesse ponto, o esquema completo de Lacan privilegia o corte da linguagem, implicando uma lógica (algorítmica) dos signifi cantes, porém, para nosso trabalho agora, importa situar os olhares no gráfi co da fantasia – que estrutura o sentido das representações do sujeito –, indicando o lugar das vergonhas junto às culpas no circuito do desejo, próximas às castrações que, em relação aos objetos (bens e belezas), qualifi - cam o gozo do sujeito.

No esquema simplificado que desenhamos, em respeito às exigências de representabilidade e às possibilidades simbólicas do psiquismo, os olhares e as falas traçam o perfi l das disposições estéticas e éticas que o sujeito irá representar para si. Essas disposições se articulam na relação entre o desejo e o objeto, entre um sujeito e os outros sujeitos, sendo todos barrados pela linguagem. Mas o que queremos frisar aqui é sobretudo o fato de o gozo no circuito do desejo implicar aquilo que o sujeito pode mostrar e ver (e falar e ouvir) e que, conforme se mostram e são vistos, os sujeitos usam a linguagem para signifi car o bonito, o feio, o bom ou o ruim para si e/ou para os outros.

Lembrar aqui a pulsão parcial ligada ao desejo de olhar (pulsão escópica) nos serve para enfatizar a dimensão visual e formal da experiência estética da fantasia que exibe o desejo do sujeito. De tal modo que, na realidade ou na fantasia, o desejo de ver e ser visto regula-se por uma interdição escópica, bastando a suposição do olhar do outro para que a vergonha possa engendrar- se inconscientemente. Não obstante, o sujeito recalca, sublima, idealiza, erotiza e fantasia com maior ou menor intensidade e frequência, dependendo do confl ito estabelecido no conjunto de seus circuitos pulsionais com seus diferentes objetos. Por meio dos olhares, das falas, das sensações, dos sonhos, das preferências etc. os sujeitos exibem seus estilos de ser frente ao outro e, sempre circulando nos registros éticos e estéticos, mostram-se nos gestos, nas escolhas, nas fantasias e nos silêncios mais ou menos articulados em algum tipo de equilíbrio ou arranjo mais ou menos singular de seus estilos.

A vergonha estética inconsciente

As possibilidades de o sujeito recriar seu estilo de ser, ou de decidir sobre suas formas de gozar junto aos outros e ao mundo, A, dependem do modo como ele vê e ouve seus familiares, seus amigos, professores etc. – que logo se constituem como ideais do sujeito i(a). Também a maneira como se sente visto e ouvido está marcada pelas muitas reações e percepções frente às suas condições materiais de existência, e pela circunstância indizível do real nas coisas e nos corpos com os quais convive. As vergonhas e as culpas engendradas pelas experiências sensíveis adquirem sentidos conforme as características da relação do sujeito com os outros e com o mundo. Entre eu e o outro, outro cujos desejos e olhares infl uenciam meu modo de ser, confi gura-se o campo ético-estético do desejo, ou, em termos lacanianos, entre o desejo e o objeto operam a função do bem e a função do belo [14]. O destino que damos a um bem feito ou oferecido para alguém, dada a ambiguidade semântica e econômica que se pode atribuir à ideia de bem e de bom, funciona como um operador ético. Ao mesmo tempo, a fulgurância da beleza no real da natureza – dos corpos, da pulsão, da mãe, ou do que se imagine sobre o em si das coisas – funciona como o operador estético.

A função do belo não determina um ideal verdadeiro e universal, mas a condição sensível de todas as coisas e o modo de funcionamento da experiência estética na relação do sujeito com as coisas. Recriado pelo sujeito que o vê e o usa, o objeto é contornado pelo desejo que visa a uma verdade possível e a enuncia como bela ou agradável, ou não. Assim, inspirado em precoces experiências singulares de beleza e de bondade, de feiura e de maldade, os sujeitos operam ideais capazes de inculcarlhes de modo masoquista a vergonha e a culpa. No entrecortado de olhares e falas, o fascínio que o sujeito sente por si ao fazer-se de objeto do desejo do outro – e o encantamento na exposição servil do próprio corpo – firma o teor ficcional, estético e ético no qual funcionam os ideais narcísicos próprios às formas de representação de si, do outro e das coisas, bem como à conformação de o estilo particular do sujeito ser, sonhar, falar etc.

A relação do sujeito com o objeto vê-se atravessada pelas formas dos ideais éticos e estéticos que estão no cerne da formação do Eu. As formas dos ideais em cada cultura impõem diferentes modelos e limites para as aparições e exortações narcísicas, de tal modo que variam muito as formas de inibição, timidez e modéstia que participam da formação do sujeito. Os modelos éticos e estéticos contemporâneos sugerem que todos os sujeitos devam sentir-se o máximo, como vencedores vistos por todos, causando sensações num espetáculo exibicionista no qual devem gozar com total liberdade [15]. Entretanto, a interdição estética do gozo continua a refl etir a crítica social da família, da religião e da cultura na qual, de modo mais ou menos inconsciente o sujeito deseja, ama, ambiciona, ou não, culpabiliza- se, envergonha-se e censura-se junto aos outros. Enfim, o espectro dos objetos a, i(a), i(A) e A que povoam a vida psíquica do paciente, e ao operar as funções do bem e do belo dão as coordenadas da construção das fantasias mais importantes na constituição do sujeito. Um irmão sempre descontente com os pais, quando adulto, diz: “sempre, sempre ganho menos”; pode-se ouvir uma executiva solteira dizer: “a vida toda pensei que eu fosse meio solitária”, um sujeito que reclama de detalhes de seu relacionamento gosta de dizer; “sou completamente dependente dessas coisas…”, ou um adolescente em confl ito com sua virgindade diz: “até parece que qualquer um pode fazer tudo melhor que eu”; todas são falas nas quais ecoa a castração, dirigindo-se a alguém maior do que o sujeito, a quem ele sucumbe imaginariamente em algum gozo trágico, funesto ou simplesmente fabuloso conforme seu estilo pessoal.

Discursos desse tipo, um tanto abrangentes e sombrios, ou qualquer fala ligada a um sentido agourento da fantasia do sujeito, com ares de predestinação, precisam ser analisados. Podese analisar a relação do sujeito consigo, com os objetos e os outros, e, via de regra, o que é bom ou bonito, ruim ou feio para ele nos revelará traços de prazeres familiares, e/ou estranhos, que de modo mais ou menos masoquista fadam-no a seus sintomas. É comum que o sujeito se perca ao falar repetidamente de assuntos tão pouco construtivos ou interessantes para ele mesmo, mas aos quais ele está fortemente identificado. São suas antigas formas de gozo junto aos outros, formas que desde suas primeiras impressões parentais desenham o estilo do sujeito, são como fragmentos de história repetindo-se e prendendo o sujeito a suas ciladas autodestrutivas.

Uma jovem enfermeira com difi culdades alimentares e com inúmeras restrições em sua vida social, falando muito durante a análise, por mais de uma vez exclama: “sempre fui meio nojentinha, quero dizer, meio fresquinha mesmo, qual é o problema?”. Terminara a faculdade e decidira- se a não trabalhar com enfermagem, vivia incontáveis constrangimentos sociais e afastara- se de suas amigas. Não mantinha qualquer relacionamento amoroso embora o desejasse e, invariavelmente, experimentava ascos por comidas que não fossem de sua casa.

A repulsa alimentar e social refl etia as difi culdades de a paciente estabelecer-se como adulta em sua casa e fora dela, visto que os confl itos entre seus pais permaneciam os mesmos desde o início de sua adolescência; parecia quase impossível para ela ver qualquer beleza ou encantamento fora do circuito do amor e ódio parentais. A ambivalência gerada pelo confl ito familiar levou-a a sobrepor a repulsa aos objetos de desejo, desde a, comidas, homens e amigas, que adquiriam sentido e valor enquanto Outros, A, e que por meio de Ideais retorcidos, i(A), impingiu a si mesma um estilo marcado pela repetição do gozo nas frescuras, no asco e na timidez. Neste ponto importa sublinhar que o orgulho e o fascínio por seu próprio estilo de ser, “meio fresquinha”, insufl ado por suas fantasias em relação ao olhar dos outros, articulavase aos sintomas de constrangimento e retração social, disfarçando a vergonha que ela inconscientemente sentia por suas escolhas familiares, amorosas e profi ssionais. Em seu orgulho asséptico, seus embaraços junto aos outros não lhe permitiam operar com maior liberdade a função do belo, pois o bordejar de seus desejos sobre os objetos não lhe permitia fruir do brilho das baladas sociais, das comidas mais elaboradas, ou de qualquer encantamento que não fosse com sua própria intimidade envergonhada.

O reinvestimento inconsciente nas fi guras do bom pai protetor em confl ito com a boa mãe nutriz reativava sentimentos antigos difíceis de nomear, mas que lhe causavam vergonhas inadmissíveis, exceto sob a forma repetitiva do desgosto e do nojo que se manifestavam como sintomas aparentemente vinculados apenas a seus confl itos atuais. Entretanto, a paciente seguiu confi ante analisando a confusão emocional de suas fantasias, onde se misturavam o nojo e o orgulho, a vergonha e a vaidade, a indignação e o desprezo, o medo e a raiva… E, depois de investigarmos por um ano e meio seus diferentes receios e constrangimentos familiares um tanto repetidos desde a puberdade, conhecendo melhor suas autocensuras a paciente tornou mais relativas suas convicções repulsivas e suas opiniões desabonadoras sobre suas possibilidades sociais. Adiante ela retomou várias amizades, fez-se mais magra e vaidosa, arriscou-se em um namoro e, agora, apenas esporadicamente procura a análise.

É surpreendente a difi culdade do homem em saber como ele se destrói. Contudo, a análise dos elementos repetidos na história pessoal do sujeito, uma vez que leve em conta os aspectos repetitivos do gozo em suas fantasias, pode favorecer as condições para ele perguntar-se sobre como reajustar a intensidade, o ritmo e a forma de lidar com os impasses de seus prazeres. Nossas piores fantasias alimentam-se da exigência sensacional de um brilho narcísico cuja marca geral de estilo supõe um gozo feliz e vistoso, mas que tem como correspondente negativo, quase sempre inconsciente, o escândalo do vexame, o anúncio da falência e o adoecimento do sujeito da fantasia. Em síntese, ao trabalharmos o já acostumado estilo do paciente ao gozar – na estrutura própria a seu masoquismo estético ancorado nos sentimentos inconscientes de vergonha e de culpa – buscamos alguma mudança na posição do sujeito e na sustentação de seu estilo de ser.

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