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Resumo
Resenha de Sigmund Freud, Luto e melancolia, trad. Marilene Carone, com textos de Maria Rita Kehl, Modesto Carone e Urania Tourinho Peres. São Paulo: Cosac Naify, 2011, 141 p.


Autor(es)
Tales A. M. Ab´Saber
é psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise, professor do curso de Psicopatologia e Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública (USP). É autor de O sonhar restaurado – formas do sonhar em Bion, Winnicott e Freud (Prêmio Jabuti 2006).

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 LEITURA

Luto e melancolia, hoje [Luto e melancolia]

Mourning and melancholy, today
Tales A. M. Ab´Saber

Por ocasião do lançamento da nova edição de Luto e melancolia - com a tradução de Marilene Carone do famoso trabalho metapsicológico de Freud que é, sabidamente, um trabalho de imenso interesse humano - Modesto Carone rememorou que, ao publicar, nos anos 1980, três ensaios que revelavam, analisavam e criticavam o estado lastimável das traduções indiretas de Freud realizadas no Brasil, Marilene Carone recebeu um telefonema de Antonio Candido, apoiando-a na iniciativa polêmica. Para o crítico que escreveu A formação da literatura brasileira, a sólida e irônica crítica às traduções sem nenhum critério, descuidadas e deformantes que a obra do pai da psicanálise recebera entre nós até então fazia uma radiografia contundente de um certo estado geral de barbárie e de inconsequência em que a cultura vivida no Brasil daquele tempo se encontrava. E ainda é verdade que, ao lermos os textos da autora hoje, recolhidos por Paulo Cesar de Souza, em Sigmund Freud e o gabinete do Dr. Lacan, temos a clara percepção de como o conhecimento técnico rigoroso, uma causa justa e um talento literário forte podem produzir uma obra simplesmente explosiva no quadro de uma cultura rebaixada.

 

Embora os processos da nossa própria cultura contemporânea sejam muito complexos, e em grande medida e sob muitos aspectos ligados ao avassalador andamento da nova indústria cultural, e a hegemonia do consumo como cultura não nos dê verdadeiros motivos para comemorar, também, é sabido, a psicanálise brasileira tem alcançado um grau alto de qualificação em suas instituições, em sua presença razoável no mundo, na mais ampla produção científica, em sua presença na Universidade e, nos últimos anos, com o horizonte da queda do controle de direitos da grande obra freudiana, finalmente na esfera do trato com o texto freudiano, ele próprio, entre nós. Assim, assistimos ao gradual surgimento de novas traduções a partir do alemão de Freud, criteriosas e formalmente equilibradas, também realizadas em novíssimas possibilidades de edições, novas concepções editoriais para o texto e a obra freudiana clássica.

 

André Carone, colega professor de filosofia da psicanálise da Universidade Federal de São Paulo, chamou a atenção para este ponto: com o fim do monopólio dos direitos autorais sobre a obra de Freud, descongela-se a possibilidade contemporânea de reavaliações e re-enquadramentos do trabalho fundamental do criador da psicanálise, que pode se expressar, como é o caso deste livro, através de novas lógicas e formas de edição. E, nesse sentido, temos realmente o que comemorar, uma vez que de fato existem hoje no Brasil mais de uma editora em condição de lidar com o texto freudiano e seu lugar no pensamento psicanalítico do presente, como é o caso desta edição concebida pelo editor Milton Ohata, da Cosac Naify, com a tradução precisa de Marilene Carone e os importantes comentários de Modesto Carone, o texto de Maria Rita Kehl e o posfácio de Urania Tourinho Peres. E sabemos que este é um modelo para a edição posterior de toda a tradução comentada de Freud, feita por Marilene Carone, que inclui uma tradução de A negação, de 1925, e das seiscentas páginas das importantes Conferências introdutórias à psicanálise, de 1916/1917.

 

Podemos relembrar a situação histórica das formas de edição desta pequena obra-prima do pensamento freudiano, Luto e melancolia, que retorna agora para nós à luz de nossa consciência contemporânea. Segundo James Strachey, a aproximação entre melancolia e luto era uma intuição que vinha de muito longe no pensamento freudiano, tendo sido mesmo esboçada de modo cifrado e enigmático em um manuscrito conhecido como "Notas (iii)", enviado a Fliess em maio de 1897, o mesmo texto em que, pela primeira vez, Freud toca na figura clássica de Édipo como uma imagem cultural significativa para o pensamento a respeito da vida psíquica. Em 1910, em uma reunião da recentíssima Sociedade Psicanalítica de Viena e diante do tema do suicídio, Freud assinalou a necessidade de a psicanálise investigar a relação que deveria existir entre luto e melancolia, mas também afirmou, com a maior razão sobre si mesmo, que o conhecimento psicanalítico de então ainda não era suficiente para dar conta do problema. Em janeiro de 1914, ele apresentou a Ernest Jones os elementos psicanalíticos que comporiam o trabalho, cujos temas então encontravam a mediação adequada, com a introdução da noção de narcisismo no pensamento psicanalítico. O artigo foi redigido em 1915, e veio a fazer parte do conjunto de trabalhos conhecidos propriamente como metapsicológicos, textos de balanço e aprofundamento teórico dos anos 1910, sendo de fato o texto que encerrou a série conhecida. Estes escritos, por sua vez, foram objeto de uma negociação de Freud com seu editor Hugo Heller, a respeito dos direitos autorais de sua obra.

 

Luto e melancolia apareceu pela primeira vez em 1917, no Internationale Zeitschrif fur ­Arztlich Psychoanalyse, sendo em seguida publicado no primeiro conjunto de livros das obras metapsicológicas e dos escritos gerais sobre a teoria das neuroses de Freud, em 1918, conjunto que foi reeditado, em um volume único, em 1922, com o título Sammlung Kleiner Schriften zur Neurosenlehre, ou seja, a Coletânea de pequenos escritos sobre a teoria da neurose.

 

O curioso, e original, desta primeira pequena coleção dos textos teóricos de Freud da década de 1910, na qual podemos encontrar toda a elaboração conceitual de sua primeira tópica do inconsciente de gênese sexual e infantil, é que ela não estava organizada por nenhum critério ordenador visível ou tradicional, como temas, cronologia, vínculos genéticos ou teóricos, ou períodos da obra. Apenas partindo de A história do movimento psicanalítico, de 1914, a coletânea de fato reúne e coleciona as pequenas obras-primas teóricas de Freud a respeito da teoria da neurose, da sexualidade infantil e da metapsicologia de até então, em uma ordem que não nos parece ordenada, indo para frente e para trás na cronologia dos trabalhos, cultivando quase uma aleatoriedade, e cujo único sentido, se houver, só pode ser dado pela leitura do conjunto... Esta displicência editorial talvez diga algo a respeito dos atribulados anos de formação do aparelho institucional psicanalítico original. Estranha displicência diante de uma obra que seria, no futuro, tão escrupulosamente cultuada e organizada, interpretada e conhecida em detalhes e em profundidade, nos próprios aparatos críticos que incorporaria, dentro ou fora das edições de Freud. Um exemplo disto veio a ser o monumental comentário histórico genético de James Strachey, que emoldurou o projeto da Standard Edition inglesa, de 1955/1966.

 

É curioso que, para os critérios contemporâneos e para o rigor de quase culto que a obra freudiana inspiraria no futuro, a Sammlung de 1918/22 fosse algo caótica e desleixada. E, ainda, a edição dos Gesammelte Werke - as obras completas em alemão - publicada em Londres, de 1940 a 1952, recebeu recentemente o seguinte comentário do tradutor e organizador da nova edição brasileira da Companhia das Letras, Paulo Cézar de Souza: "Embora constituam a mais ampla reunião de textos de Freud, os dezessete volumes da Gesammelte Werke foram sofrivelmente editados, talvez devido à penúria dos anos de guerra e de pós-guerra na Europa. Embora ordenados cronologicamente, não indicam sequer o ano da publicação de cada trabalho"[1].

 

É possível percebermos que a incorporação do aparato crítico genético, e de uma hermenêutica estrutural universitária moderna, de fato demorou a chegar às edições de Freud, coincidindo, tardiamente, um novo grau e patamar de consciência editorial, a partir da Standard inglesa de Strachey, com o próprio movimento histórico e cultural reflexivo avançado, que ficou conhecido, a partir do trabalho de leitura de Lacan, como o retorno a Freud.

 

Esta pequena lembrança da história da edição freudiana de Luto e melancolia serve apenas para colocarmos em perspectiva o nosso promissor momento atual, em que surgem três projetos de tradução e reavaliação editorial da obra freudiana: o da tradução do original alemão, com critérios apresentados e o clássico aparato crítico de Strachey, da Imago, coordenada por Luiz Hans, o da obra psicanalítica completa de Freud, por Paulo Cézar de Souza, para a Companhia das Letras, e o das finas traduções originárias de Marilene Carone, com comentário crítico contemporâneo brasileiro, da Cosac Naify.

 

Não vou trabalhar aqui com a profundidade que mereceriam os ótimos ensaios de Maria Rita Kehl e Urania Tourinho Peres, presentes no novo livro. Além de o trabalho de Kehl recuperar o contexto teórico da evolução do pensamento freudiano em que Luto e melancolia está inserido, e comentar o estilo esclarecedor e ético da escrita freudiana, os trabalhos de ambas as autoras produzem a ampliação contemporânea da noção de melancolia e seu reposicionamento para o presente e consideram as leituras históricas e filosóficas sobre a noção, que emergiram a partir dos anos de 1960. Kehl vai relembrar a longa tradição, não utilizada por Freud, da associação entre a melancolia e o homem de gênio, da possível necessidade de habitar o campo da linguagem daquele que perdeu o seu lugar no vínculo social, e vai apontar para a importante questão histórica, e epistemológica, da privatização da melancolia pelo sistema conceitual freudiano moderno.

 

O amplo ensaio de Urania vai produzir um corpo a corpo com as condições narcísicas e psiquicamente corrosivas da vida contemporânea danificada, entretecido no texto com o próprio percurso existencial de Freud ao redor da emergência histórica do luto pessoal, no gesto autodestrutivo da civilização de seu tempo e em sua própria vida familiar e íntima. Os dois artigos recuperam dimensões de sentido histórico da noção de melancolia que Freud, de modo radicalmente psicanalítico, e elegante, recusou-se a incluir em seu próprio ensaio.

 

Quero apenas relembrar aqui um outro ponto que me parece importante. Como é sabido, um dos impulsos que levou Freud à radicalização da autoanálise - em conjunto com crises teóricas, clínicas e epistemológico/políticas dos anos de 1890 - foi o difícil luto pessoal que se articulou à sua própria neurose, e que estaria no fundo de tantos sonhos seus deste período, frente à morte de seu pai, Jacob Freud, o famoso acontecimento mais difícil na vida de um homem, segundo o primeiro psicanalista. De fato este foi um trabalho especial, porque inconsciente, só reconhecido por Freud a posteriori, quando chegou a totalizar a experiência do livro dos sonhos para si próprio, como ele próprio reconheceu no prefácio à segunda edição do livro. Strachey tem razão ao reconhecer já nas origens de todo o sistema psicanalítico, nos manuscritos enviados a Fliess no período, os traços e o enigma pulsante do vínculo de luto e melancolia. Se, no primeiro momento, o objeto de estudo e de avanço teórico espetacular de A interpretação dos sonhos era a metapsicologia e a clínica das psiconeuroses de defesa, buscando qualificar o estatuto simbólico e humano do sintoma neurótico, noutra direção um impulso pessoal profundo, do mais importante dos meus casos, eu mesmo (palavras de Freud a Fliess), era também um importante trabalho de luto, que o homem de gênio Sigmund Freud soube transformar através de sua obra. Deste modo a história da própria psicanálise poderia ser concebida também como um imenso trabalho do luto freudiano, e não por acaso em 1915, com a conquista da mediação metapsicológica fundamental do narcisismo, ainda impensável em 1897, necessária originalmente para pensar aspectos da experiência psicótica, Freud vai então resolver, ao seu modo, o outro lado do seu próprio sintoma normal, além do sonho, o luto. A psicanálise também poderia ser entendida como uma imensa teorização de um metaluto, realizada por um homem de gênio moderno.

 

E o que fica nesta leitura tardia, neste último retorno a Freud de um psicanalista contemporâneo a respeito de um texto arquiclássico, já lido e relido, situado, pesado e passado a pelo e a contrapelo, por décadas? O balanço constante, produtor de teoria e de uma leitura da vida, entre o estado de dor e tristeza da situação não patológica do luto e toda a textura de representações e trabalho psíquico que ele exige do indivíduo, e o estado excepcional de dor e tristeza também marcado pela autorreprovação da melancolia, propriamente patológica. As várias checagens e as diferenciações entre os campos aproximados de um estado de normalidade dolorosa, que implica o tempo em sua elaboração, frente ao estado de uma patologia triste, atemporal, deixam como resultado as verdadeiras mediações conceituais freudianas, que são a própria encarnação, necessárias aos objetos humanos do luto e da melancolia, da metapsicologia. Há um verdadeiro balanço dialético entre o colorido da experiência psíquica normal e o patológico, em algum lugar a ela articulado, cujo resultado é o próprio estrato da consciência metapsicológica, que se revela aqui como mais ajustada às coisas humanas do que nunca.

 

Este balanço dialético - entre estratos psíquicos díspares, mas conectados em um ponto a ser localizado, e seu resultado mediado e mediador na teoria que emerge exatamente aí - , é um dos modos de produção de conhecimento freudiano que tem valor sobre toda a sua obra. Os estados vivos definem o trabalho da teoria psicanalítica, e o trabalho da teoria psicanalítica ilumina, por dentro, os estados vivos. Exatamente por isso, sempre houve exagero na crítica epistemológica filosófica à psicanálise que cindia excessivamente o conceito psicanalítico da matéria viva da alma humana, e maior acerto na perspectiva que, em outra direção, via na psicanálise um parentesco com o trabalho dialético do conceito e do espírito, sempre encarnados.

 

Pode-se observar em Luto e melancolia um poderoso retorno de Freud à experiência. Com efeito, um retorno ao que poderíamos chamar de experiência psíquica, à observação e objetivação em uma ordem de razões própria da sua psicanálise de um novo espaço do acontecimento psíquico e emocional intenso, seu velho conhecido, à sua descrição psicanalítica de grande acuidade da dinâmica viva, encarnada em representação e afeto, do mundo psíquico do luto, trauer em alemão. Pelo trabalho refinado da tradutora, ficamos sabendo que "a proximidade do conceito de luto com o de tristeza é em alemão mais evidente do que em outras línguas: vem de Trauer o adjetivo traurig (triste)" (p. 44).

 

A experiência sensível deste acontecimento emocional central da vida humana, de grande valor civilizatório, e sua evidente tomada de posse da consciência e daquilo que Freud, já então, chama de eu, volta a estar no primeiro plano da indagação freudiana, de algum modo trazendo para teorização um novo tipo de matéria viva da alma, significativamente diferente do amplo espetáculo da decifração do sintoma neurótico dos primeiros tempos da psicanálise, mas perfeitamente passível de ser trabalhada pelo mesmo sistema metapsicológico. A emergência da matéria experiência patológica normal do luto, que vai ajudar sobremaneira no entendimento da matéria sintomática verdadeiramente patológica da melancolia, nos revela um Freud permanentemente atento ao campo vivo da maior importância epistemológica da psicopatologia da vida cotidiana, mas também abre de algum modo a psicanálise em um campo de fenômenos psíquicos, experiência e acontecimento emocional positivamente diferente, outro, quando comparado à natureza contraditória e enigmática intensa do sintoma defensivo estruturado original, histérico ou obsessivo, que moveu toda a máquina de pensar freudiana. Vemos o potencial expansivo intenso que a introdução de cada noção necessária no sistema da metapsicologia, no caso a introdução histórica do narcisismo, sempre tem em psicanálise.

 

Noutras palavras, se as razões psicanalíticas da leitura freudiana sobre o luto são a expansão brilhante da base original freudiana, conquistada na teoria sexual das neuroses, e na metapsicologia mais radical dos sonhos, que se dá por um novo ponto metapsicológico - o narcisismo - a própria matéria, que é uma outra natureza de vínculo entre normal e patológico, entre dor psíquica e sentido do sujeito - o luto - é também, verdadeiramente de outra natureza.

 

Freud faz um deslocamento, de grande importância, e que vai estar na base de muitas descobertas psicanalíticas posteriores - como toda a pesquisa futura do campo do valor criador de uma ilusão necessária à constituição do sujeito, no brincar, por exemplo - na própria matriz existencial, na própria coisa fenomênica, na própria vida psíquica que envolve a forma da consciência, que desloca a teorização psicanalítica para verdadeiras outras paragens, da carne da experiência, e da necessária, então, refundação conceitual psicanalítica. A psicanálise necessita prestar atenção e estar em contato com uma carne viva da experiência psíquica, não abstrata, o luto, ou a melancolia, do mesmo modo que necessita do conceito metapsicológico preciso para poder chegar a operar aí, no caso, o narcisismo.

 

É por isso, essencialmente, que sentimos que, em Luto e melancolia, estão as sementes genéticas, e as raízes, dos futuros braços, que por sua vez serão eles próprios verdadeiras novas raízes, e novos troncos na história teórica mais ampla da psicanálise, daquilo que, em alguns anos, seriam os elementos conceituais psicanalíticos da chamada segunda tópica freudiana, os futuros ego e superego, de O Ego e o id, e, a mais revolucionária sob muitos aspectos, pulsão de morte, de Além do princípio do prazer. Estas necessidades futuras do conceito são fundadas no deslocamento de objeto mais central, a que faz parte o trabalho do analista ficar atento, em uma matéria psicanalítica, uma carne do sentido da experiência humana que verdadeiramente porta uma nova ordem conceitual no interior de si própria; ou melhor dizendo, que exigirá o trabalho do conceito lá, nos limites e na fronteira, onde ele próprio, em trabalho de luto epistemológico sobre a sua própria natureza, será obrigado a transformar-se, chegando assim a produzir, gradualmente, no processo da história da psicanálise, a própria transmutação teórica da disciplina.


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Percurso é uma revista semestral de psicanálise, editada em São Paulo pelo Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae desde 1988.
 
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