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TÍTULO DE ARTIGO


 

AUTOR


ÍNDICE TEMÁTICO 
56/57
Jean Laplanche
ano XXIX - Junho/ Dezembro 2016
230 páginas
capa: Calabi Yau
  












PERCURSO DIGITAL  
Núcleo de Psicanálise, Cinema e Vídeo: Cida Kfouri Aidar; Heidi Tabacof; Maria Marta Assolini e Maria Lúcia Arroyo Lima. Vídeo. 1993
Gravação de encontro entre Laplanche e Haroldo de Campos para conversar sobre diferenças e semelhanças na tradução de textos teóricos e textos literários. Laplanche esteve em São Paulo a convite do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.
 
Silvia Leonor Alonso. Publicado originalmente no Boletim Online 21, do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, de junho de 2012
 
Tradução de "La révolution copernicienne inachevée" in La révolution copernicienne inchevée, Jean Laplanche, 1992, Ed. Aubier
Tradutoras: Mania Deweik e Maria de Lourdes Caleiro Costa



 


EDITORIAL  
TEXTOS  
Neste texto, hoje clássico, Laplanche expõe
os motivos da sua crítica ao modo como Freud concebe a formação do psiquismo (visão “ptolomaica”, segundo o autor), e ao mesmo tempo deixa pistaspara uma formulação mais exata e mais fecunda,que leve em conta o papel fundador do contato com o adulto (visão “copernicana”, já que reconhecer a primazia do outro seria colocá-lo no centro do sistema relacional – algo equivalente ao que fez o astrônomo polonês quando sugeriu que é a Terra que gira em torno do Sol.
ABSTRACT
In this classic paper, Laplanche puts forward his reasons to criticize Freud’s usual way of conceiving the formation of mind, and at the same time opens windows towards a more exact and more
fruitful solution for this problem. The official version is considered “Ptolomaic”, and Laplanche’s own description, “Copernican”. The metaphor refers to an inversion of the positions of the baby and the adult,which in the author’s view is equivalent to what Copernicus proposes in Astronomy.
 
Este artigo retoma a questão da sublimação, situando-a no contexto da teoria da sedução generalizada.
Trabalhando o “Leonardo” e alguns outros
textos de Freud, Laplanche a vincula às duas teorias
da pulsão, e utiliza o tema da sublimação para
reforçar seus argumentos em favor de uma “pulsão
sexual de morte”. Passando por uma rápida reflexão
sobre o conceito de “inspiração”, o autor conclui
com observações sobre o papel da sublimação na
conclusão de uma análise.
ABSTRACT
This paper focuses on the subject of sublimation, placing it in the context of the theory of generalized seduction. Freud’s “Leonardo” and other texts of him offer a bridge to link sublimation to the theory of instincts, which Laplanche has reformulated to absorb the death impulses into a “death sexual instinct”. A quick reflection on the concept of “inspiration” leads to some remarks about the role of
sublimation in the course of an analysis.
 
A conversa entre o poeta Haroldo de Campos
e o psicanalista Jean Laplanche acerca das traduções da obra de Freud evidencia a existência
de duas posições opostas: enquanto a psicanálise
busca a legitimidade a partir da coerência interna
dos conceitos freudianos, o campo literário tenta
atrair a psicanálise para um espaço comum, partilhado pela literatura, pela poesia e pelos estudos da linguagem. As diferenças entre os autores são uma breve ilustração da própria natureza dos debates internacionais em torno das traduções de Freud.
ABSTRACT
The conversation between the brazilian poet Haroldo de Campos and the french psychoanalyst Jean Laplanche on translating Freud brings to light to opposite approaches: while psychoanalysis hold on
to the internal coherence of Freudian concepts to legitimize its discipline, the literary field efforts to lure psychoanalysis and bring to a domain shared by literature, poetry and linguistics. The differences between these two authors illustrate the very nature of the international debate about translating Freud.
 
O presente artigo relembra a visita de Jean Laplanche ao Brasil, em 1993, e expõe os principais elementos das suas teorias, que a autora considera muito úteis para a prática clínica. Retoma a importância da metapsicologia na escuta clínica e posiciona o pensamento de Laplanche em relação às fantasias originárias, frisando o fato de que para este autor não seriam protofantasias herdadas filogeneticamente mas que seu fundamento está ligado à forma em que a sexualidade se implanta através do outro adulto com sua própria sexualidade infantil recalcada.
ABSTRACT
This article recalls the visit of Jean Laplanche to Brazil in 1993 and sets out the main elements of their theories, which the author considers useful for clinical practice. Resumes the importance of metapsychology in clinical listening and situates the thought of Laplanche in relation to original fantasies, stressing the fact that for this author there is no protofantasies phylogenetically inherited but its foundation is stemmed on the way in which sexuality is implanted through the other adult, with his own infant repressed sexuality.
 
Este artigo acompanha a forma pela qual Jean Laplanche retrabalha o conceito de gênero no marco de sua teoria da sedução generalizada. O autor, ao articular o conceito de gênero e o de mensagem reintroduz o inconsciente do adulto na dinâmica da atribuição de gênero, demonstrando que não se trata só de uma determinação social, pois esta é infiltrada pela sexualidade do adulto que faz a atribuição. Este texto procura mostrar como Laplanche trabalha na fronteira com outras disciplinas e na inclusão de novos conceitos na psicanálise, preservando os fundamentos psicanalíticos ao mesmo tempo que questiona alguns postulados, ou seja, ampliando o campo da teoria psicanalítica sem perder o essencial.
ABSTRACT
This article follows the way Jean Laplanche reworks the concept of gender in the mark of his theory of generalized seduction. The author links the concepts of gender and message reintroducting the adult unconscious in the gender attribution dynamics, showing that it is not only about social determination, because this one is infiltered by the adult sexuality – who makes the attribution. This text looks for showing how Laplanche works on the border of other knowlodges and includes new concepts in psychoanalysis, preserving the psychoanalytical foundations at the same time questioning some postulates, in other words, increasing the field of psychoanalytical theory without losing the essential.
 
O presente artigo analisa as formulações de Jean Laplanche construídas em torno da questão: existiria uma simbolização bem-sucedida? Os conceitos de sublimação e de inspiração, tal como concebidos no interior da teoria da sedução generalizada, ganham destaque nessa análise que toma como mote a curiosidade sexual das crianças, no intuito de explorar a seguinte questão: dentre as diversas possibilidades oferecidas pelo universo cultural como ajuda à simbolização dos enigmas sexuais que habitam a criança, seria possível arbitrar entre aquelas que promoveriam abertura às traduções e aquelas que fracassariam nesse intuito?
ABSTRACT
This article analyzes Jean Laplanche’s formulations around the following question: there would be a successful symbolization? The concepts of sublimation and inspiration, as conceived within the theory of generalized seduction, are highlighted in this analysis that took as its motto the sexual curiosity of children, in order to explore the following question: among the various possibilities offered by the cultural universe as an aid to symbolization of the sexual enigma that inhabit the child, would it be possible to arbitrate between those who would promote openness to translations and those who would fail in this intention?
 
Ao retomar a teoria do recalque e da formação da tópica psíquica no âmbito de sua teoria da sedução generalizada, J. Laplanche aborda os complexos de Édipo e de castração para situá-los em relação a diferentes estratos do inconsciente. Este artigo apresenta uma análise crítica das formulações de Laplanche sobre a castração e, com o auxílio de algumas ideias de J. André sobre esse mesmo tema, busca mostrar o poder de recalque que a oposição fálico/castrado exerce sobre uma dimensão da sexualidade na qual os orifícios corporais e as fantasias de penetração ganham proeminência.
ABSTRACT
In his considerations on the theory of repression and topical division of the mental apparatus, J. Laplanche brings back the Oedipus and the castration complexes to his horizon of concerns as he works on his theory of generalized seduction. He suggests that these complexes should not be thought of as occupying the deeper levels of the unconscious. This article brings a critical reading of Laplanche’s approach of the castration complex and, with the help of J. André’s contributions on this same subject, tries to point out the repressive power that the phallic/castrated opposition has on some aspects of sexuality in which bodyorifices and penetration phantasies prevail.
 
Este artigo parte da consideração de que a busca de compreender a especificidade da situação analítica e da transferência que nela se produz foi determinante para a formulação da teoria da sedução generalizada tal como proposta por Jean Laplanche. Apresenta essa articulação no pensamento do autor e sua concepção a respeito da situação psicanalítica e da transferência, assim como a importância que ele confere ao método. Pontua algumas questões não resolvidas na obra e finaliza formulando uma questão sobre o campo transferencial-contratransferencial, a partir de algumas pistas deixadas pelo autor.
ABSTRACT
This article is based on the consideration that the search to understand the specificity of the analytic situation and of the transfer that it produces was crucial for the formulation of the theory of generalized seduction, as proposed by Jean Laplanche. It presents this articulation with the line of thought of the author and his conception regarding the psychoanalytic situation and the transfer, as well as the importance that he grants to the method. It highlights some unresolved questions in the work of the author and then finishes by formulating a question regarding the transferential-countertransferential field, based on some clues left by the author.
 
Através da teoria da sedução generalizada, Jean Laplanche apresenta a investigação da construção do originário na constituição subjetiva, partindo da hipótese de que o adulto, ao se ocupar do bem-estar e da sobrevivência da criança por meio dos cuidados dispensados ao seu corpo, envia-lhe mensagens enigmáticas, carregadas de conteúdos sexuais. Neste artigo procuro destacar a sensorialidade como campo de transição entre o biológico e o autoconservativo presente nesse processo e seus ecos na clínica psicanalítica.
ABSTRACT
Through the theory of generalized seduction, Jean Laplanche states the original construction in the subjective constitution, from the hypothesis that the adult, by approaching the child with a peculiar sense of care, occupied with his well being and survival, through cares disposed to the children’s body, send him enigmatic messages, containing elements of sexuality. In this article, I attempt to declare the sensoriality as a transitional field between the auto conservative and erogenous present in this process, and it’s clinical implications.
 
Este artigo propõe uma discussão da chamada tópica da clivagem proposta por Dejours e, em seguida, incorporada por Laplanche em seu modelo teórico. Ele busca explicitar como essa noção é concebida por esses dois autores dentro da especificidade de suas reflexões, ressaltando os pontos de convergência e de divergência, para se apontar também a necessidade da incorporação da discussão do papel do Superego e do ideal do Ego no processo de constituição dessa tópica e de sua manutenção, dado a relação destes com o recalque.
ABSTRACT
This article proposes a discussion of the so called topographical splitting defended by Dejours and, then, incorporated by Laplanche in his theorycal model. It aims to explicite how this notion is conceived by these two authors inside of their own theorycal developements, showing both convergent and divergent aspects. The article also points out, in this way, the necessity to add a discussion about the role of the Super-ego and Ego ideal in the process of the foundation of this topography and of its maintenance, considering their relationship with the repression.
 
Neste artigo investigamos o tema da hipocondria dando destaque à dimensão persecutória do corpo, característica central dessa patologia. Tendo em vista a sua singularidade e complexidade, sustentamos a ideia de que sua gênese se ancora nos primórdios do processo de constituição psíquica, no qual sublinhamos as relações existentes entre ego e corpo e, igualmente, entre o ego e o outro, seguindo a contribuição proposta por Jean Laplanche em sua teoria da sedução generalizada.
ABSTRACT
In this paper we investigate the issue of hypochondria highlighting the persecutory dimension of the body, central feature in this pathology. Given its uniqueness and complexity, we defend the idea that its genesis is anchored in the early process of psychical constitution in which we emphasize the relationship between ego and body and also between the ego and the other, following the contribution proposed by Jean Laplanche in his theory of generalized seduction.
 
O artigo é um depoimento de Jacques André, ex-doutorando de Laplanche, no qual relata momentos particulares do percurso de Jean Laplanche: da ruptura com Lacan à elaboração de sua própria obra teórica, passando por sua atividade como professor na Sorbonne e sua relação com Pontalis, com quem Jacques André também estabeleceu uma proximidade.
ABSTRACT
The article is an attest by Jacques André, Laplanche’s former student, which reports particular moments of Jean Laplanche’s journey: from his rupture with Lacan to the elaboration of his own theoretical piece, passing by his position as Sorbonne’s teacher and his relationship with Pontalis, who Jacques André had also established a relative proximity.
 
Este texto, originalmente uma conferência no Encontro Green da Associação Psicanalítica Argentina (2014), reconstitui o diálogo que André Green manteve com Laplanche. Iniciando-se no Colóquio de Bonneval (1960), ele vai até os primeiros anos do século XXI, quando, já de posse das suas formulações definitivas, ambos se situam em quadrantes bem afastados do campo psicanalítico francês.
ABSTRACT
This paper, originally a lecture at the Green Symposium organized by the Argentinian Psychoanalytical Association (Buenos Aires, 2014), follows the dialogue between André Green and Jean Laplanche. Starting at the Bonneval Symposium on the Freudian unconscious (1960), it goes on for fifty years, until the first decade of this century, when – having formulated their respective final positions – the two authors find themselves in very distant areas of the French psychoanalytic field.
 
 


ENTREVISTA  
DEBATE  
DEBATE CLÍNICO  
LEITURAS  
Resenha de Maria Auxiliadora de Almeida Cunha Arantes; Flávio Carvalho Ferraz (orgs.), Ditadura civil-militar no Brasil – O que a psicanálise tem a dizer, São Paulo, Escuta/Sedes Sapientiae, 2016, 164 p.
 
Resenha de Dominique Fingerman (org.), Os paradoxos da repetição, São Paulo, Annablume, 2014, 274 p.
 
Resenha de Marion Minerbo, Diálogos sobre a clínica psicanalítica, São Paulo, Blucher, 2016, 213 p.
 
Resenha de Cristiane Curi Abud,
A Subjetividade nos Grupos e Instituições: Constituição, mediação e mudança,
São Paulo, Chiado Editora, 2015, 431p.
 
Resenha de Talya S. Candi (org.),
Diálogos psicanalíticos contemporâneos:
o representável e o irrepresentável em André Green e Thomas Ogden, São Paulo, Escuta, 2015, 448 p.
 
 
 

     
Percurso é uma revista semestral de psicanálise, editada em São Paulo pelo Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae desde 1988.
 
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