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Resumo
Este artigo apresenta as primeiras observações de uma pesquisa extensa sediada na Universidade de Gdansk (Polônia) envolvendo quatro países diferentes (Polônia, Brasil, Itália e Finlândia) e que se detém sobre a coleção de sonhos de ex-prisioneiros de Auschwitz já no pós-guerra. Apresenta uma breve interpretação e diálogo com um dos conteúdos que se repetem em muitos sonhos de ex-prisioneiros: os cães dos campos de concentração.


Palavras-chave
psicanálise; Auschwitz; campos de concentração; sonhos.


Autor(es)
Paulo Endo


Abstract
This article presents the first observations of an extensive research based in the University of Gdansk (Poland) involving four different countries (Poland, Brazil, Italy and Finland) and that focuses on the collection of dreams of ex-prisoners of Auschwitz already in the post-war. It presents a brief interpretation and dialogue with one of the contents that are repeated in many dreams of ex-prisoners: the dogs of the concentration camps.


Keywords
Keywords psychoanalysis; Auschwitz; concentration camps; dreams.

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 TEXTO

O arquivo de sonhos de ex-prisioneiros de Auschwitz do Museu-Memorial Auschwitz-Birkenau

The dreams archive of Auschwitz ex-prisoners from the Auschwitz-Birkenau Memorial Museum
Paulo Endo

Nós sonhamos com as noites ferozes
Sonhos densos e violentos
Sonhei com alma e corpo:
Retorno; comer; contar.
Contanto que soasse baixinho
O comando do amanhecer
"Wstawac" ;
E ele quebrou seu coração em seu peito.
Agora encontramos a casa,
Nossa barriga está cheia
Nós terminamos de contar.
Está na hora.
Em breve vamos ouvir de novo
O comando estrangeiro:
"Wstawac."

Em artigo publicado em 2016, Owczarski, examinando os sonhos de ex-prisioneiros de Auschwitz, cunhou três modalidades de sonhos denominados por ele de sonhos de autocuidado ou cuidados de si (caring dreams), sonhos de liberdade (freedom dreams) e sonhos metafóricos (metaphorical dreams), repletos de ideias e figuras indecifráveis e cujo significado do conteúdo é restituído pela interpretação do próprio sonhador. Nesse acervo, contudo, os pesadelos são a grande maioria.


A despeito dos sonhos de horror, havia também sonhos cujos conteúdos pareciam trazer algum lenitivo, alguma saída, algum ponto de fuga para a experiência dos campos. De outro modo os "sonhos de cuidado" (caring dreams) poderiam resultar, ao despertar, numa experiência de desespero: a constatação de que o campo ainda existe e o sonhador está no interior de seus muros . Em algumas pesquisas por mim realizadas eu encontrara possibilidades de análise que convergiriam aproximativamente para algumas dessas categorias que Owczarski propõe, porém de modo ligeiramente distinto.


O debate sobre os sonhos que mobilizou Sigmund Freud e um de seus mais importantes discípulos, Sándor Ferenczi, revelou também esse impasse na primeira metade do século XX. O sonho como manifestação e realização do desejo, propugnado por Freud desde 1900, data da publicação de A interpretação dos sonhos, fora questionado pelo próprio Freud em 1920 em seu trabalho intitulado Mais além do princípio do prazer, onde se inaugurava um aspecto inusitado nas elaborações freudianas sobre os sonhos: a ingerência da pulsão de morte na própria elaboração onírica.


Sonhos aturdidos pela impossibilidade de salvaguardar o prazer. Tais sonhos eram implodidos como mecanismo de preservação do sono e atormentados por experiências e conteúdos que afogavam o sujeito na dor e no desprazer psíquicos. Mas, nesse caso ainda, alertava Ferenczi , tratava-se de uma tentativa do psiquismo de encontrar uma solução melhor para o quadro devastador engendrado pelo traumático.


Esse dissenso entre dois grandes psicanalistas pioneiros ainda se arrasta na compreensão dos sonhos traumáticos, mas é evidente que as experiências constituídas no seio do traumático demonstram claramente, e também, uma aspiração ao sublime, ao além dos muros e grades e, de algum modo, restituem criação, imaginação e cuidado, como evidencia o trabalho de Owczarski . Ainda quando o sujeito se encontra na iminência da destruição, da morte e sofrimentos psíquicos cotidianos e intermináveis a oscilação entre pulsões de vida e morte perdura. O sonho, por vezes, comparece ora como colapso irremissível, ora como ultrapassamento e superação surreal e imaginada do insuportável.
Neste artigo procurarei apresentar uma primeira elaboração e discussão de um dos conteúdos presentes com alguma constância no arquivo sobre os sonhos de ex-prisioneiros de Auschwitz. Trata-se da menção aos cães que aparecem em dezenas de trechos de depoimentos. Reservarei para um próximo artigo a discussão sobre os sonhos de cuidado (caring dreams), presentes no mesmo arquivo, debatendo-os com as proposições de Primo Levi, Sigmund Freud e Sándor Ferenczi sobre os pesadelos e os sonhos traumáticos.


As reflexões a seguir apresentam um único aspecto envolvendo a pesquisa e os primeiros resultados parciais dessa pesquisa. Pretendo, numa segunda etapa, aprofundar o diálogo com a apreciação de Primo Levi sobre os sonhos em suas obras É isso um homem? e Afogados e sobreviventes, ao lado do trabalho de Freud em suas formulações sobre a elaboração onírica entre 1900 e 1920 cotejando-os com o arquivo de sonhos de Auschwitz.


Os cães dos alemães, os cães alemães, os prisioneiros cães: condensação como manifestação do sem fim da brutalidade na narrativa do sonho.

 

Sonho 1
Narra uma ex-prisioneira de Auschwitz:

Os sonhos que se repetem mais frequentemente são aqueles em que não posso responder o chamado da natureza sem que alguém assista. Isso me cansa sem fim. No meu sonho, eu preciso ir ao banheiro, então eu procuro um banheiro (e o sonho sempre ocorre em algum lugar desconhecido, não na minha casa). Eu costumo encontrá-lo, mas nunca é protegido contra intrusos, ou às vezes não há portas. Às vezes, esses são banheiros compartilhados, não separados, outros são vazios, mas alguém sempre vem no último minuto, homens ou mulheres, e obviamente não posso realizar o que preciso. O sonho dura muito - ou então parece quando estou dormindo - e é muito cansativo. No final, eu acordo.


A seguir ela faz a seguinte associação:

Eu acho que esses sonhos decorrem da profunda humilhação que senti quando tive que satisfazer minhas necessidades corporais na prisão e no acampamento - onde todos (30-40 prisioneiros) podiam ver (e ouvir), como todos nos sentamos em uma minúscula cela ou no barracão colectivo de latrinas em Auschwitz-Birkenau (onde os oficiais das SS normalmente nos observavam). Nem os nove meses passados em uma cela da prisão, nem mais de 18 meses de vida no campo poderiam me ajudar a superar o sentimento de humilhação, de ser despojado de dignidade, o que me acompanhava sempre que eu precisava fazê-lo. Esta faceta da vida cotidiana e do acampamento foi gravada na minha memória como talvez a mais desagradável. Posso acrescentar que houve momentos em que nossa humilhação atingiu seu ápice, p. ex. quando fomos transferidos da prisão para Auschwitz em carros de gado, ou quando fomos evacuados de um acampamento para o outro.
Em seguida, no relato, ela menciona a seguinte passagem: "Eu também sonhei ser presa e fugindo dos alemães e de cães me atacando".

 

Sonho 2
Relata um ex-prisioneiro:

Quando eu estava no acampamento para prisioneiros de guerra, literalmente três meses antes de me transportarem para Auschwitz, lembro de ter sonhos muito claros sobre um grupo de dúzias de poloneses presos, eu incluído, sendo conduzidos da estação ferroviária de Auschwitz para o acampamento de alemães com cães. Eu corri com os pés descalços, lembro-me de ser conduzido através do portão do acampamento - [ilegível] várias horas em um lugar em frente ao bloco da cozinha, cercas de arame farpado em pilares de concreto maciço, depois sendo levado a algum tipo de edifício, onde nos deram uma ração de pão dividida com um T; Lembro-me de ajudá-los a cortar e distribuir o pão, eles nos empurraram para um quintal ao lado de um barracão, e atrás do quartel um grupo de soldados alemães atiraram em alguns prisioneiros, incluindo um pequeno corcunda. Lembro-me do sonho porque contei aos meus amigos sobre isso. É verdade - eu corria com os pés descalços porque meus sapatos estavam desconfortáveis e eu não tinha meias [ilegíveis], pés em bolhas, não conseguia fugir daqueles cachorros e porretes, então eu os tirei. [ilegível] era o habitual - a cerca como eu tinha visto - a ração de pão dividida com um T e eu ajudei porque falei alemão, e eles atiraram contra esses 70 civis, juntamente com o corcunda, talvez uma semana depois que eles nos trouxeram para o campo.


Sonho 3
Outro sonho de um ex-prisioneiro:

Eu sonhei que estava em um trem - no caminho para Cracóvia, viajei por paisagens familiares e depois passando por Cracóvia - através de coisas desconhecidas. Meu compartimento estava cheio de outros homens, principalmente jovens. Nós viajamos em silêncio, sombrios, incertos de nosso destino. Eu estou com a impressão de que alguém está nos observando. Paramos em uma estação ferroviária, uma que nunca antes vi, como percebi mais tarde. Apesar de tudo isso, sua arquitetura e arredores parecem familiares. Nós nos movemos e, depois de um curto período de tempo, o trem para novamente. Eu vejo pessoas em bonés da marinha, casacos azuis e calças listradas. Há soldados assistindo-os com chicotes preparados. Eu ouço gritos e cães latindo, e eu acordo com esses sons ainda na minha cabeça. Os gritos e os latidos não pararam - aparentemente algo estava acontecendo no pátio da prisão.


A presença ostensiva dos cães no campo era frequente, os conhecidos pastores alemães (German shepperds), e o amor de Hitler por seu cão Blondi também é sabido. Seja como comparsas, bicho de estimação ou assassinos e perseguidores dos prisioneiros fugitivos, os cães alemães compuseram parte do sistema nazista nos campos e ocupavam um lugar egrégio. Como criaturas estavam sempre em posição muito mais vantajosa em relação aos presos. Muito acima deles. Sua função era vigiá-los, persegui-los, estraçalhá-los.


O incômodo e a humilhação em ser constantemente vigiado, portanto, não era apenas pelos homens e mulheres - nazistas e outros prisioneiros -, mas também pelos cães que acompanhavam, com os olhos excitados, cada movimento dos prisioneiros. A mulher prisioneira acrescenta ao sem fim das humilhações sofridas e evidenciadas em seu sonhos o transporte dos prisioneiros nos mesmos caminhões usados para o transporte do gado e se lembra dos sonhos com cães atacando-a, juntamente com os alemães (cães?), que fazem o mesmo, talvez, do mesmo modo.


Os sonhos dessa mulher indicam que não há homens nos campos, apenas gado e cães pastores (incluindo possivelmente os soldados e oficiais alemães). Um mundo entre animais, despovoado de homens e mulheres. Ela sente grande falta do instante de privacidade, do instante de retiro que por si só humaniza, recoloca e permite que entre os elementos de dignidade também sejam atendidos e respeitados os pudores humanos. Só as mulheres e homens sentem constrangimento de evacuar em público, só homens e mulheres precisam se proteger do olhar alheio, intrusivo e perverso quando vão ao banheiro. Só eles têm o direito de fechar a porta, bloqueando olhares alheios e preservando alguma privacidade.


Não mais esquecer de ter sido olhada em uma cena íntima, não mais esquecer de ter sido aviltada e exposta como um animal de carga e observada (e humilhada) até pelos cães. Fosso identitário que produz sofrimento e aprofunda a vergonha.


Não saberemos o que tanto feria essa mulher, ao ser observada publicamente enquanto ia às latrinas de Auschwitz diariamente. Sua dor parece pouca ante as atrocidades do campo, mas é em seu sonho que ela diz o que lhe era arrancado além da pele: a possibilidade e o direito de se distinguir dos animais.


A hierarquia nos campos coloca os cães acima de todo prisioneiro. Fortes, robustos, ágeis, bem alimentados e protegidos os cães evidenciavam também o grau de degradação do prisioneiro incapaz de ser cão. Desautorizado a sê-lo, destinado a ser muito pior. O cão e a morte, mencionados por vários depoentes, colocam lado a lado, quase indiscerníveis, os cães e o porrete, os cães e os alemães, os cães e a morte. Cães amigos; judeus, comunistas, ciganos, homossexuais e poloneses, inimigos.


Cães dos alemães, mas também alemães feito cães que ladram, ferem e matam. Não entendem a língua dos presos e apenas gritam, latem. O estupor da alvorada que traz consigo os gritos (latidos) dos alemães nos blocos dos campos: levantar! (Wstawac!) Grito que invade o sonho e violenta a quietude do sono como lembraria Primo Levi no sonho descrito em A trégua.


A narrativa aflita do segundo sonho expõe pés descalços nos campos. Ferir os pés pode significar, em Auschwitz, ter como destino os crematórios. O prisioneiro que não anda, não pode trabalhar é, literalmente, peso morto. Inútil para os campos de trabalho deve ser exterminado e incinerado, como os inválidos, como lixo.


O homem sonha que tira o sapato, corre descalço para fugir dos cães e dos alemães (ou dos alemães feito cães). Os pés em bolha já delatam pés feridos, pés feridos podem significar morte, mas o homem sonha ter ajudado os alemães, falando alemão. Ajudado os alemães a assassinar os 70 poloneses, seus compatriotas? No sonho, seus pés feridos não o levariam então a ser o 71o? Ajudou os alemães, mas consequentemente e provavelmente logo também seria morto. A morte compensatória que tantos testemunhos evidenciaram confessando o dissabor de se manter vivos lá onde tantos pereceram.


No sonho morrem 70 e o homem corcunda (o homem que não erguerá mais a cabeça - um muslim?), mas o sonhador, com pés feridos, talvez também perecerá. Tudo então retorna à ordem quando todos, menos os nazistas e os cães, morrem.


No terceiro sonho, gritos e latidos se imiscuem. Cães e alemães perturbam as paisagens familiares da Cracóvia. Algo sempre vigia e observa. Não se comunica, não escuta, não fala, mas vigia e observa. Apenas isso. Isso é uma tarefa suficiente para os cães. Tudo ali se resume à vigilância atenta, muda, ameaçadora e violenta. O prisioneiro no campo está no mundo dos animais entre os quais se encontra na base da cadeia alimentar. Lógica linear de caminhões de gado, latrinas públicas, barracões geometricamente organizados e, no final, o abatedouro.


No impressionante livro de Yoram Kaniuk todas essas imagens e outras adquirem uma espécie de terrível eloquência em profundo diálogo sobre as experiências do lager. O título de seu livro: Adam, filho de cão (ou do cão, de Cain?). O primeiro ou o último homem? Uma dádiva ou uma maldição? Kaniuk remonta o mais extremo da situação dos judeus na Shoah. Inventa um personagem entre a graça e o tormento; entre a ruína e a pilhéria; entre o horror e a ficção.


Adam, o palhaço que, para sobreviver nos campos, se torna um palhaço do Kommandant Klein. Para o Herr Kommandant ele finge-se de cão, age como cão e à semelhança de um cão alemão transforma-se em objeto de riso, escárnio e loucura. Ao lado do cão do Kommandant Klein, Adam, o primeiro (e último homem a conhecer o paraíso) larga suas últimas vestes humanas e age como um cão alemão, depois enlouquece. Faz par com um cão que odeia e estraçalha judeus. Cito Kaniuk:


E depois que o Kommandant Klein se sentava na poltrona, chamava Fraulein Klopfer, acomodava-lhe o belo traseiro sobre os joelhos, o traseirinho envolvido numa saia justa de seda caqui, muito limpa, agarrava-a com força e chamava você. E você vinha de quatro, conforme fora estabelecido no contrato; você engatinha, um sorriso no rosto, também isso está registrado no contrato. E você vai de quatro na direção de Rex, esfrega-se nele, roça o nariz no focinho dele, e o comandante humanista e o Kommandant Humanista e Fraulein Kopler riem. Riem também porque Rex foi educado a odiar pelo faro qualquer judeu que se aproximasse dele: sua lei são os dentes, sua sentença é o despedaçamento. Mas a você Rex perdoou. Até passou a gostar de você, apesar do fato de ter de compartilhar as refeições consigo. E vocês dois, de quatro, arrancavam carne dos ossos.


Ser tolerado como cão, entre os cães. Dos alemães, dos cães alemães, dos judeus feito cães. Para além do canil nada, a loucura, o lugar no qual homens e mulheres são executados, calcinados e convertidos em cães. O primeiro homem que entrou pelos portões de Auschwitz também será o último. A literatura e a elaboração onírica ao iluminarem, ainda que brevemente, um acontecido inimaginável, restauram as cenas onde a humanidade termina e onde ela recomeça. Tem de recomeçar. Num lugar (Auschwitz) onde "o sentido do trabalho é então a destruição do trabalho no e pelo trabalho" , como disse Blanchot, a elaboração onírica, o trabalho do sonho é um recomeço em estado de impermanência.


São infindáveis as possibilidades interpretativas dos sonhos em seus diálogos com a literatura de testemunho. Não teremos, contudo, as associações dos sonhadores para dar-lhes sentido mais profundo e singular como nos exige a escuta psicanalítica. Mas é possível reconhecer algumas de suas verdades, aquelas nascidas do mais secreto nos sujeitos que viveram o dia a dia dos campos, e podemos sempre colocá-las para trabalhar, lado a lado, com outros testemunhos e obras, as informações que temos, as teorias de que dispomos e o que escutamos enquanto os lemos. Os campos sempre precisarão ser interpretados e os sonhos rompem com o absoluto do silêncio imposto lá e então e restituem o ponto em que a linguagem emerge, se instala e principia aqui e agora.


Os sonhos de Auschwitz ainda se alimentam da singularidade dos testemunhos dos que sobreviveram aos campos. Cada relato é um libelo, a prova de que a transmissão é efeito de um dizer que funda, no seio do traumático, um mais além dele e que, não raro, percorre o itinerário da delicadeza para se confirmar como o que precisa ser dito, ainda que imperfeitamente, ainda que fragmentariamente e ainda que flutue muito tempo ao léu, como uma garrafa ao mar, cuja mensagem busca seu leitor. A garrafa transparente que guarda um papel alvo na imensidão azul sobrevive às tempestades também por sua pequenez e fragilidade.


É a isso que nos remetem os sonhos, suas narrativas, seus testemunhos, fonte inesgotável e flutuante, em que a renúncia a saber tudo, definitiva e peremptoriamente, nos permite sempre saber algo mais, no tempo (a)guardado pelo trabalho e pela delicadeza do sonhar como obra.


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Percurso é uma revista semestral de psicanálise, editada em São Paulo pelo Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae desde 1988.
 
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