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Resumo
Baseado em cinco exemplos clínicos, o texto discute a existência do fetichismo em crianças entre um ano e meio e cinco anos. Por aceitar a teoria de Freud acerca dessa perversão – que se trata da substituição do falo materno inexistente por um objeto que adquire as características de um fetiche – o autor não acredita que crianças tão pequenas possam ter chegado ao estágio no qual essa substituição é possível – segundo Freud, na época do complexo de Édipo, ou seja, ao redor dos cinco anos de idade. Conseqüentemente, sugere que a escolha de um objeto privilegiado para garantir a segurança emocional da criança deve ser explicada por meio do conceito de sexualidade pré-genital, em particular no seu aspecto oral.


Palavras-chave
fetichismo; sexualidade infantil; oralidade; ansiedade de castração; relação com a mãe; primeira infância.


Autor(es)
Moshe Wulff

Decio Gurfinkel
é psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, professor nos cursos "Psicanálise - teoria e clínica" e "Psicossomática" do mesmo Instituto. Doutor pelo Instituto de Psicologia da USP e autor dos livros Viagens ao informe: o sonhar e a experiência psicanalítica (em preparo), Do sonho ao trauma: psicossoma e adicções (Casa do Psicólogo) e A pulsão e seu objeto-droga: estudo psicanalítico sobre a toxicomania (Vozes).


Notas

1 S. Freud, “Historia del movimiento psicoanalitico”, p. 1911 (versão Ballesteros).

2 S. Freud, Totem y tabu, p. 1829.

3 “Contribuições sobre a sexualidade infantil” (1912 – original em alemão).

4 O artigo, escrito originalmente em alemão, foi vertido para o francês. A tradução brasileira (da versão francesa) encontra-se em B. Brusset, C. Couvreur e A. Fine (orgs.), Bulimia.

5 D. W. Winnicott, “Transitional objects and transitional phenomena”, International Journal of Psycho-Analysis, vol 34 (1953) p. 92 (nota 8).

6 Para uma discussão mais extensa da polêmica Wulff-Winnicott, consultar D. Gurfinkel, “O carretel e o cordão”.

7 S. Freud, “Fetishism”, p. 161. (Nota do tradutor inglês).

8 A tradução em inglês desse caso está em Editha Sterba, “An important factor in eating disturbances of childhood”, p. 370-1. (Nota do editor do Psy Qua. ao artigo de Wulff).

9 H. Ellis, Erotic Symbolism, tomo v dos seus Studies in the Psychology of Sex, p. 12. (Nota do tradutor inglês).

10 S. Freud, Three contributions to the theory of sex, p. 41. (Nota do tradutor inglês).

11 S. Freud, “Fetishism”, loc. cit., p. 161. (Cf. p. 162.) (Nota do tradutor inglês).

12 S. Freud, “Some psychological consequences of the anatomical distinction between the sexes”, p. 133. (Cf. p. 137.) (Nota do tradutor inglês).

13 S. Freud, The infantile genital organization of the libido. Collected Papers, II, p. 244. (Cf. p. 247.) (Nota do tradutor inglês).

14 Sobre a questão de quanto o fetichismo pode ser observado como fenômeno atávico, é interessante a opinião de Havelock Ellis: “A tendência – que consideramos normal em períodos iniciais da civilização – de insistir no simbolismo sexual do pé ou do que se usa nele, e ver nisso um especial fascínio sexual, não deixa de ter significação para interpretar as esporádicas manifestações do fetichismo do pé entre nós. Embora esse fetichismo possa nos parecer excêntrico, ele é apenas o ressurgimento, por pseudo-atavismo ou atraso de desenvolvimento, de um impulso mental ou emocional provavelmente experimentado por nossos ancestrais, e é atualmente muitas vezes perceptível entre crianças pequenas”. O autor acrescenta a isso uma nota de rodapé: “Jacoby (Archives d’Anthropologie criminelle, dez. 1903, p. 797) parece considerar o fetichismo do pé como um verdadeiro atavismo: ‘A adoração sexual do sapato feminino’, conclui, ‘é talvez a mais enigmática e certamente a mais singular entre as insanidades degenerativas, e portanto meramente uma forma de atavismo, o retorno do degenerado à mais antiga e primitiva psicologia, que não mais entendemos e não somos mais capazes de sentir.’ Continua Havelock Ellis: ‘Podemos acrescentar que isso não é de forma alguma verdadeiro apenas para o fetichismo do pé. Em outros tipos de fetichismo, uma predisposição aparentemente congênita é ainda mais acentuada, e não apenas naqueles que se voltam para o cabelo e os pêlos’.” (Cf. Havelock Ellis, Erotic symbolism, loc. cit., p. 27). (Nota do tradutor inglês). Essa predisposição congênita consiste, na minha opinião, numa intensidade particular do olfato e do tato desde o nascimento, que pode ser considerada como manifestação característica.

15 S. Freud, Vorlesungen zur Einführung in die Psychoanalyse, p. 340. (Introductory Lectures on Psychoanalysis, p. 276.) (Nota do tradutor inglês).



Referências bibliográficas

Da apresentação:

Brusset B.; Couvreur C.; Fine A. (orgs.) (2003). Bulimia. São Paulo: Escuta.

Freud S. (1913/1981). “Totem y tabu”, in Obras Completas de Sigmund Freud. Madrid: Biblioteca Nueva, vol. ii.

_____. (1914/1981). “Historia del movimiento psicoanalítico”, in Obras Completas de Sigmund Freud. Madrid: Biblioteca Nueva, vol. ii.

Gurfinkel D. (1996/2001) “O carretel e o cordão”, Percurso n. 17, Artigo posteriormente publicado no livro Do sonho ao trauma: psicossoma e adicções. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Winnicott D. W. (1953). “Transitional objects and transitional phenomena”, The International Journal of Psycho-analysis, 34(2):89-97.

Do artigo:

Ellis H. (1906). Erotic symbolism, tomo v dos Studies in the Psychology of Sex. Filadélfia: F.A. Davis.
Friedjung J. (sem referência do nome do artigo), Zeitschrift für Psychoanalytische Pädagogik, vii, out. 1927.

Freud S. (1927/1928). “Fetishism”, International Journal of Psycho-Analysis, vol. ix.

_____. (1925/1928). “Some psychological consequences of the anatomical distinction between the sexes”, International Journal of Psycho-Analysis, vol. viii.

_____. (1923) “The infantile genital organization”, Collected Papers, ii.

_____. (1905 1930). Three contributions to the Theory of Sex. Trad. A. A. Brill 4. ed. Nova York: Nervous and Mental Diseases Publishing Company.

_____. Totem and Taboo.

_____. (1916/1929). Vorlesungen zur Einführung in die Psychoanalyse, Gesammelte Schriften, vii (Introductory lectures on psychoanalysis. Londres: Allen & Unwin).

Jacoby. Archives d’Anthropologie Criminelle, dez. 1903.

Sterba E. (1935/1941). “An important factor in eating disturbances of childhood”, Psychoanalytic Quarterly, vol. x. [Original em alemão: Zeitschrift für Psychoanalytische Pädagogik, xiii]. Wulff M. (sem referência ao nome do artigo), Zeitschrift für Psychoanalyse, xiii.





Abstract
The paper starts with five clinical examples of a particular behavior in children between one and a half and five years that could be construed as a form of fetishism. The author accepts Freud’s theory of this perversion as a construction against the fear of castration, which by means of the mechanism of refusal substitutes a commonplace object for the missing penis of the mother, but argues that child­ren who have not yet reached the oedipal phase are not capable of building this defense. Consequently, he suggests that the choice of a familiar object to protect the child against deeply-felt anxieties should be explained using the concept of pregenital sexuality, particularly in its oral aspect. He then goes on to examine the evolution of what he calls “infantile fetishism” through the several phases of psycho-sexual development.


Keywords
fetishism; infantile sexuality; orality; castration anxiety; relationship with the mother; early childhood.

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 TEXTO

Fetichismo e escolha de objeto na primeira infância

Fetishism and object choice in early childhood
Moshe Wulff
Decio Gurfinkel


Tradução (da versão inglesa) Daniela Schmidt.
Revisão Eliana Borges Pereira Leite e Renato Mezan.
Nota do Coordenador de Percurso Este artigo saiu originalmente no Psychoanalytic Quarterly de 1946
(p. 450-71), em tradução do Dr. Henry Alden Bunker, da qual foi realizada a versão aqui publicada.
Por esse motivo, as citações de Freud se referem às edições então disponíveis, e não aos
Gesammelte Werke ou à Standard Edition. Da mesma forma, optamos por conservar o vocabulário
do original, em particular no que concerne ao termo Trieb e seus derivados, para os quais o
tradutor inglês empregou - conforme o uso da época - as palavras instinct e instinctive.

Apresentação

Nascido na Rússia em 1878, Moshe Wulff fez parte do círculo de pioneiros da Psicanálise, e foi um dos principais responsáveis pela implantação e difusão dessa disciplina na Rússia e em Israel. Psiquiatra formado em Berlim, foi influenciado por Abraham, e entre 1911 e 1912 – como membro externo – participou regularmente da Sociedade Psicanalítica de Viena. Em 1909, após ser demitido de uma instituição em Berlim devido às suas concepções freudianas, voltou para seu país, então mais receptivo a Freud do que a Alemanha, e lá permaneceu até 1927. Em 1922, fundou com outros colegas a Sociedade Psicanalítica Russa. Com a extinção da Psicanálise pelo regime comunista, ao qual foi de início favorável, teve de emigrar, e, após mais alguns anos em Berlim, em 1933 foi novamente forçado ao exílio, devido à ascensão do nazismo. Estabeleceu-se por fim em Jerusalém e Tel-Aviv, onde deu início, juntamente com Eitingon, ao movimento psicanalítico em Israel (ou Palestina, até 1948), permanecendo lá até sua morte, em 1971.

Quanto à sua relação com Freud, vale lembrar que na História do movimento psicanalítico o fundador da Psicanálise afirmou ser Wulff o único “verdadeiro psicanalista” da Rússia de então [1]; um ano antes, havia se referido a ele como “um dos autores que com maior inteligência têm se ocupado das neuroses infantis” [2]. Este último comentário se encontra no trecho do quarto ensaio de Totem e tabu, no qual Freud discute as zoofobias, e cita com alguma extensão um artigo em que Wulff analisa uma fobia de cachorros [3].

Wulff foi um dos médicos que recebeu em consulta o Homem dos Lobos, e o aconselhou a empreender um tratamento psicanalítico! Este pioneiro da Psicanálise foi responsável pela tradução das obras de Freud para o russo – hoje reeditadas – e posteriormente para o hebraico, assim como de trabalhos de Abraham.

Interessou-se particularmente pela psicanálise de crianças e pela pedagogia de inspiração psicanalítica; na Rússia, participou da criação de um lar para crianças, que veio a se tornar uma policlínica. Como o leitor verá, um dos exemplos citados no presente artigo provém dessa experiência. Outros temas de interesse clínico do nosso autor foram a fobia, os transtornos alimentares, as adicções e o fetichismo.

Dentre seus trabalhos publicados, destaca-se, além do artigo de 1912 mencionado por Freud e deste agora traduzido pela Percurso, um texto de 1932, já vertido para o português: “Sobre um interessante complexo sintomático oral e sua relação com a adicção” [4]. Trata-se de um texto extremamente rico e penetrante, considerado por diversos autores como trabalho pioneiro e referência importante para os estudos psicanalíticos dos transtornos alimentares – em particular da bulimia – e das adicções. Assim como o artigo sobre o fetichismo, esse trabalho parte de uma descrição detalhada de vários exemplos clínicos e evolui para uma discussão psicopatológica e metapsicológica bastante densa e estimulante. Vale destacar um eixo comum aos dois textos: a ênfase na oralidade como operador teórico-clínico, dando prosseguimento à abordagem de Abraham sobre o assunto.

Outros trabalhos de destaque de Wulff são A alma da criança (um livro de 1946, originalmente em hebraico) e “The problem of neurotic manifestations in children of preoedipal age” (1951). Assim como este último, publicado no Psychoanalytic Study of the Child, o artigo sobre o fetichismo saiu originalmente em inglês, no Psychoanalytic Quarterly (1946), sendo posteriormente traduzido na Revue française de psychanalyse (1978).

“Fetichismo e escolha de objeto na primeira infância” desperta um duplo interesse: pelo valor intrínseco de sua contribuição, e pelo diálogo de pensamentos que se estabeleceu entre este artigo e o estudo de Winnicott sobre os objetos transicionais. Quanto ao primeiro aspecto, deixo ao leitor o prazer de explorá-lo por si só; quanto ao segundo, algumas notas históricas podem ser úteis.

Winnicott publicou “Objetos transicionais e fenômenos transicionais” em 1953, e havia apresentado o trabalho na Sociedade Britânica em 1951. No intervalo entre a apresentação e a publicação, veio a conhecer o artigo de Wulff, e escreveu: “Proporcionou-me grande prazer e apoio descobrir que o assunto já havia sido considerado digno de discussão por um colega” [5]. A descoberta do texto provocou um grande impacto, e levou Winnicott a acrescentar ao seu próprio trabalho uma seção especial para discutir o artigo de Wulff; podemos imaginar sua surpresa, pois com efeito os fragmentos clínicos apresentados pelo psicanalista russo poderiam muito bem servir para ilustrar um estudo sobre os objetos transicionais!

Abre-se assim uma interessante polêmica: se Winnicott se surpreendeu com a semelhança do fenômeno descrito por ambos, ele discordou do tratamento conceitual dado ao mesmo por Wulff. Winnicott criticou o uso do conceito de fetichismo para descrever o que ele mesmo designou como objeto transicional, pois segundo ele se trata de um fenômeno de caráter saudável e universal, e não patológico e particular. A idéia de um “fetichismo infantil”, diz ele, peca por trazer retroativamente à infância algo da teoria das perversões sexuais dos adultos, e por estender indevidamente o conceito de fetichismo para fenômenos normais, diluindo a sua significação e valor. Estas observações levaram Winnicott a distinguir o delírio de um falo materno de uma ilusão do falo materno, universal e não patológica, e a propor que a gênese do fetichismo na vida adulta pode ser reconhecida em uma espécie de extravio da experiência da transicionalidade na infância.

Ora, esta discussão nos remete à própria questão que move o artigo de Wulff: podemos falar em fetichismo na infância? Em casos de crianças muito pequenas que supostamente ainda não acederam à problemática fálica, podemos continuar sustentando a proposição freudiana que vê no objeto-fetiche um substituto do falo materno? As respostas de Wulff ao problema são muito interessantes e plausíveis; partindo de uma visão eminentemente freudiana, ele discute algumas de suas contradições e desenvolve uma compreensão do suposto “fetichismo infantil” sob a ótica da sexualidade pré-genital. Winnicott, por sua vez, escolheu um caminho bastante diferente: inventou um novo conceito, e deu início a uma linha de pesquisa hoje reconhecidamente de grande relevância na história das idéias de nossa disciplina; podemos dizer que Winnicott criou, neste momento, um novo objeto para a psicanálise [6].

Mas esta apresentação sucinta não faz justiça à complexidade e à riqueza do pensamento teórico-clínico de Wulff, que agora os leitores da Per­cur­so têm a oportunidade de examinar com seus próprios olhos.

DECIO GURFINKEL

A investigação psicanalítica nunca esclareceu completa e definitivamente os pormenores da escolha do objeto na primeira infância. O que se sabe de mais importante desse assunto vem de Freud, o qual, de fato, assinalou repetidamente que havia muito ainda a ser esclarecido nesta importante questão. Sendo assim, não é de surpreender que precisamente esta parte da doutrina psicanalítica tenha sido alvo de críticas bastante duras por parte dos próprios psicanalistas, o que deu origem às mais diferentes opiniões.

Além da observação direta de bebês, a Psicanálise deu um passo à frente na investigação do desenvolvimento da libido ao estudar as perturbações nesse desenvolvimento tal como se manifestam nas neuroses e perversões dos adultos. Conhecemos duas formas de aberrações sexuais relacionadas à escolha do objeto: a homossexualidade e o fetichismo.

Contudo, para a presente discussão, os detalhes da escolha do objeto primário em relação ao desenvolvimento da homossexualidade nos oferecem relativamente pouca informação, já que o objeto primário é sempre e para ambos os sexos a mãe. Além disso, ao longo do desenvolvimento do indivíduo até (e mesmo após) a puberdade, ambos os sexos podem servir como objetos potenciais. Sabemos também que a constelação psicológica que favorece o desenvolvimento em direção à homossexualidade é mais ou menos independente da predisposição biológica.

Para o nosso tema, os fenômenos de desenvolvimento que caracterizam o fetichismo na primeira infância apresentam interesse bem maior. Apesar de há muito se saber – graças aos trabalhos de Binet, Havelock Ellis e outros – que as primeiras expressões do fetichismo podem aparecer em qualquer idade da primeira infância, conhecemos muito pouco acerca dos processos psicológicos que levam a isso. E de fato duas questões chamam imediatamente a atenção: (1) Existe mesmo fetichismo, ou manifestações fetichistas, em crianças pequenas? (2) Qual instinto parcial obteria gratificação de maneira autônoma e exclusiva no fetichismo adulto, do mesmo modo que o impulso de olhar e ser olhado a consegue no exibicionismo? Como bem se sabe, a Psicanálise considera que a perversão consiste na regressão a um instinto parcial infantil e primário, que em virtude disso se torna independente, domina por completo a vida sexual do indivíduo e se torna a sua principal fonte de gratificação sexual.

Dois casos da literatura

Obviamente, a resposta à pergunta sobre as manifestações de fetichismo em crianças pequenas não é simples. Até onde sei – e ficaria grato por outras referências – apenas um caso de fetichismo em criança pequena foi publicado na literatura psicanalítica, por Joseph K. Friedjung, de Viena, no Zeitschrift für Psychoanalytische Pädagogik, na edição de outubro de 1927. Devido ao seu grande interesse, apresentarei esse caso de modo detalhado.

Um menino de 16 meses adoeceu de coqueluche. Seus violentos protestos contra o exame do médico, e a atitude ansiosa dos pais, imediatamente evidenciaram um cenário neurótico. Os pais eram músicos alemães, sendo o pai consideravelmente mais velho que a mãe. A família incluía ainda um filho de sete anos, do primeiro casamento do pai. O paciente tinha conseguido se desenvolver razoavelmente bem durante seus nove meses de amamentação por uma mãe nervosa. Era muito mimado: quando a mãe estava em casa, ele a queria à sua total disposição, e se não o conseguisse ficava com raiva. Todas as manhãs, era trazido para a cama dos pais. Durante muitos meses (talvez desde o desmame, disse a mãe quando questionada), o bebê teve um comportamento particular, sem o qual não adormecia: tinha que ter consigo uma meia-calça ou um sutiã que tivesse sido usado pela mãe. Ele apertava o objeto entre as mãos, colocava um dos polegares na boca e imediatamente caía no sono.
Quando os pais voltavam para casa à noite, ele acordava, e conforme a mãe se despia exigia que lhe dessem o sutiã, com o qual logo voltava a adormecer. A recusa a este pedido provocava um ataque de raiva. Peças lavadas ou roupas vestidas pelo pai eram por ele recusadas.
Devo meu conhecimento desse fato somente à circunstância de ter encontrado na cama da criança uma meia-calça obviamente usada e do avesso, como fazem muitas mulheres, e com certo espanto ter perguntado o motivo de ela estar ali. Destaco esse fato a fim de mostrar quanto em certos casos dependemos do acaso; assim, a estranheza dessa observação não é suficiente para provar que ela não tenha paralelos em outras crianças.
Uma semana depois, numa ausência dos pais, soube pela avó e pela empregada idosa que esse comportamento da criança havia começado alguns meses antes, com uma camisola que a mãe não queria mais. Essa camisola continuava desempenhando ocasionalmente o papel agora assumido pela meia e pelo sutiã. (Os pais tinham escondido de mim esse fetiche.) Muito intuitivamente, a avó descreveu como o menino flertava com seu fetiche “de maneira animal”. A empregada acrescentou que agora ele dava preferência à meia, e também que quando lhe dava o jantar na ausência da mãe ele se recusava a comer a menos que a tivesse consigo.

No volume VII do Zeitschrift für Psychoana­lytische Pädagogik, esta contribuição é seguida pelo seguinte post-scriptum (p. 235):

Quando em julho de 1927 comuniquei ao Professor Freud essa singular observação, recebi dele a seguinte resposta: “Foi demonstrado de modo indubitável que em muitos adultos o fetiche é um substituto para o pênis, um substituto à falta de pênis na mãe, bem como um meio de defesa contra a angústia de castração – e nada mais. Resta testar isso no caso dessa criança. Para haver como comprovar, o menino deve ter tido muitas oportunidades de se convencer, pela nudez da mãe, da sua falta de pênis.” Mais tarde, surgiu o estudo de Freud sobre o fetichismo, publicado no Volume xiii do Internationale Zeitschrift für Psychoanalyse [7], no qual ele expôs esta interpretação.
Recentemente, tive oportunidade de ver o menino, agora aos dois anos, adorável, bem desenvolvido fisicamente, e mentalmente avançado para sua idade. A falha de seus pais, principalmente da mãe, permitiu-lhe prosseguir com seu fetiche como a melhor maneira para fazê-lo pegar no sono rapidamente. Ele esfregava no rosto somente roupas usadas pela mãe, e depois chupava o dedo. O fato de não aceitar peças lavadas, nem roupas usadas pelo pai, levava a mãe a acreditar que o cheiro vindo do corpo dela era significativo para o fetiche. Mas pode-se acrescentar que a expectativa de Freud foi totalmente atendida, pois o filho compartilhava o quarto dos pais: estes se despiam completamente na frente dele, sem constrangimentos, a fim de (segundo a mãe) acostumá-lo aos seus corpos nus, e permitir que ele identificasse a diferença entre os sexos. Diariamente, portanto, ele teve inúmeras oportunidades para a observação comparativa entre a mãe e o pai da qual fala Freud. Minha observação do fetichismo in statu nascendi confirma deste modo os resultados da análise dos neuróticos adultos.

Isso quanto ao caso relatado por Friedjung, que levanta uma série de questões a serem discutidas mais detalhadamente no decorrer deste artigo. Encontrei um segundo caso no artigo de Editha Sterba, publicado no volume de 1935 do Zeitschrift für Psychoanalytische Pädagogik sob o título “Um caso de distúrbio alimentar” [8]. No histórico do caso, entre outras coisas, é relatado o seguinte:

Uma menininha de uns vinte meses se agarrava obstinadamente, desde a amamentação, a um objeto particularmente querido. Era um babador, menor que um babador normal, do tamanho de um lenço feminino, com quatro camadas de tecido. Ao ser desmamada aos seis meses e meio, não demonstrou qualquer reação na hora de dormir, exceto a de sempre exigir o tal paninho que usava quando mamava no peito. Pressionava-o contra a bochecha com uma das mãos, chupando o polegar, e adormecia feliz. Mesmo nessa idade, já não era possível enganá-la trocando o paninho por uma fralda ou lenço, pois ela ficava muito brava.
A primeira sílaba clara que pronunciou foi um nome para este objeto tão amado, ao qual ela chamou de “meu-meu”. Aos sete meses e meio, ela o abraçava com força e protestava: “meu-meu” – querendo dizer “é meu, é meu, pertence a mim”. Essa se tornou sua brincadeira predileta, com a qual era possível observar claramente o desenvolvimento de um sentimento de posse. O “meu-meu” era seu conforto e sua proteção em todas as dificuldades e perigos da sua pequena vida. Quando foi vacinada, ele foi o melhor calmante para a dor. Às vezes, no parque, outras crianças pegavam seus brinquedos; ela, então, chorava pelo “meu-meu”, chupava o polegar e se consolava. O mesmo acontecia quando, num ambiente estranho, sentia-se insegura e sem confiança.
Numa tarde, durante um passeio com o pai, ela de repente pediu com insistência o “meu-meu”. Logo em seguida, deliberadamente e com pontaria certeira, atirou-o no lixo da rua. O pai se recusou a lhe devolver o paninho sujo, mas ela continuou pedindo-o e começou a chorar, o que raramente acontecia. Assim que o recebeu de volta, atirou-o novamente na sujeira, e isso se repetiu por várias vezes.

Três observações em primeira mão

Nos parágrafos seguintes, gostaria de acrescentar algumas observações minhas, que considero interessantes porque lançam mais alguma luz sobre o nosso tema.

1. Há muitos anos, visitei uns amigos. A família consistia do pai, da mãe e de um menino muito bonzinho, entre quatro e cinco anos. Quando cheguei, já era de noite, na hora de o menino se deitar. Apesar de estar pronto e já na cama, ele não queria dormir, e seguidamente chamava pela mãe, gritando e chorando. Ela tentou acalmá-lo várias vezes, sem sucesso. “Vou lhe dar o ‘cobertor mágico’ ” – ela disse – “e ele vai ficar quieto na hora.”

Interessado, perguntei que tipo de coisa era um “cobertor mágico”. “É curioso”, contou a mãe. “Desde que mamava no peito, ele tem um cobertorzinho de lã macio e aconchegante, do qual gosta mais do que qualquer outra coisa no mundo – mais do que de mim ou do pai. Se só pudesse ter esse cobertor – que nós chamamos de ‘cobertor mágico’ – ele ficaria tão feliz que nada mais importaria. Por exemplo, não gosta que eu saia e o deixe sozinho, mas se eu der o cobertor, posso simplesmente desaparecer que para ele dá na mesma. O mesmo acontece com outras dificuldades – se tem dor, ou está de mau humor, ou se algo desagradável aconteceu, é só dar-lhe o ‘cobertor mágico’. Ele o enrola na cabeça e adormece, tranqüilo e feliz”. Neste exemplo, não faltava magia ao “cobertor mágico”.

2. Um segundo exemplo vem do orfanato em Moscou onde trabalhei. As crianças tinham entre um e cinco anos, e todas, mesmo as mais novas, tinham seus próprios objetos: prato, colher e um penico. Todas estimavam muito esses objetos, que além da utilidade prática serviam como brinquedos. Particularmente interessante era a relação de um menino de menos de dois anos com o seu penico. Não se separava dele; era seu brinquedo favorito, que arrastava consigo o dia todo, a menos que por algum artifício fosse tirado dele. Considerava-o como o objeto mais precioso do mundo; obedecia prontamente às mais difíceis e desagradáveis exigências de treinamento e crescimento, desde que como recompensa lhe fosse permitido ficar com o seu penico.

Menciono esse exemplo, nada extraordinário – de fato, posso dizer até comum – a fim de mostrar que exemplos de relação fetichista com qualquer objeto do ambiente não são particularmente raros; são familiares a qualquer pessoa, tanto na vida profissional quanto no dia-a-dia. O que em geral não se observa nem se leva em conta é a natureza fetichista desse comportamento. Os casos inconfundíveis de fetichismo contribuem para o entendimento dessas situações fetichistas comuns, que passam despercebidas ou são consideradas como simples caprichos infantis. Em relação a isso, cito o seguinte trecho de Havelock Ellis: “Um caso bem completo de simbolismo erótico é fornecido pelo ‘pigmalionismo’, o amor por estátuas. Ele é exatamente análogo ao amor de uma criança por uma boneca, o qual é também uma forma de simbolismo sexual (apesar de não erótica)” [9].

3. Devo ao meu colega Dr. Idelsohn um terceiro exemplo interessante:

Um menino de um ano e três meses mostrava preferência especial e interesse exclusivo por um determinado babador, que usava durante as refeições. Quando ia para a cama após a refeição, de dia ou de noite, ele o levava consigo, cheirava-o e chupava-o; não se separava dele de maneira alguma – segurava-o na mão e, ao afagar o nariz com ele, ficava claro que o cheirava vigorosamente. Logo se verificou que o menino queria apenas um babador específico, ao qual chamava de “Hoppa”. Rejeitava todos os outros babadores que eram amarrados ao seu pescoço nas refeições. O nome “Hoppa” veio de um movimento de dança que ele fazia quando ia para a cama à noite, enquanto cantava “hoppa, hoppa, hoppa”. Era um tipo de dança rítmica, na ponta dos pés, movimentando todo o corpo para trás e para a frente.
Quando o babador era lavado e limpo, ele ficava descontente e o rejeitava. À noite, dormia inquieto, chorando e chamando o “Hoppa”. Após vários dias de uso, quando este já havia perdido o frescor e a limpeza, o menino retomava o prazer de tê-lo e usá-lo como sempre.
Aos dois anos e meio, um dia o “Hoppa” desapareceu e não foi mais encontrado. O resultado foi que a criança não cochilava mais após o almoço, e nos primeiros dias teve muita dificuldade para dormir à noite, chamando continuamente por seu “Hoppa”. Chorava e ficava deprimido, obviamente sentindo falta do babador, enquanto antes adormecia imediatamente e sem dificuldade. Todos os esforços dos pais para achar um substituto para o “Hoppa” falharam por completo. Contudo, o pior estava ainda por vir: o menino já havia tirado as fraldas, mas após o desaparecimento do “Hoppa” voltou a urinar na cama. No entanto, ao mesmo tempo, parou de chupar o dedo.
Um mês antes de completar quatro anos, a mãe comprou lenços xadrezes, de um tipo que nunca havia usado antes. Como o garoto estava resfriado, ela lhe deu um desses lenços para que o levasse para a cama consigo. Depois disso, ele passou a pedir sempre o lenço, cheirava-o, e se recusava a se separar dele. Durante esse período, a enurese desapareceu completamente. Com freqüência, ele enfiava o lenço dentro do pijama e o pressionava contra os genitais, dizendo que assim nunca o perderia. Depois de lavado, o lenço não lhe dava prazer nenhum. Usá-lo só era prazeroso quando tinha uma mistura de cheiros que tinham a ver com a mãe – sua água de colônia, sua bolsa, seu armário de roupas de cama etc. Era também freqüente ele acordar à noite e gritar ‘Lenço!’ Em seguida, ao achá-lo, colocava-o sobre o nariz e imediatamente adormecia tranqüilo.

Os casos de Friedjung e Sterba apresentam uma série de fenômenos semelhantes e interessantes, que eu gostaria de assinalar: (1) em ambos, as manifestações de fetichismo apareceram imediatamente após o desmame; (2) em ambos, estavam associados ao ato de chupar o dedo; (3) em ambos, ocorriam antes de adormecer e rapidamente induziam um sono tranqüilo e “satisfeito”. No caso de Friedjung, o comportamento fetichista incluía, além disso, a refeição noturna. Por outro lado, há que ser notada uma diferença muito importante entre os dois casos: no de Friedjung, o fetiche era relacionado ao corpo da mãe, ao seu cheiro, e portanto sem dúvida alguma representava um substituto materno. Isso não pode ser claramente dito quanto ao caso de Sterba: neste último, é evidente a associação com a sucção do dedo, mas deslocada para o babador e suas propriedades.

Em minha opinião, o terceiro caso é interessante porque as características do fetiche – além do aconchego e da sensação agradável na pele em contato com a maciez da lã – provavelmente incluíam também o cheiro do corpo da própria criança, proporcionando assim uma gratificação narcísica.

No quarto caso, a referência anal é tão clara que dispensa comentários. Mas deve-se acrescentar que essa era uma criança extremamente rebelde, agressiva e mal humorada, e que o relacionamento fetichista com o penico se desenvolveu logo após a separação da mãe e a ida para o orfanato.

O quinto caso, o do Dr. Idelsohn, é particularmente interessante. Aqui vemos não somente a origem, mas ainda o desenvolvimento posterior da relação fetichista. Aqui também, como nos casos de Friedjung e Sterba, a associação da atividade oral e da gratificação com o fetiche marca o início deste: o babador foi primeiramente usado nas refeições, e valorizado em seu papel de fetiche só quando tinha migalhas e cheiro de comida. Seu uso, de novo, estava associado ao ato de chupar o dedo antes de dormir. Quando o babador sumiu, voltou o hábito de urinar na cama – uma reação bem conhecida em crianças pequenas ao fato de perder um objeto querido. Aos quatro anos, subitamente surgiu outro fetiche, sob uma nova forma e um pouco modificado: estava agora abertamente relacionado à mãe, ao seu cheiro, e não mais à comida, à atividade oral ou de mamar. Em vez de apertar o fetiche na face ou no nariz, a criança o fazia contra os genitais, sob o notável pretexto de não o perder – como se aos quatro anos já conhecesse o conceito freudiano de fase fálica!

Existe um fetichismo infantil?

Voltemos agora à questão colocada no início: os fenômenos de fetichismo na primeira infância podem ser, em sua natureza clínica ou psicológica, inteiramente identificados ao fetichismo dos adultos?

Com relação às manifestações externas e clínicas, as observações citadas oferecem uma resposta inequívoca e afirmativa: em todos os casos descritos, vemos um objeto que não possui qualidade alguma que justificasse sua escolha como objeto de amor, e que no entanto foi tomado com tal, isto é, assumiu o papel de um objeto-fetiche substituto, exatamente como acontece nos casos adultos. Nos casos citados, não se pode afirmar com segurança qual seria o verdadeiro objeto primário.

No primeiro (Friedjung), parece ser o corpo da mãe, com seu cheiro particular e próprio. Devido à sua associação com o ato de comer e chupar o dedo, e ao seu início imediatamente após o desmame, levanta-se a suspeita de que o objeto primário não seja o corpo da mãe, mas especificamente o seu seio. Considerando como fetiche o sutiã, essa suposição parece ser justificada até certo ponto, mas já não serve em relação ao mais importante e principal fetiche – a meia-calça usada pela mãe – que tinha um cheiro muito particular e específico. Nesse caso, podemos afirmar com certeza que o corpo da mãe como um todo, com seu odor individual e específico, é substituído pelo fetiche: as peças de roupa (laváveis). Por outro lado, o seio materno tem o mesmo cheiro e as mesmas propriedades que o corpo da mãe como um todo, e poderia muito bem ser o primeiro entre todos os objetos da criança. O motivo pelo qual o fetiche possui uma relação tão específica com o hábito de chupar o dedo, e mais tarde com o de se alimentar, seria então explicável com base na idade da criança (o estágio oral de desenvolvimento).

No caso de Sterba, encontramos igualmente uma relação indubitável com o início oral do fetichismo, pois este surgiu imediatamente após o desmame e ficou associado ao hábito de chupar o dedo antes de dormir. Não se pode deduzir do artigo se existia uma relação específica entre a alimentação e o fetiche; porém algo mais – e extremamente característico – emerge de maneira muito clara e inequívoca. A Sra. Sterba escreve o seguinte sobre o estágio de desenvolvimento dessa criança:

Este exemplo ilustra claramente a íntima inter-relação entre as zonas oral e anal, e a substituição de uma pela outra. Essa garotinha estava na difícil posição (para ela) de não apenas ter que aprender a abrir mão do conteúdo de seu intestino, mas ainda de atender à exigência da babá para defecar num momento estipulado. Isso não poderia ser feito sem resistência de sua parte, pois a tendência a reter, como vimos, já estava fortemente desenvolvida nela. O conflito entre entregar e conservar estava claramente expresso no jogo com o “meu-meu”, que era um fetiche oral do período de amamentação. O intenso sentimento da sua posse evidencia um forte investimento anal.

Em suma, com o progresso do desenvolvimento do estágio oral para o anal, o objeto original de amor (o fetiche oral) passou a ser relacionado à fase do desenvolvimento que se seguiu.

O objeto primário de amor – seja ele qual for – que o fetiche substitui continua desconhecido. A conexão original do fetiche babador com mamar no seio materno é bastante evidente, mas do que foi apresentado por Sterba não se pode saber se existia uma ligação posterior com a alimentação, como nos casos de Friedjung e Idelsohn. Neste último não há qualquer evidência de que o odor do fetiche possa ser considerado significativo para o seu papel como tal. Mas descobrimos que a natureza do material do fetiche (quatro camadas de tecido) era particularmente importante para o estabelecer nessa função. Talvez esse material tivesse a princípio um cheiro próprio, mas é difícil supor que antes de seu primeiro uso – e em inúmeras ocasiões depois – não tivesse sido lavado, o que deve ter causado o desaparecimento de qualquer odor originalmente peculiar ao material. Por isso, pareceria mais importante outra propriedade do fetiche: a sensação tátil particular proporcionada pelo material ao contato com a mão ou com a pele do rosto. O mesmo deve ser dito do terceiro fetiche, o cobertor mágico de lã macia, no qual o calor e a prazerosa sensação tátil eram claramente as características decisivas a determinar a escolha desta peça como fetiche.

Que sensações táteis de natureza prazerosa possam ser a causa da “fetichização” de qualquer objeto não é uma novidade particularmente surpreendente. Sabemos também de casos de fetichismo em adultos nos quais as sensações de toque de um tipo especial são o fator que estimula a excitação sexual. Freud concorda com a opinião de que nos fetichismos do cabelo e da pele, por exemplo, os cheiros específicos produzem um efeito sexualmente excitante. É preciso notar ainda que freqüentemente o simples toque da mão ou da pele do rosto, assim como acariciar ou alisar o cabelo ou a pele, têm efeito orgástico nos fetichistas. Além disso, são conhecidos fetichismos por veludo e seda, nos quais o cheiro não tem influência em particular, apenas importando as sensações táteis.

Freud escreveu a seguinte passagem sobre a criança durante a amamentação:

Simultaneamente à sucção, há também o desejo de agarrar coisas, que se manifesta em um puxar ritmado dos lóbulos das orelhas, e que pelo mesmo motivo pode levar a criança a agarrar uma parte de outra pessoa (geralmente a orelha). […] O prazer de sugar é freqüentemente combinado ao roçar de certas partes sensíveis do corpo, como o peito e os genitais externos. É por esse caminho que muitas crianças passam do hábito de chupar o dedo à masturbação [10].

É uma suposição inteiramente plausível que com o ato de mamar, importante para a vida, surja desde o início todo um complexo de sensações e sentimentos, tais como a sensação de calor e de cheiro, sensações táteis nas mãos e no rosto, que se originam do seio e do corpo materno. Todas essas sensações e sentimentos podem ser transferidos associativamente para qualquer objeto até então indiferente, fazendo deste último um fetiche para a criança. Chegamos então à conclusão de que na criança pequena o fetiche – graças ao seu cheiro, ao seu calor prazeroso e à sensação tátil particular que produz – toma o lugar do seio e do corpo maternos, tornando-se um substituto deles.

É ainda mais notável que a criança pequena faça uso do fetiche principalmente antes de adormecer, e diretamente relacionado ao hábito de chupar o polegar, como vimos em todos os casos relatados. Nesse estágio inicial, para adormecer calmamente a criança parece sentir a necessidade de restabelecer a situação do momento agradável no qual, satisfeita por várias sensações prazerosas originadas no corpo da mãe ao amamentá-la, caía num sono sossegado.

Fetichismo e ansiedade de castração

Mas agora chegamos às dificuldades. Ao estabelecer que para a criança o fetiche representa um substituto do seio e do corpo materno, colocamo-nos em total oposição ao conteúdo da carta de Freud publicada por Friedjung, na qual consta o seguinte: “Foi demonstrado sem sombra de dúvida que em muitos adultos o fetiche é um substituto do pênis, um substituto à falta de pênis na mãe, e, por consegüinte um meio de defesa contra a angústia da castração – e nada mais. Resta testar isso no caso dessa criança. Para haver como comprovar, o menino deve ter tido oportunidades suficientes de se convencer, pela nudez da mãe, da sua falta de pênis”.

Devo confessar que esta declaração me parece incompreensível. Se considerarmos atendida a condição de Freud de que houve “oportunidades suficientes” de ver a mãe nua, então deve ser traçado o longo e complicado caminho psicológico pelo qual, em uma criança de um ano e meio, a nudez e a falta de pênis na mãe levaram à angústia da castração e criaram o fetichismo. Tal possibilidade, deve-se dizer, está em completa contradição com nossos conhecimentos firmemente estabelecidos a respeito do desenvolvimento da criança e dos seus diversos estágios.

Com efeito, para que o fetichismo se instalasse, o menino de um ano e meio de idade não apenas teria de ter desenvolvido totalmente o complexo de castração, mas ainda de o ter superado. Em oposição a isso, gostaria de citar duas passagens de trabalhos de Freud. Uma delas está no artigo sobre o fetichismo:

O que aconteceu, portanto, foi que o menino se recusou a tomar conhecimento do fato percebido por ele de que a mulher não tem pênis. Não, isso não pode ser verdade, pois se uma mulher pode ser castrada, então seu próprio pênis está em perigo, e é contra isso que se rebela parte de seu narcisismo, que a Natureza providencialmente anexou a esse órgão em particular. […] O termo mais antigo em nossa terminologia psicológica, “repressão”, já se refere a esse processo patológico [11].

Deveríamos, portanto, admitir que a criança de um ano e meio de idade já teria completado esse trabalho de repressão. E qual seria a força motriz por trás dessa repressão? A resposta só pode ser: angústia de castração. Em relação a isso, gostaria de citar a seguinte passagem de outro importante estudo de Freud:

Quando um menino avista pela primeira vez a região genital de uma menina, de início hesita e demonstra falta de interesse: não vê nada, ou nega o que viu, o atenua, e procura meios de conciliar o visto com as suas expectativas. Só posteriormente, quando alguma ameaça de castração o atinge, é que a observação se torna importante para ele. Se se lembra ou repete a observação, ela lhe desperta uma terrível tempestade de emoções, forçando-o a acreditar na realidade da ameaça, da qual até então havia feito pouco caso. Essa combinação de circunstâncias leva a duas reações, que podem se tornar fixas. Neste caso – separadamente, juntas, ou em conjunto com outros fatores – elas irão determinar permanentemente a relação com as mulheres: o horror à criatura mutilada, ou o triunfante desprezo por ela. Esses acontecimentos, no entanto, pertencem ao futuro, ainda que a um futuro não tão distante. [12]

E em outra passagem lemos: “Parece-me, no entanto, que o significado do complexo de castração somente pode ser avaliado se levarmos em conta a sua origem no estágio da primazia do falo” [13].

Creio que também eu posso recorrer à análise de manifestações e reações anormais em crianças no período pré-edipiano. Estas análises mostram que tais anormalidades, de natureza neurótica, têm uma estrutura psicológica diferente da dos sintomas neuróticos em adultos. Falta-lhes a etiologia característica dos mesmos, a saber o conflito psíquico entre o impulso do id e a proibição do superego, e o compromisso que resulta dessas forças opostas sob a forma de sintomas neuróticos e perversões. As manifestações anormais na criança durante período pré-edipiano são, em sua estrutura psicológica, nada mais que simples formações reativas contra impulsos instintivos reprimidos ou insatisfeitos. Nelas, a inibição ou a proibição de gratificação provém do mundo exterior.

Encontramos na literatura psicanalítica um grande número de análises desse tipo – principalmente no Zeitschrift für Psychoanalytische Pädagogik. Apenas como exemplo, mencionaria minha contribuição de 1927 ao Zeitschrift für Psychoanalyse (volume xiii), sobre uma fobia em uma criança de um ano e meio de idade. É certo que Michael Bálint, em seu ensaio Zur Kritik der Lehre von der prägenitalen Libidoorganization, expressou opinião contrária, afirmando que “todas essas análises mostram inequivocamente que essas neuroses infantis não são, de forma alguma, menos complexas que as neuroses dos adultos”. Sem querer discordar dele quanto à complexidade de muitas neuroses infantis, acredito que devemos insistir: suas estruturas são mais simples, especialmente no período que precede a formação do superego. Conseqüentemente, na técnica de análise em crianças pequenas devemos introduzir a importante modificação de que uma influência direta por parte do analista precisa substituir o superego inexistente, combinando o trabalho puramente analítico com o pedagógico.

Por esses motivos, parece-me necessário concordar com a afirmação de que em crianças pequenas o fetiche representa um substituto do corpo materno, e em particular do seio materno. Com ela encontramos uma resposta à questão colocada acima – se o fetichismo em crianças pequenas pode ser completamente identificado com o do adulto, e se há diferenças entre os dois. Dito mais precisamente: manifestações fetichistas em crianças pequenas não são de maneira nenhuma incomuns, mas a estrutura psicológica do fetichismo infantil – assim como em outras manifestações patológicas – é diferente.

Aparece neste ponto uma questão óbvia: existe alguma relação entre cada tipo de fetichismo e os diferentes períodos da vida? E, se houver, qual é ela? Infelizmente, não podemos esclarecer se há alguma conexão etiológica deste gênero, no sentido de o fetichismo em adultos ser uma continuação direta do fetichismo infantil. Isso porque o pouco que foi publicado na literatura psicanalítica sobre o fetichismo adulto não fornece qualquer informação ou material que possa ser útil para tentar responder à questão. Mas o material infantil aqui apresentado fornece algumas pistas interessantes sobre o tema, e traz sugestões quanto ao desenvolvimento do fetichismo na infância que talvez apontem para a provável conexão entre suas formas adultas e infantis.

Fetichismo e estágios psicossexuais

Vamos tentar, mais uma vez, expor brevemente este desenvolvimento. Vimos que o fetichismo na primeira infância aparece freqüentemente como herança direta da amamentação no seio materno, com seus primeiros indícios logo após o desmame. Portanto, para todos os efeitos a sua origem oral é indubitável. No seu percurso posterior, ele preserva por certo tempo uma conexão direta com os impulsos orais – alimentação e amamentação. A este respeito um traço característico merece ser destacado: nesse período, a relação com o fetiche é caracterizada pelo fato de que apenas uma propriedade específica dele é valorizada, como o cheiro particular ou a capacidade de despertar sensações táteis particulares e específicas, proporcionando assim um tipo específico de gratificação. Se as propriedades específicas do fetiche fossem abolidas, ele perderia todo o seu valor. Em outras palavras, não é na verdade o objeto em si que é utilizado para a gratificação fetichista, mas somente uma única e específica propriedade ou característica dele. O objeto em si, como um todo, ainda não é apreciado e valorizado – fenômeno aliás presente no fetichismo adulto, mas que representa um traço bastante característico na relação da criança com seus objetos. Não se observa nenhum sinal de laços emocionais com o objeto, exceto a gratificação relacionada com a zona erógena.

O caso narrado por Sterba mostra de maneira bastante ilustrativa o curso do desenvolvimento no estágio seguinte, o sádico-anal. O fetiche, originalmente surgido no modo oral, passa a estar envolvido por impulsos anais e sádicos (é deliberadamente jogado no lixo da rua), e um novo impulso de origem anal é imediatamente transferido a ele, ou seja, o desejo de o agarrar e o possuir (o fetiche se torna o “meu-meu”). Agora não se valoriza apenas uma única propriedade específica, mas o objeto em seu todo é altamente estimado e precisa ser possuído.

No caso de Idelsohn, encontramos novas pistas com relação ao desenvolvimento do fetichismo na primeira infância. Vemos o menino na fase fálica. O fetiche não é mais relacionado com um instinto parcial, mas exclusivamente com o objeto do amor, agora já presente – a mãe, com seu cheiro, suas coisas, e assim por diante. Além disso, encontramos no menino a angústia de perder o fetiche, de algum modo relacionada com o pênis: “esse lenço (a mãe)”, relata Idelsohn, “o menino costumava enfiar dentro da calça do pijama e apertá-lo contra os genitais, dizendo que precisava escondê-lo para não o perder”. Portanto, identificava o fetiche com seu genital; transferia para ele uma porção de libido narcísica, que assim se convertia em libido objetal. Mas ao mesmo tempo o pavor de perder o pênis – angústia de castração – aparentemente também passava para o fetiche.

A objeção de que o medo de ficar sem o fetiche não teria nada a ver com angústia de castração, porque provinha da sua própria experiência – o garoto tinha realmente perdido o seu primeiro fetiche – não é difícil de refutar. Lembremos que o primeiro fetiche perdido por ele – pelo qual havia sofrido até o reencontrar, para então experimentar a angústia de o perder de novo – não era este, mas, ao contrário, um objeto completamente diferente: o lenço de sua mãe, do qual, como ele sabia muito bem, havia vários. De fato, o menino não apresentava qualquer ansiedade quanto a se o lenço era este ou aquele; queria simplesmente um lenço da sua mãe, de um certo tipo e com certas propriedades, como o cheiro do perfume dela, de sua roupa de cama, do armário onde esta era guardada etc.

Durante o ano e meio transcorrido entre a perda do “Hoppa” de antes e o estabelecimento de um novo fetiche – sob a forma da agenda da mãe – o menino não encontrou substituto para o primeiro. Não lhe importava a falta de oportunidade para ter contato com as coisas da mãe. Mas no decorrer do estágio sádico-anal – no qual, como vimos, o desejo de possuir, ou talvez o impulso se apossar, é tão dominante – ele reagiu à perda do fetiche com inquietação, depressão e gratificação uretral substitutiva, mas o fetiche permaneceu insubstituível porque a relação do menino com os objetos do seu ambiente passou a ser de caráter sádico-anal.

Foi apenas no estágio fálico, e após uma escolha de objeto bem sucedida, que ele encontrou novamente um fetiche, agora modificado segundo estas novas condições. No entanto, sob a forma do medo de perder o objeto, apareceu ao mesmo tempo a angústia de castração. Essa identificação, no estágio fálico, do objeto-fetiche reencontrado com seu próprio pênis é talvez a descoberta mais interessante em todo o nosso estudo. Esclarece um dos fenômenos mais obscuros da escolha de objeto, pois sugere que o primeiro laço genuinamente libidinal com um objeto estranho se dá por um processo de identificação desse objeto com o próprio pênis do indivíduo. Isso talvez explique por que a rejeição por parte do objeto é sentida como uma severa ferida narcísica, e experimentada por muitos neuróticos como uma castração direta, a ponto de sérios distúrbios de potência poderem surgir como conseqüência dela.

Como ocorrem as coisas no caso da menina é por enquanto uma questão em aberto, que aguarda para sua elucidação observações análogas às aqui discutidas. Mas deve ser mencionado que – obviamente mutatis mutandis – também supomos nela uma fase fálica. Como conseqüência, na menina a escolha narcísica de objeto consiste na identificação deste último com o desejo ardente por um pênis, cuja posse, apesar da contradição da realidade, ela sem dúvida assume nesta fase. No menino, o primeiro objeto – a mãe – é abandonado sob a pressão da angústia de castração, enquanto a mulher, como disse Freud, em seu inconsciente jamais abre mão por completo do seu primeiro objeto de amor – o pai –, guardando no inconsciente o desejo pelo pênis e a fantasia de o posssuir.

Assim sendo, a fase final de desenvolvimento do fetichismo, subseqüente à fase fálica – ou seja, no estágio genital adulto –, deve logicamente corresponder ao que Freud descobriu analisando fetichistas: que se apegam ao fetiche, o qual não foi perdido, mas firmemente retido mediante uma regressão à analidade, por sua vez imposta pela angústia de castração. Desse modo a libido se fixa ao fetiche, o qual doravante adquire no inconsciente a potencialidade de negar a castração.

Podemos agora nos voltar para a segunda questão levantada no início deste artigo: qual pulsão parcial alcança regressivamente sua autonomia no fetichismo, e serve como substituto para a gratificação genital, como o desejo de mostrar o faz no exibicionismo? Por enquanto, a resposta deve ser negativa: não parece possível demonstrar no fetichismo a existência de nenhuma pulsão dessa espécie. No entanto, nesse contexto algo mais nos chama a atenção.

No fetichismo adulto, Freud demonstrou a grande importância do prazer de cheirar e do sentido de olfato, e nosso material corrobora isso no fetichismo em crianças pequenas. Além do olfato, em muitos casos desse gênero o tato parece desempenhar um papel importante, e mesmo decisivo. Quando se considera a importância do olfato na vida animal – em muitas espécies, é o agente mais importante na luta pela existência e na vida sexual, gerando formas de atividade não apenas passivo-receptiva, mas também buscadas com afinco – somos obrigados a dizer que pareceria possível falar de um “instinto do cheiro” (Riechtrieb). O papel desempenhado pelo olfato nos animais superiores (quadrúpedes, insetos) cabe ao tato nos inferiores (protozoários, celenterados etc.).

No homem, esses dois sentidos nunca atingiram pleno desenvolvimento e importância, ou talvez se atrofiem quando os outros ganham força e importância. Contudo, na primeira infância a criança ainda é bastante limitada em sua mobilidade e em sua capacidade de deslocamento, sendo capaz de perceber apenas seu ambiente mais próximo. O olfato e o tato, que se restringem ao que está próximo, desempenham nessa época o papel principal porque são os mais importantes para que a criança se oriente no seu mundo ainda muito limitado.

É somente mais tarde, quando ela ganha mobilidade no espaço e por assim dizer o conquista junto com os objetos nele contidos, que aprende pela experiência a ver o mundo de maneira tridimensional. A audição é o último sentido a alcançar plena importância e valor, em conjunção com o desenvolvimento da fala e da consciência. Correlativamente, o tato e o olfato perdem gradualmente o valor biológico e a importância. Mas na primeira infância ambos predominam, e talvez seja possível ver no fetichismo uma regressão atávica muito poderosa [14].

Uma outra questão está ligada a isso. Freud enfatizou uma característica particular da libido, que precisamente no fetichismo se apresenta com particular intensidade: a adesividade. Parece justificado supor que a particular adesividade da libido no fetichismo se origine nas ligações muito próximas entre as sensações libidinais e as percepções de cheiro, mais antigas do ponto de vista ontogenético. Sabe-se como lembranças de caráter vago, obscuro e nebuloso são bem conservadas na memória se estiverem ligadas ao olfato, e que um cheiro pode reavivar experiências incertas do passado, despertando diversos humores e sentimentos obscuros ou dominando o humor e o modo de pensar de uma pessoa. Freqüentemente, os poetas e psicólogos souberam avaliar e usar esse fenômeno.

Resta chamar a atenção para o que Freud disse com relação ao destino das várias pulsões no período pré-edipiano, anterior à escolha do objeto: “Alguns impulsos componentes da pulsão sexual têm um objeto desde o princípio, e se agarram a ele: o impulso do dominar (sadismo), de olhar (escopofilia), e a curiosidade. Outros – mais claramente ligados às zonas erógenas do corpo – têm objeto somente no início, enquanto ainda se apóiam em funções não-sexuais, e abdicam dele ao se diferenciar dessas últimas” [15].

Dessa forma, o primeiro objeto do componente oral da pulsão sexual é o seio materno, por meio do qual é satisfeita a necessidade do lactente por alimento. No ato de sugar, o componente erótico simultaneamente gratificado ao chupar o dedo torna-se independente, abdica do objeto estrangeiro ao corpo e o substitui por um locus no corpo da própria criança. O impulso oral se torna autoerótico, tal qual o foram desde o princípio o anal e os demais impulsos instintivos.

No caso de fetichismo infantil, essa transformação em autoerotismo completo parece ser perturbada por uma adesão obstinada ao primeiro de todos os objetos dos instintos parciais, o seio materno. Os impulsos orais, e depois – por outras perturbações no desenvolvimento – os anais, conservam desde o início seus respectivos objetos exógenos, e essa situação permanece ao longo de todo futuro percurso do desenvolvimento.

Quais seriam as causas especiais que resultam neste peculiar estilo de desenvolvimento? De momento, nada se pode afirmar definitivamente. Ocasiões e circunstâncias externas ca­suais podem desempenhar algum papel, ou quem sabe peculiaridades constitucionais de um tipo ou de outro: sensibilidade exacerbada da zona erógena em questão, força incomum do instinto parcial, que muito cedo ganha um lugar privilegiado na economia da libido, ou intricamento da pulsão parcial com um olfato constitucionalmente hipertrofiado. Obviamente, apenas algum destes fatores pode ser operativo, assim como todos em conjunto.

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Percurso é uma revista semestral de psicanálise, editada em São Paulo pelo Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae desde 1988.
 
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