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Resumo
Resenha de Sérgio Telles, Visita às casas de Freud e outras viagens, São Paulo, Casa do Psicólogo, 2006, 195 p.


Autor(es)
Maria Lucia Vieira Violante
é psicóloga e doutora em Psicologia Clínica, pela PUC/SP; é psicanalista, pelo Instituto Sedes Sapientiae; é Professora Titular do Programa de Estudos Pós-Graduados de Psicologia Clínica da PUC/SP.


Notas

1. S. Freud (1925[1924]), “Um estudo autobiográfi co”, Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (E.S.B.), Rio de Janeiro, Imago, 1986, vol. XX, p. 90.

2. S. Freud (1950[1892-1899]), “Extratos dos documentos dirigidos a Fliess”, E.S.B., vol. I, p. 375.

3. S. Freud (1933[1932]), “Novas conferências introdutórias sobre Psicanálise”, E.S.B., vol. XXII, p. 194.


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 LEITURA

Há uma “concepção de mundo” psicanalítica freudiana?

Maria Lucia Vieira Violante


Resenha de Sérgio Telles, Visita às casas de Freud e outras viagens, São Paulo, Casa do Psicólogo, 2006, 195 p.

Como resenha não é um resumo do livro de um autor, sigo um percurso próprio, de acordo com as repercussões que a leitura do interessante livro de Sérgio Telles provocou em mim, e não de acordo com a seqüência dos ensaios nele contidos.

Assim é que inicio esta resenha por onde comecei a ler o livro: o ensaio “Visita às casas de Freud – uma ficção freudiana”, acompanhando imaginariamente os passos do personagem (ou autor?) psicanalista em Viena. E, eis que vivencio uma primeira identificação com o autor do livro, quando ele atribui a Freud a “estatura de gênio da humanidade” (p. 150) e de “gênio benfeitor da humanidade ” (p. 156). Concordo com ele que Viena é o berço da descoberta do Inconsciente e que “está irremediavelmente ligada ao nome de Freud” (p. 147).

Cidade imponente, Viena abriga imensos e luxuosos palácios e jardins, charmosos cafés, museus riquíssimos como o de Klimt, ao lado do modesto Museu Sigmund Freud, na bendita Berggasse 19, onde Freud viveu de 1891 a 1938, lá criando este novo campo do saber que é a Psicanálise, no decorrer desses quarenta e sete anos.

O fim da vida de Freud, em Londres, em 23 de setembro de 1939, aproxima-se do início da Segunda Guerra Mundial, que só termina em 1945, tendo deixado Viena “em escombros, humilhada sob a poeira dos bombardeios e o tacão das potências aliadas, pagando o crime de sua cumplicidade com Hitler”, conforme o autor a descreve baseando-se no filme de Carol Reed, O terceiro homem (p. 148).

O edifício onde Freud viveu com sua família – que não possui mais do que três andares – foi reconstruído e Anna Freud cedeu vários pertences do pai para viabilizar a organização do Museu Sigmund Freud, inaugurado graças ao empenho da Sociedade Sigmund Freud, em 1971, por ocasião do 27o Congresso Internacional de Psicanálise, em Viena.

Nesse referido ensaio, suponho que o fictício analista- visitante do Museu seja o próprio autor Sérgio Telles, tal é a fidedignidade com que o descreve, permitindo que o leitor compartilhe de seus sentimentos: o de que a visita à casa de Freud era “uma modestíssima homenagem que prestava ao mestre, era uma demonstração de respeito e admiração”. E mais, que se percebeu “comovido com a simplicidade do apartamento de Freud”, depois de visitar “tantos prédios e palá- cios esplendorosos de Viena” (p. 151).

Abro um breve parêntese para lembrar que tal discrep ância sobrevive: entre o que foi a morada de Freud e o que são as mansões de alguns psicanalistas brasileiros.

Em sua “auto-análise”, o personagem-analista-autor (?) recorre à noção freudiana de estranhamento diante do familiar, em O ‘estranho’ (1919), para descrever o sentimento experimentado por “estar no ambiente físico onde Freud vivera” (p. 151). Mas, quando se vê frente ao busto do Mestre, na Universidade de Viena, essa idenficação imaginária-desidentificação desemboca na conclusão de que “Freud era um herói nacional ” (p. 153). Na visita à casa de Freud em Londres, na Maresfield Gardens 20, onde ele viveu de 6 de junho de 1938 a 23 de setembro de 1939, o personagem- analista-autor (?) já não transmite a mesma emo- ção, salvo um “sentimento depressivo ” e certa identificação com o Mestre, ao se ver já na “idade madura”, o que lhe dava “uma dolorosa percep- ção do tempo, com sua finitude e fugacidade” (p. 154).

Da “Visita às casas de Freud”, acompanho Sérgio Telles em suas “visitas” à obra de Freud, a partir do ensaio “De novo e sempre, o mal-estar na cultura”, no qual o autor considera existir uma “Weltanschauung psicanal ítica freudiana”, ou seja, uma “concepção de mundo” vista sob a ótica do Mestre. Argumenta que isso se encontra expresso não só na 35a conferência das Novas conferências introdutórias sobre Psicanálise (1932/3), intitulada “A questão da Weltanschauung”, mas tamb ém em Totem e tabu (1913), Psicologia de grupo e a análise do ego (1921), O futuro de uma ilusão (1927), O mal-estar na civilização (1930) e Por que a guerra? (1932). Ainda, reconhece o autor que, nesses textos, as idéias de Freud “são decorrência da lógica interna de suas teorizações e trazem teses fecundas, que continuam muito atuais” (p. 122).

O autor entende que, para Freud, “As mesmas leis que regem o indivíduo regem o social” (p. 122). Por achar isso muito forte, penso ser digno de reflexão, sobretudo se relevarmos a leitura que ele faz de Um estudo autobiogr áÞ co (1924/5), no qual Freud teria revelado que “a partir de 1923, tinha abandonado a Psicanálise propriamente dita enquanto centro de suas atenções, dedicando o melhor de sua capacidade analítica e reflexiva aos processos de construção e destrui ção na cultura” (p. 122).

Abro um breve parêntese, com o intuito de dialogar com o autor e com o leitor. De acordo com minha leitura do referido Estudo de Freud, publicado dez anos após A história do movimento psicanalítico (1914), o autor revela que, a partir do complexo de Édipo, “grande número de sugestões me ocorreu” – referindo-se ao que denominou “aplicações da Psicanálise”. Somente em 1935, Freud acrescenta um “Pós-escrito” ao citado Estudo, no qual diz que seu interesse “voltou-se para os problemas culturais”, muito embora, como ele próprio relata, “já tentara, em ‘Totem e tabu’, fazer uso dos achados recém-descobertos da análise a fim de investigar as origens da religião e da moralidade” [1].

Fecho o parêntese para prosseguir com mais “mal-estar na cultura” – proximamente, no ensaio “A verdade e o discurso de políticos”, e, de modo aparentemente longínquo, em “As fotos da tortura no Iraque”.

No momento dramático em que vivemos, penso que o primeiro desses ensaios dispensa comentários, sobretudo porque o autor recorre ao reconhecido e atualíssimo livro de Guy Debord, A sociedade do espetáculo. Viva a cultura do narcisismo e a manipula ção da opinião pública, seja por meio de omissões e/ ou de distorções da verdade informativa!

Em “As fotos da tortura no Iraque” – que nos repugnam –, Sérgio se propõe a “pensar sobre essas fotos. Não apenas me revoltar com a violência da situa- ção – ou mais secretamente – gozar com as cenas sadomasoquistas ali representadas ” (p. 114). Após recorrer ao Gênesis, o autor retoma as teses freudianas acerca das conseqüências psíquicas da distinção entre os sexos, das fantasias sexuais infantis, do complexo de Édipo, para mostrar que todo esse complicado percurso que deveria conduzir o sujeito “a um abandono do narcisismo onipotente e à aceitação do outro e do diferente” pode não ser bem sucedido para muitos, que se “aferram aos fantasmas imaginários do falicismo [...]” (p. 117). As referidas fotos nos mostram a humilha- ção e a submissão do semelhante por quem está munido de força física e material.

E, por livre associação, vou ao ensaio “Canibalismo”, antes que ao “Corpos nus”.

Sérgio Telles recorre ao caso verídico do “canibal de Rotenburg”, revelando-nos a pujança da teoria freudiana da libido e das tragédias psicopatol ógicas e sociais que podem decorrer de fixações e regressões sobretudo pré- genitais.

Como contraponto desses dois últimos ensaios, onde impera a pulsão de morte, vemos todo um movimento sublimatório e portanto, civilizat ório, em “Corpos nus”. Frente às fotos de Spencer Tunick, o autor chama-nos a atenção para a calma desses corpos, “como se dormissem. Estão em paz. Estão nus, despidos de roupas, das convic ções, credos, ideologias. São tocantes em sua vulnerabilidade física. Estão reduzidos a sua essência humana básica” (p. 59).

Afora esse, Sérgio Telles dedica outros ensaios à arte – a qual não é um sintoma e nem um antídoto deste, dado de uma vez por todas.

Em “O nome de Vincent Van Gogh – Algumas especula ções sobre o desejo da mãe e o suicídio”, o autor relata que o famoso pintor holand ês, após três tentativas de suicídio, suicidou-se aos trinta e sete anos, “pobre e desconhecido ” (p. 13-4). Recorre ao livro de David Sweetman, Van Gogh: his life and his art, que, a partir de dados da realidade histórica vivida pelo artista, interpreta que Van Gogh teria sido posto por sua mãe no lugar de seu irmão que nasceu morto, o que lhe teria causado “um profundo conflito de sua identidade”, em decorrência “do fato de ocupar ele o lugar de um outro, de um morto, de ser ele o representante do desejo materno de negar a morte de um outro Þ lho. Isso significa que, nessas circunstâncias, a mãe jamais reconhece e legitima esse filho em sua singularidade ” (p. 19, grifos do autor).

Sérgio Telles relata, em “A compulsão à repetição em Tchecov”, que “Tchecov tem um pequeno conto de duas pá- ginas e meia, intitulado Do diário de um auxiliar de guardalivros, no qual ele “dá mostras da extraordináia compreensão dos mecanismos psíquicos inconscientes que regem o destino humano – aqueles desejos centrados no complexo de Édipo” (p. 19-20).

Em “O Horlá – considera ções sobre a constitui- ção do sujeito”, o autor toma como objeto de reflexão psicanal ítica o conto de Guy de Maupassant (1850-1893), O Horlá, o qual “fala da experi ência de um homem que se vê perseguido e possuído por um ser desconhecido e invis ível, um Outro que termina por aliená-lo completamente, fazendo-o perder a própria identidade” (p. 23). E, aqui, Sérgio Telles volta a tecer considerações sobre a quest ão tratada por Freud, em O ‘estranho’ (1919).

O autor dedica dois ensaios a Machado de Assis: “Pare no d. – Algumas idéias sobre Esaú e Jacó e Memorial de Aires” e “No enterro de Escobar – sobre a importância da culpa em Dom Casmurro, de Machado de Assis”.

No primeiro, consegue com maestria o que, de início, diz pretender, que é “evidenciar a grande proximidade que os une, o que os coloca como romances gêmeos” – a saber, Esaú e Jacó e Memorial de Aires. Segundo o autor, o primeiro romance “exala um odor de coisa abortada, de algo que não amadureceu inteiramente, que cresceu apenas para murchar, sem que as necessárias floração e frutificação tenhamse dado. Há uma incompletude, uma insatisfação, algo que fica suspenso e não cai como devia” (p. 43). Recorrendo à teoria freudiana do complexo de Édipo e a Lacan, o autor põe em relevo a “importância do desejo materno e paterno no futuro dos filhos” (p. 48), parecendo encontrar aqui o ponto de semelhança entre os dois romances, nos quais Machado exibe “um distanciamento depressivo com o qual olha a vida já vivida [...]” (p. 54).

No ensaio sobre Dom Casmurro, Sérgio Telles coloca em relevo a sedutora rela ção entre Bentinho (esposo de Capitu e pai de Ezequiel e Eliezer) e Sancha (esposa do amigo Escobar), na noite que antecede a morte deste último. No enterro, ao ver Capitu chorar, invadido pelo ciúme, Bentinho conjectura um romance entre ela e o amigo morto, supondo que este seria o verdadeiro pai de seu filho Eliezer.

O autor interpreta o sentimento inconsciente de culpa de Bentinho projetado na esposa, filho e amigo morto, e conseqüente necessidade de punição, ao se afastar dela e do filho, ficando absolutamente só. O autor interpreta mais dois livros: um, de Paul Bowles, transformado em filme por Bertolucci, em 1990, e outro, de sua esposa Jane Bowles. No ensaio “A psicose em O céu que nos protege (The sheltering sky), de Paul Bowles”, mais do que diagnosticar a psicose que acomete a personagem, Sérgio Telles dá voz ao autor Bowles. Compositor e escritor americano, Bowles justifica como se tratando de um “exorcismo ” o fato de sua obra lidar com “o lado escuro da natureza humana” (p. 91). Penso que pode ser um modo de Bowles lidar com seu próprio lado “escuro”, posto que levou o casamento até a morte da mulher, ambos mantendo paralelamente relações homossexuais e cíclicas aproxima ções e separações.

Em “Uma leitura de Duas damas bem comportadas, de Jane Bowles”, Sérgio Telles defende que “Psicanaliticamente, podese com facilidade rastrear o substrato pessoal e biográfico da autora nas suas personagens [...]”, advertindo: “Se isso reforça a teoria que explica a arte como uma sublimação da vida, um produto não ex-nihilo da mente do artista e sim uma recriação de situa- ções vitais, existenciais, é extremamente importante não fazer uma redução que equipare a produção de uma obra de arte à emergência de um sintoma” (p. 102).

Em “Munch no porta- jóias freudiano”, Sérgio Telles interpreta a gravura A EsÞ nge, do pintor e gravurista norueguês Edward Munch (1863-1944), como se fosse uma “ilustração” do texto freudiano de 1913, O tema dos três escrínios, no qual, como bem nos lembra o autor, esse tema significa “as três inevitá- veis relações que um homem tem com uma mulher – a mulher que o trouxe à luz, a mulher que é sua companheira e a mulher que o destrói, ou – que elas são as três formas assumidas pela figura da mãe no decorrer da vida de um homem – a própria mãe, a amada que é escolhida segundo o modelo daquela, e, por fim, a Terra Mãe, que mais uma vez o recebe.” (p. 66).

Em “O que está em jogo no esporte?”, Sérgio Telles entrelaça as pulsões de vida e de morte com os mecanismos de repressão e sublima- ção, argumentando, segundo Freud, que, como “A Cultura e a Civilização se fundam na regulamentação e legislação dessas pulsões”, para ele, “os esportes têm a importante função de canalizar a agressividade, proporcionando-lhe uma expressão sublimada, regulamentada e controlada” (p. 69-70). Em “O desejo em Santa Teresa d’Ávila e em Freud”, Sérgio Telles interpreta, à luz da Psicanálise, a afirmação da Santa, para quem “Há mais lágrimas derramadas pelas preces atendidas do que pelas que foram feitas em vão”. Para o autor, “A idéia central [...] indica que a realização de desejos (“ter as preces atendidas ”) tem um efeito paradoxal, provoca lágrimas e não a esperada felicidade” (p. 73/74).

Sabemos que, para Freud, o que é realização de desejo para uma instância psíquica pode não ser para outra, tudo dependendo da relação conflituosa entre elas. No entanto, ao apelar para Laplanche, que atribui a Freud uma suposta “teoria da sedução” recalcada, o autor assume que “Freud passa a ter um interesse menor pela realidade externa [...]” (p. 75). Ora, isso parece contradizer o que afirmara no segundo ensaio comentado nesta resenha, ao propor que, a partir de 1923, Freud teria “abandonado a Psicanálise propriamente dita”, em prol dos “processos de constru- ção e destruição da cultura” (p. 122). A meu ver, é uma constante, do começo ao fim da obra de Freud, a relevância que atribui às relações entre realidade interna e externa – e isto, desde seus conceitos de vivência de satisfação e de desejo, em 1895 e 1900. Aliás, é na Carta 105 a Fliess, de 19 de fevereiro de 1899, que Freud afirma: “realidaderealiza ção de desejos. É desse par de contrários que brota nossa vida mental” [2].

Em “Espelho, espelhos”, Sérgio Telles faz uma analogia entre o objeto espelho, que usamos para nos ver, e a Psicanálise criada por Freud para nos “ver e compreender ”, graças à descoberta do Inconsciente, acrescentando que “Freud descobre [...] que o espelho no qual o homem vai se ver é sua própria fala, a linguagem” (p. 83).

Em “O dom de falar línguas – Sobre a glossolalia”, Sérgio Telles recorre à teoria do estádio do espelho de Lacan e à “teoria da sedu- ção generalizada” devida a Laplanche, concluindo que a língua que interessa ao psicanalista e ao poeta é a “língua materna, essa língua primitiva eivada de desejos e organizadora das fantasias” (p. 176). Lançando mão do que Pontalis chama de melancolia da linguagem, ou seja, a linguagem como substituta do objeto amado perdido, a mãe, conclui: “Nosso narcisismo nos faz lamentar ter que falar, gostaríamos que nossos pensamentos e desejos fossem adivinhados e realizados, sem que tivéssemos de lutar para falá-los e realizá-los” (p. 184; negrito do autor).

Para finalizar, como, a meu ver, a obra de Freud não expressa uma “concepção de mundo vista por sua ótica” (p. 122), deixo aos leitores de Sérgio Telles o deleite de responderem a questão colocada no título desta resenha, lembrando-lhes que Freud, na referida 35a conferência das Novas conferências... (1932/3), conclui que nem a Psicanálise precisa de uma Weltanschauung (traduzida por Sérgio Telles como “concep ção de mundo”) e nem é capaz de criá-la por si mesma. A Psicanálise, diz Freud, “tem um direito especial de falar de uma Weltanschauung científica [...], de vez que não pode ser acusada de ter negligenciado aquilo que é mental no quadro do universo. Sua contribuição à ciência consiste justamente em ter estendido a pesquisa à área mental” [3].
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