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Resumo
Gérard Bonnet propõe uma teorização original dos mecanismos perversos, referindo-os a um sistema organizador do sintoma solidamente estruturado conforme uma lógica de vingança: uma brutal interrupção na situação de sedução originária gera na criança, ao mesmo tempo, objetos internos persecutórios, um desejo inconsciente de vingança e uma fixação à pulsão parcial prevalente na época da ruptura relacional, para manter, a qualquer preço, o eixo das relações perdidas.


Palavras-chave
Gérard Bonnet; perversão; lógica da vingança; afeto; passagem ao ato; sexualidade perversa; sexualidade pulsional.


Autor(es)
Terezinha Maria de Mélo Barros
é psicanalista, membro aspirante do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, integrante do Grupo de Pesquisas sobre o Feminino do mesmo departamento e doutora em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.


Referências bibliográficas

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_____. (2008). La perversion: se venger pour survivre. Paris: puf.

Freud S. (1905/1996). Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago. vol. vii.

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Laplanche J.; Pontalis J.-B. (1975). Vocabulário de Psicanálise; sob a direção de Lagache, Daniel. Santos/sp: Livraria Martins Fontes Editora.

Laplanche J. (1985). Vida e morte em psicanálise. Porto Alegre: Artes Médicas.





Abstract
Gérard Bonnet proposes an original theorization of perverse mechianisms: they are linked to a logic of vengeance, which also structures the perverse symptom. According to him, a severe interruption during the phase of originary seduction creates in the child several simultaneous conditions: a cluster of internal persecutory objects, an unconscious desire of vengeance and a fixation on the partial drive operative at that time.


Keywords
Gérard Bonnet; perversion; logic of vengeance; acting out; perverse sexuality; instinctive sexuality.

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 TEXTO

A perversão: o olhar de Gérard Bonnet

Gérard Bonnet’s conception of pervertion
Terezinha Maria de Mélo Barros

Introdução

Gérard Bonnet nasceu em Lille, no dia 10 de janeiro de 1934. Defendeu tese sobre voyeurismo-exibicionismo sob a direção de Jean Laplanche, em 1975. Desenvolve pesquisas psicanalíticas há mais de trinta anos, tendo se especializado no estudo das perversões e da dimensão inconsciente do ver, no quadro do laboratório de psicanálise e de psicopatologia da Universidade Paris vii. A atualidade de suas pesquisas é confirmada pela reedição recente de vários dos seus trabalhos anteriormente publicados, dentre os quais um Que sais-je?, sobre Les perversions sexuelles, de 1984, e outras obras importantes sobre voyeurismo- -exibicionismo, como Voir – être vu – de 1981 e La violence du voir, de 1996.

O livro de Gérard Bonnet, La perversion: se venger pour survivre (2008), que nos propomos estudar neste trabalho, ainda não está traduzido em português, mas tem sido muito prestigiado pela crítica francesa especializada, que nele enxerga o testemunho de um compromisso profundo do autor com as possibilidades de compreensão do comportamento humano nos limites da sua tragicidade. Nele, Bonnet nos oferece uma teorização original dos mecanismos e funções dos comportamentos perversos, referindo-os todos, quaisquer que sejam suas diferenças, às vezes consideráveis, a um sistema organizador do sintoma, sistema rígido e solidamente estruturado, cujas especificidades cuidará de definir, ao longo de todo o texto. Para ele, o ato perverso nada tem a ver com o comportamento brutal ou instintivo ao qual é frequentemente reduzido. É um ato humano, de uma complexidade desafiadora, e as sugestões que oferece de enfrentamento terapêutico desses pacientes são sustentadas pela longa e dedicada experiência clínica e pela rigorosa reflexão teórica com a qual a acompanhou.

Essa sensibilidade pela causa da perversão e o interesse no desenvolvimento de pesquisas e elaboração de trabalhos científicos concernentes à questão, para o próprio autor, devem-se à conjunção de dois fatores circunstanciais, por ele vistos como a origem modesta e anedótica do seu trabalho. O primeiro desses fatores foi o impacto, e a riqueza, da experiência clínica, já que o segundo atendimento de que foi encarregado, ainda no período de formação, o desafiou seriamente no que dizia respeito à estrutura clínica do paciente. Tratava-se de um homem completamente dominado por alucinações passionais inquietantes e que, ao longo do tratamento, se constatou estar sob governo de uma pulsão visual particularmente vigorosa. Este caso clínico é relatado no livro de 1981, acima citado. Também nessa época, iniciando a carreira em hospital psiquiátrico, é colocado em um setor de atendimento a pacientes envolvidos em processos judiciais, sendo logo encarregado dos casos mais graves, cujas dificuldades captam de imediato o seu interesse, e a sua dedicação revela-se incondicional.

A segunda influência ressaltada por Bonnet situa-se na experiência acadêmica. Seu orientador de tese, Jean Laplanche, então laureado pela publicação do Vocabulário de Psicanálise (1975), era também o autor de uma obra, Vida e morte em psicanálise (1985), na qual se inclui uma demonstração da importância das duplas pulsionais opostas. Valendo-se dos seus engajamentos clínicos precedentes, Bonnet propõe ao mestre escolher para tema de trabalho a dupla voyeurismo-exibicionismo. Laplanche encoraja fortemente esse projeto e o convida para ser o primeiro estudante a desenvolver uma tese sob sua orientação.

Isto posto, não é de estranhar que suas referências teóricas nos remetam, no essencial, a Jean Laplanche, com as marcas inevitáveis, no contexto contemporâneo da reflexão francesa sobre a psicanálise, da retomada por Lacan da obra freudiana. Resumimos o essencial: para Bonnet, a situação de sedução originária que, segundo Laplanche, funda a sexualidade e concorre para o despertar da vida psíquica, foi ao longo da infância do perverso ao mesmo tempo muito excitante e brutalmente interrompida, deixando a criança em total desamparo porque bruscamente largada só, com mensagens enigmáticas intraduzíveis. Esta frustração radical gerou na criança, ao mesmo tempo, objetos internos persecutórios, um desejo inconsciente de vingança e uma fixação à pulsão parcial prevalente na época da ruptura relacional, para manter, a qualquer preço, o eixo das relações perdidas. Esta é a chave para compreender a lógica da vingança que o autor atribui ao perverso e que, segundo ele, não visaria tanto a fazer ao outro o que a ele fora feito mas, sobretudo, a restabelecer na violência e na destruição um vínculo indispensável à sobrevivência psíquica.

No que diz respeito à questão metapsicológica, Gérard Bonnet considera necessário alargar as formulações freudianas, limitadas à economia pulsional, para aí anexar a necessária consideração das particularidades do afeto e das representações. Isto porque, para ele, embora aparentemente ausente, o afeto tem importância radical na estratégia perversa: tudo é lapidarmente preparado para lançar à distância e projetar no outro um afeto negativo dificilmente suportável, para recuperá-lo em seguida na sua face positiva e então gozar. Trata-se, por exemplo, de transformar a humilhação em onipotência (como ocorre com o sádico) ou a vergonha em orgulho (como mostra o exibicionismo), tudo preparado segundo um mecanismo de inversão-retorno sempre essencial nessas organizações.

A nosso ver, ainda um terceiro ponto precisa ser levado em consideração para bem compreendermos as elaborações e inovações de Bonnet: trata-se da sua leitura das diversas formas da sexualidade já enxergadas por Freud e que ele, Bonnet, minuciosamente rastreia, ao longo da obra do mestre, buscando, na articulação das várias formulações, uma compreensão em profundidade do conceito de pulsão, sem dúvida um dos mais ricos e complexos de toda a teoria psicanalítica. Essa busca de precisão e de rigor teórico vai permitir a Bonnet melhor compreender e explicitar o que ele considera a maior inovação do pensamento freudiano: a passagem da perversão sexual às tendências equivalentes presentes em todos os humanos.

Uma lógica da vingança

A teoria psicanalítica recente ressalta que o fantasma da sedução não é um fantasma como os outros, pois que corresponde a uma realidade vivida. Esta é a tese de Jean Laplanche, para quem todo adulto é efetivamente sedutor para a criança, ainda que involuntariamente, por ser, ele mesmo, portador de desejos sexuais que, à sua revelia, se manifestam em palavras, gestos e atitudes, cada vez que ele se ocupa da criança. Para Laplanche, esta sedução não está apenas na origem da sexualidade, ela é a origem mesma do inconsciente. Trata-se de uma sedução que não se pode pensar mais real, mesmo que não se revele a partir de atos ou de gestos sexuais no sentido explícito do termo.

A partir dessa teoria, Bonnet reconhece que o agressor sexual tem razão quando afirma que foi seduzido na infância, na medida em que todos nós também o fomos, de uma maneira ou de outra. Seria possível dizer que, ao agredir uma criança, como ele o faz, o agressor manifesta, para todos, a violência e o alcance da sedução originária.

Mas, continua Bonnet, esta explicação não é suficiente. Mesmo reconhecendo que o agressor sexual passou pela experiência comum a todos nós, de uma sedução originária, talvez até na sua forma excessiva, estamos no direito de colocar algumas questões. Bonnet propõe duas. Primeira questão: seria esse fato – da sedução originária – razão suficiente, justificativa plausível para o ato perverso? Por que o perverso quer refazer a um outro – e a um outro inocente – aquilo que lhe fizeram?

Para responder a essa questão, Bonnet demonstra, inicialmente, que a lógica da transmissão em que se situaria o agressor não se sustenta. Essa lógica funcionaria mais ou menos assim: tudo começou com a sedução brutal exercida pelos pais, deixando marcas profundas na criança que interiorizou essa sedução e, ao chegar à idade adulta, recomeça o roteiro, na esperança insensata de dele libertar-se, e ao risco também de transmiti-lo de novo. Bonnet rejeita essa teoria com os seguintes argumentos:

• não é verdade que todos os violentadores de crianças tenham sido vítimas de abuso sexual na infância; além do que nem sempre aqueles que foram vítimas dessa violência passaram ao ato;

• essa teoria da transmissão também não se sustenta do ponto de vista analítico e formal. No ser humano, salvo no plano biológico, não existe nunca transmissão automática. Para a psicanálise, não existe transmissão sem apropriação, e somente existe apropriação quando ela serve aos interesses do sujeito;

• disso resulta que se poderia dizer ao agressor que, mesmo tendo sofrido seduções precoces, ele recria agora a situação originária de sedução para alcançar fins pessoais e para atender a um desejo que lhe é próprio.

Resta identificar qual é esse desejo do qual ele nada sabe, por ser totalmente inconsciente. Seria possível dizer, num primeiro momento, que aquilo que ele faz agora ultrapassa enormemente o que lhe fizeram na infância, pois que ele está vivo e, sobretudo, ainda é capaz de reagir. O que significa dizer que seu desejo é um desejo de vingança e, sobretudo, da pior vingança possível. Bonnet conclui que nas explicações do perverso o que tanto nos choca não é o fantasma da sedução, ou a sua encenação exagerada, mas é sobretudo essa devastadora, assustadora lógica da vingança, ao mesmo tempo visual e fálica.

A segunda questão poderia ser assim formulada: o que conduz um agressor sexual a destruir sua vítima ou, pelo menos, a feri-la psicologicamente de maneira irreversível? De que ele se vinga, exatamente, para ter chegado aonde chegou, ou seja, ter transformado um sujeito particularmente idealizado em instrumento de gozo, descartável, em objeto que se manipula para fazer dele o que se quer? Como explicar tal aberração? De onde vem esse desejo de vingança?

A teoria da sedução generalizada, de Laplanche, permite-nos pensar essas questões e ultrapassá-las. Senão, vejamos: se a reação de vingança encontra sua origem numa separação brutal, recalcada, é em razão do impacto que teve esta separação sobre o processo de sedução. A sedução generalizada que acompanha os primeiros tempos da vida da criança não é um fato único, isolado, é um longo caminho que se desenrola dia após dia, onde os pais emitem mensagens enigmáticas incessantes. Em um primeiro tempo, a criança está numa posição puramente passiva, receptiva, aberta a todas as solicitações, ela engole tudo, no sentido próprio do termo. Mas, quando adquire os meios para isso, ela reage, responde, numa interação constante, vigorosa, que lhe permite pouco a pouco tirar partido da situação. Porque, se é evidente que ela é totalmente dependente do processo, submetida a solicitações incessantes das quais não possui as chaves, observa- se também que ela não perde ocasião de obrigar o adulto em questão a ajustar o passo. Esta é a origem de inumeráveis sintomas e minirreações da primeira infância, que tomam sentido na troca permanente, induzida e mantida pelos pais.

Pode-se bem imaginar o que acontece quando a criança se vê brutalmente remetida a si mesma, quando os pais lhe faltam, em um estágio muito precoce, quando eles a deixam sozinha com certas mensagens particularmente excitantes enxertadas, sem tradução possível, e então a criança privilegia um modo de expressão pulsional. Neste caso, ela se descobre habitada por uma solicitação interna enorme que não pode associar ao que quer que seja. Nos estágios mais precoces, isto vai acarretar depressões graves, do tipo que, através dos anos, tem desfilado pelos consultórios psicanalíticos. Mas se a separação dos mais próximos ocorreu na época em que a criança investia preferencialmente uma pulsão de tipo sádico, por exemplo, a criança vai ser levada a fixar-se nela para tentar manter a todo custo o eixo das relações perdidas, erotizando, por isso mesmo, a lógica da inversão que lhe permitiria restabelecê-las.

É nessas condições que a criança lança as bases de uma dialética da vingança – e da pior das vinganças – que se inscreve no mais profundo de si mesma. Bastará que se encontre um dia em circunstâncias análogas às que conheceu naquele momento crucial para que o processo de vingança retorne à superfície. Ela reconstitui então a situação de sedução em seu proveito, de maneira cega e brutal, para tentar reencontrá-la na realidade. Mas, levando em conta o que lhe aconteceu, não busca a troca mas a impõe, descarrega-a, e a vingança expressa a violência que lhe fora feita no momento em questão. Se o perverso chega a matar, é porque a criança que ele inconscientemente escolheu encarna a criança que ele foi e que deixaram sem reação possível. Ele ataca um sujeito que é, ao mesmo tempo, sujeito de sedução e sedutor, porque foi esta dupla potencialidade que lhe foi deixada por conta, como débito a pagar, no momento da separação e que ele destrói na pessoa do outro, como a ele mesmo outrora destruíram. E, como é habitado por uma solicitação interna para a qual não tem nenhuma tradução possível, ele suprime aquele que a desperta, na esperança de livrar-se disso de uma vez por todas, fazendo o mesmo que lhe fizeram, mas nunca no sentido que pensa.

O que o agressor sexual põe em causa não é a sedução enquanto tal, mas uma sedução que parou, que congelou, que lhe ficou atravessada na garganta e da qual acredita poder libertar-se atacando um sujeito que encarne a dupla potencialidade que nele foi quebrada. O agressor é, de alguma maneira, possuído por maus objetos internos, restos intraduzíveis da sedução que o habitam, e torna-se cego pela lógica de inversão que o anima em profundidade: ele confunde as crianças que o excitam com esses objetos interiorizados, pois acredita que, atacando suas vítimas, fazendo-as desaparecerem, suprimirá os objetos em questão. Espera desembaraçar-se de suas pulsões atacando aqueles que as despertam e como tal não acontece ele recomeça – e isso não tem fim. É assim que de uma sedução de vida ele faz uma sedução de morte, com todas as consequências que se seguem.

Por isso debate-se em todos os sentidos, violentamente, como criança aprisionada, a risco de se ferir ou de ferir os outros. Para Bonnet, é exatamente por conta dessa energia devastadora, dessa força fundamental, que a primeira ação a empreender consiste em utilizar as medidas de coerção que se impõem, de tal sorte que esta lógica da destruição se choque com a realidade. Mas é preciso agir com cuidado para que os agressores não se sintam, por seu turno, tomados numa lógica de vingança, de revanche pura e simples da parte da sociedade, o que acarretaria ser o remédio pior que o mal.

Mas esse primeiro passo não basta, é claro, porque, embora bloqueada, a lógica da vingança estará subjacente, prestes a ressurgir de um modo ou de outro. Para se livrar verdadeiramente dessa ameaça o terapeuta só tem uma solução: colocarse na posição do terceiro, tomar distância do sistema dual, criticá-lo e usar um outro registro. Se há vingança é porque houve suspensão brutal da sedução no sentido original do termo e porque o sujeito concernido se descobriu só, não tendo à disposição senão uma pulsão sádica para gerir e explicitar na relação com o outro. É também por esta razão que ele procura formas de restabelecer contato. Portanto tudo deve ser tentado para que uma relação humana ocupe a cena e abra as vias de uma comunicação em profundidade. É necessário criar um espaço de palavra em substituição ao espaço do ato. Simbolizada pela palavra, a vingança mortal, em ato, perderá sua razão de ser.

Resta uma questão: como suscitar a palavra do lado do agressor? Bonnet oferece pistas. Primeiro no que concerne ao terapeuta: é comum argumentar-se que a abordagem terapêutica de um agressor é difícil porque não existe demanda. Isto é verdade, mas, considerando o contexto psicopatológico, nada impede que o terapeuta e os que o cercam se mostrem algo sedutores, sem perder o necessário rigor, é claro. Muitos encaminhamentos fracassam porque o terapeuta solicitado recusa-se a tomar a iniciativa de restabelecer, à sua maneira, uma comunicação, cuja ruptura data às vezes de tanto tempo!…

Quanto ao agressor, tudo que importa é que ele chegue a falar de seu ato, abrindo assim a via para uma análise rigorosa. É fato conhecido que os agressores em série têm em comum escolherem sempre o mesmo tipo de vítima, e agirem segundo um ritual que lhes é próprio e com meios que os caracterizam. O roteiro não é elaborado somente para chocar, paralisar, envolver numa sobrecarga mortífera. Ele está lá também para fazer passar na força um certo número de significantes que esses sujeitos não chegariam a exprimir ou formular de outra maneira. Acontece mesmo que esses significantes constituem o equivalente do conteúdo manifesto de um sonho e, quando o sujeito concernido chega a associar livremente na pista deles (dos referidos significantes), a dialética intersubjetiva congelada anteriormente retoma seu lugar. Isso demanda às vezes muito tempo, mas é certo, assegura Bonnet, que se for concedida prioridade ao olhar sobre o ato, e à escuta sobre o olhar, sai-se progressivamente da lógica mortífera e abre-se também a via ao delinquente para encontrar uma expressão que lhe convenha.

Percebe-se então que se o perverso apresenta seu ato como uma resposta à sedução do adulto, como forma de caricaturar uma sedução excessiva, ou de devolvê-la ainda pior, isso é de fato uma invenção desesperada para exercer a sedução à sua maneira e recolocar em profundidade aquela (sedução) que foi interrompida, tentando uma passagem à força em direção aos outros. É na medida em que se chegue a facilitar essa passagem pela via dos significantes que ela deixará de se produzir pela via dos atos. Por isso Bonnet não se cansa de insistir: quando o perverso se beneficia de capacidades de expressão abertas e múltiplas, reencontra um eco favorável a suas elaborações e a tendência para a qual está inclinado pode dar lugar a verdadeiros fogos de artifício. Exuberante metáfora, que procura dar conta da possibilidade de canalizar a inventividade e engenhosidade da estratégia perversa para formas não incendiárias de realização dos desejos que o habitam, formas inéditas de acesso ao prazer. Por outro lado, quando, por uma razão ou por outra, esta explosão é impossível, o sistema comprimido pelo peso que carrega faz retorno sobre si mesmo e produz uma espécie de petrificação da qual a passagem ao ato é a expressão mais corrente. É preciso enxergar essas duas possibilidades, contrárias em espírito, para que possa ser apreendida toda a complexidade do fenômeno perverso.

Finalmente, ainda para o terapeuta, e este é o imenso problema que nos colocam essas pessoas, é preciso nos situarmos em dois terrenos ao mesmo tempo, e de maneira que um não chegue a invadir o outro. Que primeiro seja ocupado o terreno da explosão pulsional, cega e vingativa, que nada pode deter: ela exige de todos os interlocutores a recusa nítida e sem equívocos de todas as justificativas, sejam elas quais forem, as providências para as proteções indispensáveis. Mas é necessário que nos situemos também no terreno da identificação, do reconhecimento preciso dos elementos significantes em jogo no ato, para que nos seja possível restabelecer a comunicação. Todo esse percurso exige uma atenção e uma escuta sem crítica e sem a priori, mas esta é a única maneira de sair da implacável dialética da inversão, sujeita aos golpes dos objetos primários, para dar prioridade às mensagens humanas de comunicação e de troca.

O lugar do afeto na estratégia perversa

Já no início do capítulo onde trata desta questão, Bonnet esclarece o que entende por afeto: é o que se chama comumente de emoção, percebida a partir de seu surgimento inconsciente. Tratase do primeiro modo de reação ativa à sedução originária, um modo de comunicação primária essencial na infância, não sendo raro que venha acompanhado de uma manifestação corporal – enrubescimento, tremor, paralisia motora – indo de simples sinais transitórios a verdadeiras explosões de alegria ou de sofrimento.

Evidentemente, esta manifestação ordinária de reação humana normalmente não se verifica no perverso, sempre visto como um ser frio, insensível, que não experimenta nenhuma emoção, ou pelo menos não revela sentir. Bonnet debruçou- se também sobre esta questão e concluiu que, quando se olha de perto, percebe-se que o afeto ocupa um lugar preponderante na organização pulsional do perverso, embora se apresente de um modo bastante paradoxal. Falamos rapidamente desse paradoxo na introdução, agora voltamos à questão com o intuito de melhor explicitá-la. Na verdade, o perverso não ignora o afeto, ele lhe reconhece importância vital, faz parte da sua estrutura. A questão é que, como a carga afetiva que arrasta é mortífera, ele está sempre atento a suscitar o afeto fora de si, no outro, para, numa estratégia surpreendente, resgatá-lo em seguida, na versão positiva que lhe autoriza o gozo.

Para Bonnet, esse esquema é tão rígido que chega a colocar a questão de se a perversão não é elaborada para chegar ao desejado resultado de provocar no outro, em negativo, um afeto tornado insuportável, de maneira a se apropriar dele em seguida, na sua forma positiva, e gozá-lo no mais fundo de si mesmo, da sua solidão, do seu abandono. Essa estratégia revela outra face da lógica da vingança e aparece em todas as formas de perversão, em arranjos diferenciados, mas sempre com o mesmo resultado.

Bonnet adverte que somente a partir de Lacan e dos seus seguidores ficou claramente demonstrado que cada tendência pulsional está associada a uma expressão, a um discurso, como uma música está acompanhada de palavras ou de emoções. Contudo, embora não tenha tratado detidamente da relação da pulsão com as representações ou os significantes, Freud não ignorou que o afeto é essencial na perversão, ao reconhecer, por exemplo, que não existe perversão sádica senão quando o sujeito somente pode gozar infringindo ao outro um sofrimento real.

No caso do exibicionismo, prática perversa onde o afeto aparece de forma evidente e cumpre um papel decisivo na evolução do quadro, Bonnet ressalta que, na maioria das vezes, o sujeito transpõe para seu sexo um sentimento de malestar ou de vergonha, experimentado por ocasião de um acontecimento, de uma situação de fato ou de um problema primário, que o marcou tão profundamente que dele não pode libertar-se. A saída que encontra é obrigar o outro a experimentar o mesmo sentimento, exibindo o sexo em questão. Na verdade, o que o exibicionista procura é suscitar vergonha no espectador que ele agride e, em contrapartida, retirar desse fato um sentimento de orgulho, apenas disfarçado. Quer livrar-se da vergonha de que fora vítima lançando-a sobre quem agora vitimiza; em retorno, goza secretamente uma pasmosa sensação de orgulho.Visivelmente, o sexo funciona aqui como uma espécie de pré-texto, um mobilizador de afeto, mas o afeto não existe a priori no sujeito interessado, ele existe enquanto projeto no outro.

Na pedofilia, é possível identificar outra estratégia perversa com relação ao afeto: não se trata apenas de projetá-lo no outro, mas de confundi- lo com o outro, que é considerado apenas como um simples objeto. Nesse caso, o perverso assume o controle do afeto pela mediação de uma pessoa interposta, e esse domínio muitas vezes pode provocar a destruição pura e simples do mencionado objeto. Essencialmente, verificase aqui a presença de um sobreinvestimento do afeto, mas desta vez trata-se de um afeto que é posto à distância, que se faz objeto e se confunde com ele. Se a criança atrai o pedófilo de forma especial, se ela é para ele o objeto sexual por excelência, não é porque ele espera encontrar nela um prazer genital mais intenso, mas antes e acima de tudo porque esse pequeno ser é foco de uma força emotiva fantástica, ele é impressionante, mobiliza a afeição, a ternura. O afeto está na criança, confunde-se com ela, e é isso que o pedófilo deseja consumir, a todo custo, de tal forma que, quando isso não é possível, o afeto assume o rosto da violência. É esta violência que vai matar a criança. É justamente nesses casos do cúmulo do horror que se assiste, de forma paradigmática, à objetivação do afeto, à sua perversão e à revelação de seu caráter explosivo. Nessa situação, o afeto se encontra na lógica da pior vingança possível.

A maioria dos estudos recentes nessa área confirma que os sujeitos que confundem o afeto com o objeto, e, mais precisamente, com a criança- objeto, tiveram um dia, ainda que sob modalidades extremamente diferentes, a mesma experiência. Foram abandonados quando estavam expostos a emoções sexuais muito fortes e foram tratados como criança-objeto. Entregues a eles mesmos nesses momentos cruciais, não encontraram outra solução senão assumir a emoção ressentida. A dialética da vingança emerge então de forma automática. E como o que carregam com eles é insuportável, não enxergam outro recurso senão o de inverter, um dia, essa dialética alienante. Eles agem na realidade, investindo contra pessoas que correspondem ao roteiro que interiormente construíram, segundo a lógica de retorno e inversão que analisamos na parte anterior.

Sugestões de Bonnet para o tratamento: o perverso não suporta o peso do afeto e da emoção em geral, por razões que têm a ver com a sua história pessoal. Sua prática consiste em elaborar uma estratégia para colocar o afeto à distância, livrar-se dele e gozar através do elemento interposto. Este elemento pode ser o outro ou o outro transformado em objeto; pode ser também um órgão, ou um elemento que a seus olhos simbolize a pressão pulsional. Quando essa estratégia dá nascimento a uma prática repetitiva, mais ou menos congelada, uma primeira atitude se impõe: agir de maneira que o afeto retorne para o sujeito, que ele o assuma e o identifique. Só quando experimenta efetivamente o afeto e no quadro de uma relação com um outro sujeito o perverso poderá vir a descobrir a sua origem e significação. Portanto não há mudança possível enquanto um trabalho pessoal, ou uma situação inesperada, não provoquem a reapropriação do afeto, favorecendo uma clarificação das razões que tornaram necessária essa estratégia onerosa.

Como agir para chegar a esse resultado? Bonnet adverte que não se deve colocar o foco no afeto, mesmo indiretamente, sob pena de se caminhar para uma sobrecarga que logo se tornará incontrolável, correndo-se o risco de se fechar para sempre o acesso às representações recalcadas. O caminho mais fecundo parece ser, inicialmente, o de opor uma certa frieza às bazófias confusas que os exibicionistas costumam expressar durante as sessões, com o intuito de canalizá-las e evitar o entusiasmo exagerado. Mas, sobretudo, trabalhar para identificar a significação desse fato: se o exibicionista se entrega a suas práticas, não é apenas para fazer com que o outro experimente o constrangimento da vergonha, mas é também para procurar vivê-la de volta, na sua forma invertida, libertando-se do seu império.

Lembremos que cada uma dessas estratégias tem seu prolongamento criativo. Na vida cotidiana não faltam equivalentes para o roteiro perverso, onde os sujeitos denotam uma frieza evidente mas chegam a despertar nos outros emoções de todo tipo, das quais eles se apropriam em seguida e delas gozam a seu bel prazer. Por outro lado, também vale lembrar que as artes cênicas, as artes plásticas e a música são manifestações que podem funcionar como estratégia e abrir caminho para um investimento privilegiado de afeto, o que revela que existem vias de escape possíveis para o excesso de pressão e que essas vias já são utilizadas, ainda que inconscientemente, por um número enorme de pessoas. Assim também o trabalho de análise poderá vir a abrir para a perversão as possibilidades de saída das práticas excessivas, destrutivas, descobrindo ressonâncias no sentido da invenção, da construção, da libertação.

Das perversões sexuais à sexualidade pulsional

Como já adiantamos na introdução, na concepção de Bonnet, o que existe de mais importante e revolucionário no legado freudiano, e que constitui a razão primordial de sua permanente atualidade, reside no fato de que Freud efetuou uma passagem essencial, difícil e fundamentalmente inovadora: a passagem da perversão sexual propriamente dita para as tendências ou expressões pulsionais equivalentes presentes em todos os homens, abrindo assim a via para a compreensão de muitos problemas, de outra maneira inacessíveis. Para Freud, as tendências perversas, que até então eram consideradas como aberrações humanas, encontram-se presentes no coração de todo ser humano, inclusive nas crianças. O inconsciente de todos os homens é habitado e animado pelos desejos que os perversos realizam de forma tão virulenta e extrema.

Mas, o propósito de Bonnet é preencher o que considera como insuficiências nas duas teorias freudianas das perversões. Com relação à segunda, exposta em 1927, no artigo sobre o fetichismo, que apresenta a negação da castração e a clivagem do eu como elementos estruturais das perversões, entende que estes dois elementos, certamente observáveis, são antes consequências que causas da construção de uma perversão. Ele se apoia, de preferência, na primeira teoria, aquela dos Três Ensaios de 1905, que estabelece uma ponte entre as perversões e as pulsões parciais da criança perversa polimorfa.

Para Bonnet, as pulsões parciais pré-genitais são concebidas como instrumento privilegiado da tradução e da simbolização da pulsão sob todas as suas formas, instrumento esse que no perverso teria congelado em sua elaboração significante, por conta da ausência do outro sedutor das origens, cujas mensagens se tornaram intraduzíveis. Ele se esforça para diferenciar radicalmente as pulsões parciais da infância, que são, no seu entender, a segunda forma de sexualidade, daquilo que chamou de sexualidade primária, saída diretamente do id. Para ele, as pulsões parciais permanecem ativas, durante toda a vida, no inconsciente de todos os homens, mas se expressam de maneira muito diferente segundo a capacidade do sujeito para colocá-las na palavra e no jogo.

Considerando que a contribuição mais preciosa de Freud para o estudo das perversões situa- se na análise que ele faz da pulsão parcial e nos processos e elementos que nela descobriu, Bonnet procura identificar o alcance dessa verdadeira revolução na teoria psicanalítica. Surpreende- o profundamente a constatação clínica de que os quatro elementos constitutivos da pulsão não são apenas significantes ou reveladores, eles são também utilizados de tal maneira que servem para concentrar e colocar em ação as principais modalidades de acesso ao prazer. Vejamos isso mais de perto.

Sabendo o quanto Freud sempre achou que a sexualidade estava no coração da economia inconsciente, Bonnet procurou identificar exatamente o que ele (Freud) entendia por sexualidade e percebeu que esse termo designa, ao longo das reflexões freudianas, cinco modos diferentes de acesso ao prazer: trata-se primeiro da sexualidade genital, a mais conhecida e cujos problemas Freud examina atentamente a partir de 1895, a propósito da neurose de angústia. Designa também a sexualidade pulsional ou pré-genital, que ele descobre e explicita a partir de 1905, nos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, que já constitui uma inovação capital. Nos anos 1920, Freud vai mais longe ainda quando afirma que se experimenta um verdadeiro prazer sexual no amor dos ideais, o que faz que se possa também falar de uma sexualidade ideal ou passional que exerce no ser humano uma função considerável. Ao lado dessas três formas de sexualidades conscientes e manifestas, Bonnet identifica duas outras: uma que Freud designa logo no começo de sua obra a ela se referindo em termos de libido, feita das pulsões originais mais recalcadas, cuja pressão é constante e jamais satisfeita, que Bonnet propõe chamar de sexualidade fundamental; à outra, que resulta da análise dos sonhos, dos fantasmas e dos sintomas, Bonnet vai chamar de sexualidade do eu, caracterizando-a como aquela dos desejos, que encontra seu prazer na articulação e expressão das quatro precedentes na relação com o outro e investindo certos objetos privilegiados.

Nesse contexto teórico, tanto as perversões sexuais quanto as tendências perversas se enquadram no campo da pulsão parcial, embora de forma diferenciada. Na perversão, a pulsão parcial é reinvestida tal qual, ao risco de ferir, de chocar, e se afirma explicitamente através de atos e de comportamentos específicos. Na sexualidade pré-genital ou pulsional, que permanece atuando no inconsciente de cada um, pelo contrário, as pulsões agem na clandestinidade, impõem-se sob os mais diversos disfarces, através dos fantasmas, dos sintomas, dos lapsos, dos sonhos, e se manifestam de forma brutal onde menos se espera, sobretudo em momentos de guerra, conflitos e provações.

Bonnet reconhece que essa sexualidade pulsional apresenta uma face positiva, na medida em que contém e veicula mensagens, palavras, votos, desejos radicais que as palavras não conseguem traduzir e que alimentam a comunicação entre os homens; mas ressalta a dimensão mortífera dessa expressão da sexualidade, como Freud já havia feito, ao tratar da pulsão de morte e do automatismo da repetição, afirmando que as pulsões que animam a sexualidade pré-genital são intrinsecamente destruidoras, quando abandonadas a elas mesmas. É o que acontece, acrescenta Bonnet, quando a sexualidade pulsional se coloca a serviço do que ele chama de sexualidade fundamental, primária, aquela do id, sem forma e sem rosto, cuja exigência de prazer ilimitado empurra o indivíduo para tudo e contra tudo.

Preocupado em encontrar formas de limitar os efeitos destruidores desse modo de sexualidade, abrindo caminhos para o tratamento clínico, Bonnet retoma a teoria dos quatro elementos estruturais do sistema pulsional: uma força enraizada nas pulsões de origem; uma fonte ou uma zona erógena que lhe fornece a base somática: um objeto onde ela encontra satisfação; e um fim que dá conteúdo ao gozo. Na sexualidade pulsional, como na perversão, o outro é utilizado como uma coisa, uma peça no jogo pulsional. O essencial é manter a articulação entre esses quatro elementos, porque, quando eles se reduzem a dois ou até a um, o jogo se torna mortífero: é o retorno ao passional, ao inanimado. A análise deve procurar, de início, inscrever o desejo num sistema de dois polos para restabelecer a comunicação, para que as mensagens circulem, mas essa estratégia privilegia o eixo fonte-objeto e radicaliza o desejo. Por este motivo, ela deve procurar também restabelecer o sistema pulsional em sua integralidade, voltando-se para os outros dois elementos que conferem à pulsão sua estrutura e sua razão de ser, ou seja, a força, que a coloca diretamente em contacto com a sexualidade fundamental, a ponto de muitas vezes se confundir com ela; e o fim, que confere um sentido ao movimento pulsional e o remete para o lado dos ideais, articulando a sexualidade pulsional à sexualidade ideal e lhe fornecendo certos objetos privilegiados.

Uma outra forma de lidar com essa questão consiste em levar em consideração a multiplicidade das pulsões e do entrecruzamento que dela resulta. A pulsão é sempre legião, qualquer que seja o sintoma dominante. Nesse sentido, Lacan afirma que a pulsão é o tesouro dos significantes; mas é também o tesouro de nossas imagens, o lugar por excelência onde se criam as representações visuais que orientam e regem nossa existência. O analista toma conhecimento daquelas que são impressas em momentos cruciais da história do sujeito, mas seu trabalho deve ir além, tornando possível um retorno, levando em consideração a violência experimentada outrora pelo paciente e favorecendo sua expressão nas condições que a tornam suportável. O essencial é jamais permanecer vinculado a um só sistema pulsional, como pretende o perverso, ou sobre um dos polos desse mesmo sistema; e menos ainda a uma ou outra de suas modalidades.

Finalmente, conclui Bonnet, para que a sexualidade pulsional seja possível, praticável, e não conduza aos excessos da repetição mortífera sob qualquer forma, é preciso que se estabeleça uma ruptura sólida e clara entre o mundo de hoje e aquele das relações do passado.

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