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ÍNDICE TEMÁTICO 
59
A Psicanálise em nosso tempo
ano XXX - Dezembro 2017
180 páginas
capa: Silvana LaCreta Ravena
  












EDITORIAL  
TEXTOS  
Evocando a interdição kantiana de acesso à coisa-em-si, o presente artigo tenta mostrar que, em vez de uma divisão ideológica ou uma recessão teórica, a introdução de Bion de sua chamada abordagem “mística” nos leva às conclusões lógicas de sua investigação epistemológica. Longe de ser uma reviravolta vertiginosa, este movimento revela o fio vermelho que atravessa toda a sua obra: a questão do conhecimento em geral, e seguindo Freud, particularmente do conhecimento inconsciente.
ABSTRACT
O; the Real; thing-in-itself; science and truth; epistemology and unconscious; interpretability of the Id.
 
No presente trabalho, aborda-se uma proposta de clínica psicanalítica com homens que incorpora uma perspectiva de gênero. Destaca-se como a proposta feita aos homens no sistema patriarcal de ser subjetivados para a dominação tem como efeito dificuldades para que eles localizem as mulheres no campo do semelhante. Em seguida, propõe-se um tipo de intervenção clínica que interroga os homens a partir de uma dimensão ética que os responsabiliza por suas ações diante daquelas consideradas como “subalternas”.
ABSTRACT
In the present work, a psychoanalytic clinic proposal with men incorporating a gender perspective is addressed. It stands out how the proposal made men in the patriarchal system of being subject to the domain impacts on their difficulties to locate in the field of the similar to women. It is then proposed a type of clinical intervention that challenges men from an ethical dimension to make them responsible for their actions compared to those considered "subaltern".
 
A partir de um diálogo entre Jean Laplanche e Pierre Bourdieu, analisamos uma letra de funk para evidenciar uma das vias tradutivas que a dominação masculina no contemporâneo propõe, para sujeitos adolescentes, esquemas narrativos para traduzir o Sexual inconsciente. Isso se dá de maneira binária e pela via da violência: a sexualidade masculina, no sentido da depreciação do objeto sexual; a sexualidade feminina, no sentido de reproduzir a lógica da sua própria dominação.
ABSTRACT
From a dialogue between Jean Laplanche and Pierre Bourdieu, we analyzed a funk lyric to show how male domination in the contemporary proposes, for adolescent subjects, narrative schemes to translate unconscious sexuality. This occurs in a binary way and through violence: masculine sexuality, in the sense of the depreciation of the sexual object; the feminine sexuality, in the sense of reproducing the logic of its own domination.
 
O texto apresenta brevemente alguns princípios da Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão no Sistema Único de Saúde (PNH) ou, como é mais conhecida, HumanizaSUS, colocando em debate o termo humanização, sua herança moderna ligada ao humanismo, problematizando o que se instituiu como imperativos morais sob a égide do “bom humano” nas práticas de saúde nos anos 2000. É nesse contexto que formas de escuta e de intervenção no SUS poderão ser pensadas teórica e tecnologicamente, tendo como fim práticas clínico-institucionais pautadas por uma ética da desestabilização das formas instituídas e da aposta na invenção de novos modos de andar a vida individual e coletiva em contextos de saúde.
ABSTRACT
The text introduces some of the principles of the National Humanization Policy on Attention and Gestion (PNH) in the Universal Health System (SUS), or as it is most commonly referred to, “HumanizaSUS”, with the aim of debating the concept of “humanization”. It also retraces its modern tradition linked to humanism, problematizing what has become the moral commandment of the "good human" in the health practices of the early 21st Century. In this context, the text tries, both in theoretical and technological terms, to reflect on the listening and intervention practices undergone within the SUS with the goal of building clinical and institutional practices based on the ethics of provoking instituted forms, and to bet on the invention of new ways of living individually and collectively in health contexts.
 
A partir de um fragmento clínico de um grupo de psicoterapia de base psicanalítica no qual se apresenta uma questão referente ao preconceito contra o negro no Brasil, este trabalho analisa como o racismo presente no metaenquadre social pode determinar parte da constituição psíquica da população brasileira. O conceito de alianças inconscientes permitirá pensar o campo do intermediário, a passagem do intersubjetivo para o intrapsíquico, que efeitos a aliança selada pela sociedade brasileira que estabelece, inconscientemente, o mecanismo de defesa utilizado para lidar com o preconceito racista contra o negro – a recusa – tem sobre a constituição psíquica do sujeito.
ABSTRACT
From a clinical fragment of a psychoanalytic psychotherapy group in which an issue regarding prejudice against the black people in Brazil is presented, this paper analyzes how the racism present in the social meta-setting can determine part of the psychic constitution of the Brazilian population. The concept of unconscious alliances will allow us to think of the intermediary, the transition from the intersubjective to the intrapsychic, what effects the alliance sealed by Brazilian society that establishes, unconsciously, the defense mechanism used to deal with racist prejudice against the black – refusal – has in the subject's psychic constitution.
 
Tanto o psicanalista Jacques Lacan quanto o antropólogo Claude Lévi-Strauss pensam os fenômenos fundamentais da vida e da alma como situados no âmbito inconsciente. Ambas as teorias são influenciadas pela linguística de Saussure e Jakobson. O presente artigo compara essa influência linguística na concepção de inconsciente para a psicanálise lacaniana e para a antropologia estrutural.
ABSTRACT
Both the psychoanalyst Jacques Lacan as the anthropologist Claude Lévi-Strauss thinks the fundamental phenomena of life and soul as located within unconscious. Both theories are influenced by linguistics of Saussure and Jakobson. This article compares this linguistic influence in the design of unconscious to the lacanian psychoanalysis and structural anthropology.
 
No presente artigo analisamos o material clínico sobre Owen Suskind para observar o trabalho de simbolização viabilizado a partir da transformação do sensorial-perceptual no autismo, por intermédio de invenções ancoradas no mundo Disney.
ABSTRACT
In this paper we study the clinical material about Owen Suskind in order to analyze the work of symbolization made possible through the transformation of the sensorial-perceptual in autism, through inventions anchored in Disneyworld.
 
A partir do relato do encontro analítico com uma paciente, este artigo propõe uma reflexão sobre estados de retraimento e possibilidades de intervenção terapêutica caracterizada por uma postura mais ativa do analista, seguindo o conceito de “reclamação” proposto por Anne Alvarez. Autores como Pontalis, Winnicott e Ogden também auxiliaram na reflexão das condições de quase-morte desses pacientes.
ABSTRACT
From the report of the analytical encounter with a patient, this article proposes a reflection on states of withdrawal and possibilities of therapeutic intervention characterized by a more active attitude of the analyst, following the concept of “reclamation” proposed by Anne Alvarez. Authors such as Pontalis and Ogden also helped us to reflect on the near-death conditions presented by these patients.
 
O artigo retoma, numa perspectiva histórica, os aportes dos Lefort à psicanálise lacaniana com crianças: a equiparação de crianças e adultos, um mínimo de escuta aos pais e estruturas clínicas decididas precocemente. Considera-se, no entanto, que o trabalho com crianças com dificuldades no laço social requer a inclusão dos pais no tratamento, uma aposta na estruturação psíquica e uma posição mais ativa e falante do analista.
ABSTRACT
This papers reviews, in a historical perspective, the contributions of Rosine and Robert Lefort to Lacanian Psychoanalysis. They consist in three points: equal treatment for children and adults, very little contact with parents, and clinical structures determined quite early in life. However, the author feels that the work with children suffering from difficulties in social relationships requires inclusion of the parents in the treatment, a bet in the possibility of a better psychical structuration, and a more active attitude on the side of the analyst
 
O presente artigo se propõe a traçar algumas reflexões sobre os clássicos em Psicanálise, resgatando para tanto as 14 características de um clássico segundo o escritor italiano Italo Calvino. Nesse trajeto veremos aspectos da história do movimento psicanalítico, o embate entre tradição e vanguarda e a postura de abertura que é necessária para o fazer e o pensar em Psicanálise, evitando transformá-la em dogma.
ABSTRACT
This paper proposes some reflections on the classics in Psychoanalysis, taking the 14 aspects of a classic work according to the italian writer Italo Calvino. On this path we will consider some points of the Psychoanalytical movement history, the clash between tradition and vanguard and the opening approach that is necessary to the Psychoanalytical practice and thought, to avoid turning it into dogma.
 
 


ENTREVISTA  
Entrevistado Vladimir Safatle
Realização Ana Claudia Patitucci, Bela M. Sister, Célia Klouri, Cristina Parada Franch, Danielle Melanie Breyton,Deborah Joan Cardoso e Silvio Hotimsky
 
DEBATE  
Realização Camila Junqueira, Cristiane Abud Curi, Gisela Haddad, Thiago Majolo e Vera Zimmermann

Debate Bruno Esposito, Laís Lima , Alessandra Balaban e Roosevelt Cassorla
 
DEBATE CLÍNICO  
LEITURAS  
Resenha de Luciana Saddi, Educação para a morte, São Paulo, Patuá, 2017, 132 p.
 
Resenha de Noemi Moritz Kon, Cristina Curi Abud, Maria Lúcia da Silva (orgs.), O racismo e o negro no Brasil: questões para a psicanálise, São Paulo, Perspectiva, 2017, 304 p.
 
Resenha de Patrícia Porchat, Psicanálise e transexualismo: desconstruindo gêneros e patologias com Judith Butler, Curitiba, Juruá, 2014. 171 p.
 
Resenha de Marie Christine Laznik, A hora e a vez do bebê, org. Erika Parlato-Oliveira, 1.ed., São Paulo, Instituto Langage, 2013, 239 p.
 
Resenha de Maria Laurinda Ribeiro de Souza, Vertentes da Psicanálise. O hospital. A violência. A clínica. A escrita, São Paulo, Pearson, 2017, 357 p. (coleção Clínica Psicanalítica, dir. Flávio Carvalho Ferraz).
 
Resenha de Teresa Pinheiro, Ferenczi,
São Paulo: Casa do Psicólogo (Coleção clínica psicanalítica), 2016, 202p.
 
Resenha de Daniel Schor, Heranças invisíveis do abandono afetivo – um estudo psicanalítico sobre as dimensões da experiência traumática, São Paulo, Blucher, 2017, 216 p.
 
 
 

     
Percurso é uma revista semestral de psicanálise, editada em São Paulo pelo Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae desde 1988.
 
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